Em Curitiba, Greca comanda uma macabra solenidade de bênção de armas de guerra para GM

"A chegada da extrema-direita ao governo federal impulsionou a política de criminalização da pobreza", escreve Milton Alves

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(Foto: Reprodução)


Por Milton Alves 

O prefeito de Curitiba Rafael Greca (DEM) comandou, nesta terça-feira (18), uma macabra e inusitada solenidade de bênção do novo armamento de guerra comprado para a Guarda Municipal. Trata-se de armamento adquirido da empresa tcheca Ceska Zbrojovka (CZ), uma fábrica de armamentos de reputação internacional e construída durante o governo comunista da então Tchecoslováquia – atual República Tcheca.

Junto com fuzil russo Kalashnikov, é uma das armas mais comercializadas e contrabandeadas do mundo. Desenvolvida pelos irmãos Koucky, em 1975, dois dos principais engenheiros da empresa CZ, rapidamente ganhou o mercado internacional. No período da chamada guerra fria, a maioria das pistolas do leste europeu adotava o calibre 9 mm Makarov (9 x 18 mm).

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Foram compradas pela municipalidade 1.053 pistolas calibre 9 mm para os guardas municipais. O armamento de grosso calibre e potente precisão é utilizado largamente por forças policiais e militares do Leste Europeu. A Coreia do Norte e Israel também fabricam um tipo de pistola bastante semelhante, com as mesmas características de robustez, potência e precisão.

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Rafael Greca benção armas GCM Curitiba

A perigosa militarização da Guarda Municipal

A utilização das armas tchecas, compradas via sistema de pregão eletrônico internacional, significa uma completa e perigosa militarização da Guarda Municipal de Curitiba, uma tendência crescente no país nos últimos anos. A GM de Curitiba é a primeira a utilizar abertamente armamento de guerra dentro do espaço urbano.

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O ato de Greca, um homem que se reivindica cristão, está inserido nos marcos do pensamento majoritário vigente que defende a criminalização da pobreza e a militarização crescente do conflito social no país.

A chegada da extrema-direita ao governo federal impulsionou a política de criminalização da pobreza e do extermínio como forma de um pretenso combate à criminalidade. O populismo fascista é o discurso predominante no aparelho policial e de boa parte do Judiciário.

Criminalização da pobreza

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Para o grande público, a extrema direita promete uma política de segurança baseada no armamento individual para a classe média, o Bope e a milícia para “disciplinar” os pobres, e a segurança particular especializada para os mais ricos. Um Estado excludente e classista com um sistema policial repressivo e em aliança com a milícia paramilitar. É o modelo que já vem sendo instituído na prática em diversas regiões metropolitanas e nas fronteiras agrícolas e de extrativismo mineral no extremo norte do Brasil.

A pauta da segurança pública e do combate eficaz ao crime organizado é complexa, de difícil resolução, mas as forças democráticas precisam enfrentar o tema com coragem, propor medidas e desmoralizar a narrativa demagógica do neofascismo bolsonarista.

Questões como a defesa intransigente dos direitos humanos, a reforma do sistema penal, o fim da política de encarceramento em massa, a descriminalização das drogas, o combate duro aos partidos do crime e aos milicianos, mais investimentos sociais nas comunidades pobres, a reformulação da doutrina das forças de segurança e o papel de cada ente da federação são alguns dos desafios para um debate sobre uma política de segurança pública.

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Neste ano de eleições para presidente da República, para os governos estaduais e Congresso Nacional, a segurança pública é um tema inevitável na agenda da campanha.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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