Em meio à pandemia, intensifica-se a luta geopolítica e cresce a colaboração internacional

"A China avança cada vez mais neste cenário com sua inteligente e hábil luta por construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade e promover a diplomacia de fraternidade, do benefício mútuo, da cooperação global e inclusão", escreve o jornalista José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247

Organização Mundial da Saúde (OMS)
Organização Mundial da Saúde (OMS) (Foto: REUTERS / Denis Balibouse)
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Por José Reinaldo Carvalho, do Jornalistas pela Democracia - A pandemia do coronavírus evidenciou uma eletrizante luta geopolítica, que tende a marcar doravante a vida internacional. 

O antagonismo entre os enfoques e ações dos Estados Unidos e da China em face da pandemia é revelador de que esta luta impregna o conjunto das relações internacionais. Como não podia deixar de ser, em torno das duas posições formam-se alinhamentos, resultando na criação de campos de forças opostos, mesmo quando não existam ainda alianças formalmente constituídas. A China avança cada vez mais neste cenário com sua inteligente e hábil luta por construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade e promover a diplomacia de fraternidade, do benefício mútuo, da cooperação global e inclusão. 

Chama a atenção neste processo, que pode estar ainda bem longe do fim, que a bandeira da cooperação internacional, da ação concertada, da solidariedade ganha cada vez mais terreno, o que é algo bastante favorável aos democratas, patriotas, anti-imperialistas e amantes da paz nos quatro cantos do globo. 

Neste contexto, uma alvissareira novidade é a evolução dos embates diplomáticos no âmbito da ONU e das suas agências, nomeadamente a OMS no enfrentamento da pandemia. Os Estados Unidos já não podem fazer o que querem, muito menos manipular e instrumentalizar a seu talante a organização multilateral, nem avocar para seus fins exclusivistas e unilaterais o direito internacional. 

Fato recente de destaque foi a realização na última segunda-feira (4) de uma reunião de trabalho do Movimento dos Países Não Alinhados, por videoconferência. O evento foi coordenado pelo presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e contou com a presença de cerca de vinte chefes de Estado, do Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Guterres, e do Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. 

Durante a reunião, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, um dos países mais ativos na cooperação internacional, fez um chamado pela solidariedade global, em face do alto número de infectados e das grandes perdas humanas, algo que ocorre apesar de o mundo estar cada vez mais  interconectado e vivendo sob a égide da globalização financeira. "Vamos dizer honestamente, se tivéssemos a solidariedade globalizada como o mercado globalizado, a história seria diferente", disse o presidente cubano. 

Na contramão do imperialismo, os chefes de Estado e de Governo dos não alinhados adotaram uma declaração defendendo a necessidade de contribuir efetivamente para os esforços conjuntos, a fim de lidar com os efeitos sem precedentes da pandemia. O documento expressa uma forte condenação à promulgação e aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra os Estados membros do Movimento dos Países Não Alinhados e insta a comunidade internacional a adotar ações urgentes e eficazes para eliminar seu uso. A vida já demonstrou que sanções não atingem exclusivamente governos, mas os povos. E que no caso dos países sancionados pelo imperialismo estadunidense, como Cuba, Venezuela, República Popular Democrática da Coreia, Irã e Síria, entre outros, tais sanções resultam em derrota política para os EUA, porquanto são liderados por governos que mobilizam e unem seus povos em torno da defesa da nação.

Isto nos remete a reflexões sobre a necessidade da solidariedade internacionalista protagonizada por organizações dos movimentos populares, o que poderíamos denominar diplomacia entre os povos, o internacionalismo das massas populares.

A diplomacia entre os povos, também chamada de diplomacia civil ou diplomacia cultural, está presente na ação de partidos progressistas, comunistas, países socialistas e de orientação anti-imperialista e progressista. 

É uma atividade ampla, não governamental, não partidária, embora dirigida indiretamente por partidos revolucionários. Mesmo que não se confunda com a diplomacia estatal, parlamentar e partidária, é complementar a estas.

Os povos do mundo, com suas lutas emancipadoras, e as nações que se empenham em defesa da sua soberania, necessitam de um programa internacionalista de unidade fraterna, programa que contenha princípios, metas e ações objetivas, que torne cada vez mais eficaz a solidariedade e a integração internacional. 

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