Entre a mitologia e a realidade

Enquanto o Papai Noel é puxado por uma tropa de renas, Bolsonaro é acompanhado por uma trupe de Ministros, alguns dos quais representam espécimes bem raros e um em especial com o prestígio desmoronando

(Foto: Adriano Machado - Reuters)

O mito é um relato fantástico ou seja é aquilo que só existe na imaginação e portanto que não tem confirmação na realidade. Existem mitos que povoam a infância e assim levam a devaneios agradáveis, repletos de expectativas positivas ou que afastam temores.

Exemplos sempre presentes nas mentes e corações infantis são o Papai Noel e a Fada do Dente. O primeiro cercado da esperança de um presente porque “o Papai Noel não esquece de ninguém, seja pobre ou seja rico” (como na musiquinha cantada por Dominguinhos), e a Fada do Dente que compensava a perda iminente e talvez dolorosa de um “dente de leite”.

Papai Noel é o nome da figura representativa da lenda sobre “o bom velhinho”, que vestido de roupas vermelhas e longas barbas brancas, surge na noite da véspera de Natal com um saco de presentes para dar às crianças que se comportaram bem durante o ano. Essa é a lenda mais difundida na cultura ocidental que, possivelmente, surgiu com base na figura de São Nicolau.

Quanto à Fada do Dente a mitologia diz que ela é pequena, com asas, roupa de bailarina, uma varinha de condão com um dente na ponta e um pequeno saquinho onde carrega os dentes. Dependendo do país, a lenda muda um pouquinho e a aparência também. Essa lenda provavelmente teve origens no folclore da Europa Ocidental, pois antigamente acreditava-se que os dentes deveriam ser guardados ou queimados para que não os procurássemos após a morte ou para que não caíssem no poder de bruxas, que os usariam em feitiços.

Atualmente no Brasil surgiu um novo mito, saudado por alguns (adultos ao menos em termos cronológicos) aos gritos. Trata-se de Jair Messias Bolsonaro. O país se divide quanto a isso. Um terço dos entrevistados em pesquisa acham-no bom e ótimo, outro terço regular e outro ruim ou péssimo. O Presidente não tem, portanto, a mesma aura positiva do Papai Noel.

No mundo real onde se costuma aferir a realidade através de dados e pesquisas a coisa é bem diferente. Papai Noel, Fada do Dente e Bolsonaro só cabem no mundo da fantasia. Que pena!

Vejamos pois o que a dureza do cotidiano nos mostra: o desemprego, que segue em cerca 13 milhões de brasileiros e brasileiras, o desalento, que hoje atinge quase 5 milhões de trabalhadores e trabalhadoras e a subutilização, situação enfrentada por mais de 28 milhões de pessoas inseridas no mercado de trabalho são fatos que rasgam a fantasia do Mito.

Para completar o quadro, o governo oferece a privatização de ativos valiosos para o país e a retomada do crescimento é pífia, com previsão 0,85% em 2019.

E mais, ainda antes de completar 200 dias de governo, o Presidente e o Ministro da Economia Paulo Guedes buscam aprovar na Câmara dos Deputados o seu prato principal para o mercado: a reforma da Previdência. Prejudicial aos trabalhadores e favorável aos representantes mais atrasados do setor produtivo e aos rentistas.

Há todo um rol de dados duros e concretos da realidade nacional que desmentem o mito bolsonariano, mas vou ficar por aqui.

Antes de encerrar, porém, vou apresentar mais comparações entre os mitos aqui apresentados. Enquanto o Papai Noel é puxado por uma tropa de renas, Bolsonaro é acompanhado por uma trupe de Ministros, alguns dos quais representam espécimes bem raros e um em especial com o prestígio desmoronando. E, enquanto a Fada do Dente voa elegantemente, o governo do Messias tupiniquim mal consegue engatinhar.

Ah! Como é bom acreditar no Papai Noel e na Fada do Dente!

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