Em 3 meses, um novo presidente; em 6, um novo governo progressista

O sociólogo e colunista do 247 Emir Sader destaca em novo artigo que "são menos de três meses até a definição de quem será o próximo presidente do Brasil. Menos de seis meses para que um novo governo comece a resgatar o Brasil, sua democracia, os direitos dos trabalhadores, as políticas sociais para todos"; para ele, o candidato do PT, favorito, "é o caminho que temos para derrotar e derrubar o governo do golpe e o regime de exceção"

Em 3 meses, um novo presidente; em 6, um novo governo progressista
Em 3 meses, um novo presidente; em 6, um novo governo progressista (Foto: Jornalistas Livres)

A contagem regressiva avança. Em outubro o Brasil terá um novo presidente, eleito pelo voto popular. No primeiro turno, dia 7, no segundo dia 28. E em janeiro teremos um novo governo.

Se os nomes não estão certos, principalmente o de quem lidera todas as pesquisas, e a direita está dispersa, a única certeza é a liderança do Lula e sua capacidade de tornar favorito quem ele indique, caso seja impedido de concorrer.

Haverá um candidato do PT, favorito. Esse é o caminho que temos para derrotar e derrubar o governo do golpe e o regime de exceção. A luta por essa via tem uma dimensão jurídica – superar as tentativas de impedir sua candidatura e sua liberdade –, uma dimensão política – lançamento do programa eleitoral do PT, cujo esboço já foi divulgado e alianças para compor a chapa do Lula – e uma dimensão de massas – com o aumento das mobilizações pela liberdade do Lula e de rejeição das posições do Judiciário.

As outras pré-candidaturas veem esgotar seus tempos para viabilizar-se como alternativas no campo da esquerda e permanecem na expectativa do que acontecerá com a candidatura do PT. A definição, como fica cada vez mais claro, se dará no âmbito do PT: ou Lula ou quem ele indicar, do PT, caso ele seja impedido de concorrer.

Ciro não conseguiu aglutinar forças da direita, que lhe dessem maior espaço, ficando sua candidatura resumida ao PDT. O PSB tende claramente a deixar aberta a questão, diante da impossibilidade de conciliar o partido em Pernambuco, que tende para o Lula, e em São Paulo, ligado ao Alckmin.

O imenso espaço ocupado pelo Lula deixa as outras pre candidaturas sem espaço próprio, de tal forma a polarização do Lula contra o governo golpista se torna a contradição fundamental do momento politico atual. De tal forma que da resolução desse enfrentamento se decide o futuro do Brasil por muito tempo, talvez por toda a primeira metade do século.

O campo da direita parece ficar mais claro, com a candidatura do Alckmin agrupando forcas da direita, para disputar com o Bolsonaro eventual lugar no segundo turno. Desistiram de tentar alguém de fora da politica tradicional. Enquanto isso, Meirelles fica sem nenhum apoio, ao personificar o núcleo básico da falta de popularidade do governo Temer, ameaçando com levar o PMDB ao pior resultado da sua historia.

A contagem regressiva se torna dramática. Até 15 de agosto estarão registradas as candidaturas, começa uma nova batalha, na luta pelo Lula para ser candidato. Dela depende a constituição definitiva do cenário eleitoral. A direita conta com a interdição do Lula e eventuais dificuldades para ele transferir sua influencia em votos para quem ele escolher. Quem quer que venha a ser, a mídia e o Judiciário farão cair sobre ele os mesmos mecanismos de perseguição politica de que o Lula é vitima.

É a esperança da direita, porque da sua força própria não pode esperar muito, seja de Alckmin, seja de Bolsonaro. É a hora de a esquerda concentrar forças em torno da alternativa real de derrotar a direita e o seu golpe. E a única possibilidade é a de Lula ou de quem ele indicar.

São menos de três meses até a definição de quem será o próximo presidente do Brasil. Menos de seis meses para que um novo governo comece a resgatar o Brasil, sua democracia, os direitos dos trabalhadores, as políticas sociais para todos.

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