Entre golpes e quinquilharias: Lula livre

Faz-se mister que todas as vozes do ontem e do hoje vituperadas por mãos manchadas de sangue inocente ecoem a uma só voz: Lula livre

Meio homens, meio feras; os habitantes originais por muita das vezes assim foram descritos – e entre os anos de 1550 e 1615 foram apresentados a uma Europa sedenta de novidades, em termos de descobertas e exotismo. Muitos índios foram levados para cidades como Paris, com a missão de empreenderem espetáculos musicais, e de dança; sendo exibidos como troféus da colonização que catequizava, miscigenava e escravizava.

Afinal de contas este ser que andava nu, e vivia às expensas da natureza exuberante, e que parecia não ter alma, precisava ser salvo, pela Santa Igreja, e em nome de Deus.

Os índios, como assim foram batizados, pelo europeu moderno, que pensou ter pisado em terras indianas - foram descritos muitas vezes pelos cronistas da colonização brasileira, como seres edênicos, ou seja, paradisíacos: no entanto o trecho a seguir demonstra o quanto foram demonizados: "A infernalização da colônia e sua inserção no conjunto dos mitos edênicos elaborados pelos europeus caminham juntas".

A historiadora Laura de Mello e Souza observou que houve demonização do povo indígena, durante o período colonial, como comprova o trecho de seu livro "O diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria na Terra colonial".

E segundo o historiador português Pero de Magalhães Gândavo os indígenas seriam bárbaros que viviam bestialmente. E por não possuírem alma deveriam se submeter ao processo de conversão; que transfigurou a forma de religare do povo matriz.

Os cronistas nem sempre podiam ser totalmente fiéis à verdade, lhes cabia o papel de imprensa; e por vezes de imprensa marrom – Afinal de contas ressaltavam as verdades maravilhosas da natureza local, e camuflavam a existência das pragas: como animais venenosos e insetos; o que sem dúvida estimularia a vinda de portugueses com fins empresariais; enfim a Metrópole necessitava "tocar" seu novo negócio além-mar.

O trabalho servil que fora instituído durante o período chamado de Pré-colonial, onde o pau-brasil foi largamente explorado, quase a exaustão – fez do índio um escravo que trocava trabalho árduo (entre a derrubada e o transporte de toras de 30 kg, para embarque) por espelhos e outras quinquilharias.

Fontes históricas primárias comprovam que a população indígena foi amistosa e até solidária com os homens que aqui haviam chegado em 1500: Famintos, fedidos e moribundos.

Ao contrário do que a maioria desavisada pensa, a presença humana no Pindorama, não foi antropofágica, mas garantiu aos mil e tantos navegantes que aqui chegaram depauperados – ajuda e alento, inclusive no processo de reconhecimento do território e seus meandros.

E a partir daí começa a trajetória de desumanidade intensa que se implantou na Colônia até a data de hoje literalmente. Hoje, dia 16 de junho de 2019, assistindo a entrevista que o jornalista Glenn Greenwald fez com Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22 de maio de 2019 e analisando o documento pude então refletir, ou seja, pensar de novo sobre a motivação que levou ao encarceramento do ex-presidente: Golpe de Estado.

Na função de historiadora fiquei impressionada com a imparcialidade do Glenn, assim como com a sagacidade e verdade advindas de Lula; e isto me fez viajar no tempo e no espaço; como filha da história. E num vislumbre - consegui visualizar a inocência edênica dos primeiros brasileirinhos nos idos dos anos de 1500 da Era Cristã: E percebi lá naquele primórdio temporal, que já se consumava o primeiro escândalo internacional de Corrupção; onde o desrespeito à alteridade fora irrompido e enraizado...

E por isto faz-se mister que todas as vozes do ontem e do hoje vituperadas por mãos manchadas de sangue inocente ecoem a uma só voz: LULA LIVRE.

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