Ensaio sobre a cegueira: O segundo ato do golpe no TSE

O TSE parece ter sofrido uma "cegueira intencional" – como bem definiu o Procurador Carlos Lima – no teatro que protagonizam seus ministros. O julgamento foi apenas uma mera formalidade

O TSE parece ter sofrido uma "cegueira intencional" – como bem definiu o Procurador Carlos Lima – no teatro que protagonizam seus ministros. O julgamento foi apenas uma mera formalidade
O TSE parece ter sofrido uma "cegueira intencional" – como bem definiu o Procurador Carlos Lima – no teatro que protagonizam seus ministros. O julgamento foi apenas uma mera formalidade (Foto: Guilherme Coutinho)

Na aclamada obra "Ensaio sobre a Cegueira", José Saramago utiliza a metáfora da cegueira branca para dissertar sobre ética, moral e indiferença na sociedade. O TSE parece ter sofrido uma "cegueira intencional" – como bem definiu o Procurador Carlos Lima – no teatro que protagonizam seus Ministros. O julgamento foi apenas uma mera formalidade. Temer Já estava salvo e o resultado já era conhecido por todos, antes mesmo do início do rito. Mudam-se os atores, mas a peça continua a mesma: o golpe contra os brasileiros.

Dilma foi deposta por supostas pedaladas fiscais. Seu julgamento, nas casas do Congresso, também foi um jogo de cartas marcadas. Uma simulação de devido processo legal, do qual todos já sabiam, previamente, o melancólico final. O teatro no TSE foi pela absolvição, mas serviu ao mesmo propósito. A Justiça Eleitoral poderia ser protagonista em um processo histórico, retirando o mais corrupto dos chefes do executivo da história do país, mas preferiu fechar os olhos. Temer agora ganha força para se manter no poder até o fim do mandato.

A Justiça no Brasil anda mesmo cega. O Tribunal decidiu, mesmo sob protestos contundentes do Relator, excluir o caixa 2 do processo. Tudo para facilitar a árdua missão dos Ministros de mentir para a sociedade. Se no primeiro ato da peça teatral, a presidenta honesta foi deposta, no segundo o presidente corrupto foi mantido. Se não formos para a rua, os cegos seremos nós. O sistema jurídico brasileiro está tão falido quanto o político.

No livro de Saramago, apenas uma personagem não foi atingida pela cegueira branca que, como uma doença, se espalhou de forma contagiosa. Ela pôde ver toda a barbaridade e indiferença de uma população, que aos poucos passou a agir de forma desordenada. A acusação, feita de forma heroica pelo Ministro Herman Benjamin, mostrou que ele ainda possui visão em meio a tanta cegueira. E de seu lugar do plenário pôde ver a forma vil como seus pares trataram a Justiça do país.

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