Em meio à crise, o socialismo

O passaporte fundamental para a viragem histórica é prosaico: todos contra Bolsonaro. Chega! Basta! Fora! Assim feito, novos horizontes poderão se abrir e outros tempos serão possíveis de se sonhar para além das utopias.

(Foto: J Gonçalves)
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O pânico generalizado com os dados econômicos escondem uma realidade cruel. O problema central não está na queda do PIB, mas no modo de produção e distribuição da riqueza gerada pelo trabalho humano. Sejamos francos: se o conjunto do produto criado pelo trabalho fosse minimamente equitativo, os brasileiros – e, de maneira geral, a humanidade – poderiam atravessar o momento excepcional com razoável tranquilidade. 

O desespero bate forte e fundo porque a maioria das pessoas vive sob a espada do Capitalismo, sistema cuja natureza, funcionamento e sentido não se baseia na justeza de suas relações. Fosse uma outra lógica e regra, poderíamos suportar os revezes e solavancos com algum alívio. A riqueza produzida no mundo é suficiente para garantir o básico e mais um pouco para a sua população. O exemplo da comida e alimentação é expressivo e sintomático: se produz mais do que se consome e é comum vermos o desperdício no lugar da subsistência. 

A economia ditada por padrões e interesses que miram apenas a lucratividade e o acúmulo em poucas mãos jamais dará respostas e soluções preocupadas com a vida, o bem estar e a felicidade humanas. Mesmo num quadro histórico de ofensiva do Capital sobre o Trabalho, a Democracia, os Direitos, a Soberania e as Liberdades, é preciso articular ordens distintas de luta. 

Uma delas, mais pragmática, de curto prazo e efetivação imediata, se apega à dinâmica política e ao movimento intenso de forças que disputam espaços, poderes, hegemonias. 

Outra, de caráter ideológico e fundamento civilizacional estipula que se denuncie e combata o modus operandi do sistema em si, definido por relações e condições de dominação, exploração, opressão e exclusão de classe contra classe. 

A vida mansa da burguesia que acumula e expande mesmo em tempos de crise tem sua imagem reversa na pobreza, sofrimento e morte da massa proletária. 

Explicitar e explicar aos trabalhadores do mundo que sua sina não é um acaso natural, tampouco um castigo divino ou uma situação irreversível é parte tão importante quanto convencê-los a agir inteligentemente – com organização, tática e estratégia – no curso real e concreto da luta. 

A cada crise o Capitalismo e os capitalistas de reinventam, avançando sobre os parcos direitos e conquistas seculares da classe que vive do trabalho. 

Por hora, dadas as circunstâncias e contingências, é lícito flexões e concessões, visto que o Capital se arma de novo com o fascismo para destruir qualquer oposição aos seus propósitos, porém não se pode perder de vista a perspectiva de emancipação da classe e, por consequência, da humanidade: a Revolução e o Socialismo. 

Estivéssemos noutro patamar, por certo a pandemia teria outro trato e resolução. Sob o tacão do dinheiro, do egoísmo e da insensibilidade, nos resta operar conforme a materialidade ingrata e inclemente se impõe. 

A união em torno de um arranjo político como a Frente Ampla e o aceite de um programa emergencial de minimização dos danos e perdas sintetizados na ideia de Salvação Nacional pretendem ser a fórmula exequível e inicial para resgatar e retomar a autoconsciência do proletariado contemporâneo quanto ao que lhe pertence. 

Longe de ser um fim em si mesmo, Frente Ampla contra o Fascismo e programa de Salvação Nacional antagônico ao ultraliberalismo significam arejar o ambiente putrefato e tóxico. 

O passaporte fundamental para a viragem histórica é prosaico: todos contra Bolsonaro. Chega! Basta! Fora! Assim feito, novos horizontes poderão se abrir e outros tempos serão possíveis de se sonhar para além das utopias. Da História – essa matreira e zombeteira Vecchia Signora – tiremos as devidas lições do seu arquivo para vencer quando tudo parece apontar ao contrário. Das crises, o Socialismo.
 

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