Em triplo carpado ou duplo twist, Lula e Alckmin já sinalizaram a convergência

"Por uma série de razões, sendo a principal delas a deterioração do atual governo, a campanha eleitoral acabou antecipada de uma forma nunca vista nos pleitos recentes. Mas uma eleição não é uma corrida de 100 m rasos, é uma maratona"

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(Foto: Ricardo Stuckert | ABR)
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Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia - Uma aliança entre Lula e Geraldo Alckmin é como um salto triplo mortal carpado, aquela pirueta que pode dar a medalha de ouro ao atleta olímpico - no caso, a eleição da chapa  composta pelo ex-presidente petista e pelo ex-governador tucano de SP já no primeiro turno. Medalhistas da política - e ambos, sem dúvida, o são - sabem que essas performances não saem assim do nada, nem se concretizam rapidamente. É preciso muita preparação, e tudo indica que tanto Lula quanto Alckmin vão se dedicar a isso até ao menos fevereiro ou março do ano que vem.

Geraldo Alckmin poderá formalizar sua saída do PSDB nos próximos dias, mas não tem pressa em anunciar sua nova casa, se irá para o PSD de Gilberto Kassab ou para o PSB de Márcio França. Meio equivocadamente, o mundo político está interpretando que a opção partidária do tucano definirá o destino de sua eventual aliança com o PT. Não é bem assim.

Por uma série de razões, sendo a principal delas a deterioração do atual governo, a campanha eleitoral acabou antecipada de uma forma nunca vista nos pleitos recentes. Mas uma eleição não é uma corrida de 100 m rasos, é uma maratona. E esse tipo de aliança que Lula e Alckmin podem acabar fazendo, de efeito lacrador, não é coisa para se anunciar com tanta antecedência. O prazo de filiação partidária, por exemplo, acaba apenas em abril - que é o mês chave para todas as definições. E é quando candidatos e partidos vão tomar suas decisões irreversíveis.

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Por que fazer isso agora? Alckmin, que não é bobo, alimenta todas as possibilidades - que, mesmo que não se concretizem, já terão cumprido a importante função de colocá-lo em evidência num período de limbo eleitoral em que ninguém pode fazer campanha. Lula, menos bobo ainda, também surfa nessa onda. O simples fato de cogitar o tucano como companheiro de chapa, o que tem feito explicitamente, já faz a sinalização  ao centro que pode lhe dar a eleição em primeiro turno.

Esse treinamento, ainda sem compromisso, já está fazendo muito bem aos dois. E são precipitadas as conclusões de que, por exemplo, se Alckmin se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, terá jogado por terra os planos de ser vice de Lula e optado definitivamente pela disputa em SP.  O pragmático Kassab vem se protegendo de definições precoces com a candidatura Rodrigo Pacheco para a presidência, mas já ficou claro que ela dificilmente irá a algum lugar - e essa nunca foi mesmo a intenção.

Quem garante que, lá para abril, mantendo-se Lula com sua larga vantagem, Kassab não decidirá antecipar o movimento que vem sinalizando para o segundo turno e resolverá apoiar o petista no primeiro? Nesse caso, pelo porte de sua bancada, será o aliado preferencial de um governo Lula, indicando o vice - que pode vir a ser o mesmo Geraldo Alckmin.

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E se Alckmin não abrir mão mesmo da disputa pelo governo de São Paulo, que continua liderando? Nessa hipótese, a aliança com Lula também não estaria descartada, e pode ser viabilizada pela indicação de alguém a ele ligado para a vice do petista. Haveria, então, um palanque duplo ou até triplo para Lula em SP, com ele, Fernando Haddad e talvez Márcio França. E daí? 

A política, como o esporte, comporta muitas modalidades de competição. Quando o salto triplo carpado não é possível, pode-se ganhar medalha de ouro e vencer com um duplo twist. O principal é sinalizar a convergência nos projetos -  e, nisso, Lula e Alckmin já estão bem avançados.


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