Em vez de festejar, Bolsonaro devia pedir desculpas ao liberar FGTS

"Se a liberação das reservas do Fundo de Garantia ajudará muitas famílias a sair do sufoco, também mostra o fracasso de um governo que consome hoje os recursos que farão falta amanhã, quando o trabalhador enfrentar o desemprego ou quiser comprar a casa própria", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247.

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ninguém pode reclamar da liberação de uma parcela das reservas que muitos brasileiros acumularam no FGTS. 

Num país com desemprego elevado e prolongado, salários em queda, esse dinheiro suado pode ser a última saída contra a carestia e até a fome.  

Ao anunciar a medida, porém, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes deveriam pedir desculpas aos trabalhadores e trabalhadoras.   

Para um governo incapaz de tomar medidas efetivas de política econômica para estimular o crescimento e retirar o país do sufoco prolongado,  a liberação do FGTS é apenas um atalho para a equipe econômica tentar ganhar tempo e amenizar o descontentamento social, tomando uma decisão  que, em pouco tempo,  acabará se mostrando prejudicial ao próprio trabalhador.  

Na hora em que for demitido, ou quando cogitar a compra de uma casa própria, não há dúvida de que esses recursos liberados agora, consumidos numa situação de necessidade extrema, farão falta. 

Agindo assim, o governo apenas confirma que não tem o menor interesse em oferecer um projeto de política econômica consistente, capaz criar empregos, estimular investimentos e diminuir a desingualdade. 

(Nem é preciso recordar que, junto  com o ataque a Previdência, o fim do FGTS é uma das consequencias óbvias da informalização acelerada patrocinada por Guedes & Cia). . 

Criado pela ditadura militar de 64 como uma forma de acabar com a estabilidade no emprego, o FGTS é uma forma de poupança compulsória estimulada por governos liberais de outro período histórico. Nos anos 1950 e 1960, eles alimentavam programas de bem-estar na Europa e na Asia, na tentativa de afastar a sedução dos governos comprometidos com os interesses dos trabalhadores e da população superexplorada.  

Ao liberar o FTGS, o governo Bolsanaro-Guedes confirma uma escolha. Depois de atacar o bem-estar das famílias por todos os meios,  força a população a consumir hoje os recursos reservados para o bem-estar de amanhã. 

É o projeto de um país nenhum.     

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