Emicida deu uma aula de sociologia para uma elite burguesa que só vale o que tem

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Segundo o dicionário, o termo “elite” significa o que há de mais valorizado e de melhor qualidade. Existem outras definições sociológicas que se referem à uma minoria culta e predominantemente econômica. O curioso é que se juntarmos essas duas definições, não chegaremos ao adjetivo que costumamos empregar ao nos referirmos às classes média e alta da nossa sociedade. Durante o programa “Papo de segunda” no GNT, o Rapper Emicida reverteu o nosso conceito de elite, devolvendo a burguesia à sua condição de predadora do sistema capitalista.

Na presença do apresentador Luciano Huck, o artista deu uma aula sobre como colocar a elite do atraso em seu devido lugar. Abram aspas para o Emicida falar. “Eu não utilizo a palavra ‘elite’, porque o significado da palavra é o que uma categoria tem de melhor. Se referi a pessoas que tem dinheiro somente, como a elite da categoria humana, parece que a pirâmide da humanidade é definida pelo acúmulo. A palavra correta é burguesia. Porque a diferença dessas pessoas para as outras, é o dinheiro. E várias dessas pessoas, a única coisa que elas têm é o dinheiro. ” Fecha aspas e abram alas para ele sambar na cara da sociedade burguesa.

O close dado no apresentador tucano durante a aula do Rapper, conseguiu pegar, além da expressão facial toda trabalhado no controle, um engasgo profundo diante do seu posicionamento. Poderia ter passado sem essa, se não insistisse na tentativa desastrosa e pouco convincente, de se apresentar como o representante de uma “elite” disposta a dialogar sobre redistribuição de riquezas. Como também foi dito por Emicida no programa, não faltaram oportunidades e outros momentos mais propícios para que esse grupo participasse dessa discussão. E o que nós vimos, foi um desfile de estupidez em verde e amarelo, tendo um pato como baluarte e um “juiz ladrão” como herói.

A burguesia que votou em Aécio e que elegeu Bolsonaro para se vingar do partido que mais procurou oferecer condições aos menos favorecidos, apenas está disposta a distribuir um pouco mais dos restos de seu banquete. É um “up grade” na esmola que eles sempre ofereceram aos mais pobres, para não precisarem ter que ouvir falar em equidade social. Emicida foi na garganta, profundo, cortante e certeiro. Assertivo em todos os aspectos. O que se convencionou como elite, em boa parte, é o que pode haver de pior qualidade dentro da sociedade. Pretensamente cultos, inescrupulosamente capitalistas e relativamente humanos.

A burguesia tem o que quer e nunca quis abrir mão do filé, do suquinho de maçã e do croissant. Vai no cabeleireiro, no esteticista, malha o dia inteiro, saca dinheiro, vai de motorista e a sua pinta de artista lhe asseguram os privilégios que a estrutura reservou para os de sua tribo. É a eterna gandaia de quem está sempre gastando grana, sem nunca ter tido que se preocupar com o dia seguinte, e, muito menos, com a pobreza e desigualdade que ajuda a produzir. Burguesia! Burguesia! Burguesia!

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