Entrevista com um juiz gozador

Passou um filho da mãe aqui na rua e acabou de jogar uma camisinha toda ejaculada pela janela da minha sala. Vou ter que desligar. Vou mandar prender esse insolente. Esse tá lascado! Não sabe com quem mexeu. Boa tarde!

Juiz: Alô!
J.T: Boa tarde, Meritíssimo! Aqui é do jornal do Tom. Poderia conversar conosco sobre o caso do estupro no ônibus em São Paulo?
Juiz: De que jornal você é?
J.T: Jornal do Tom. Jornalismo independente.
Juiz: Ah, tá! Se fosse pro Datena, eu ia desligar. Ele não deixa o entrevistado falar. Pode perguntar.
J.T: O Sr. entende que a decisão de liberar o estuprador foi a mais sensata?
Juiz: Óbvio que sim. Mas antes quero deixar claro que não houve estupro. Ele apenas ejaculou.
J.T: E o senhor acha que um sujeito que ejacula no pescoço de uma muher, dentro de um transporte público, não deveria ser preso?
Juiz: Por que eu pediria a prisão de alguém que ejaculou em outra pessoa? Quem nunca ejaculou em alguém desconhecido?
J.T: Sim, Meritissimo! Mas nunca em alguém que não quisesse. E parece que ele já tinha outras cinco passagens pela Polícia, pelo mesmo crime.
Juiz: E alguém, por acaso, ejacula em apenas uma pessoa na vida? É claro que ele já tinha ejaculado em outras. Normal.
J.T: O senhor acha normal? Isso foi uma violência contra a mulher. Ela não pediu para passar por isso.
Juiz: E quem garante que não? Quem garante que ela não esfregou o pescoço na genitália do rapaz, provocando a ejaculação? É uma hipótese que não deve ser descartada.
J.T: Perdão, Meritíssimo! Mas o senhor está sendo machista. Isso não combina com o cargo que o senhor ocupa. Muitas mulheres deixam de registrar queixa contra abusos sexuais, por vergonha de serem constrangidas e até culpabilizadas pelo crime que sofreram.
Juiz: Você é Juiz ou repórter? Estudou Direito? Quer me ensinar a aplicar a lei? Se começar a fazer igual ao Datena, eu desligo.
J.T: Estou apenas o questionando quanto a melhor forma de combater a violência sexual sofrida por várias mulheres, quase todos os dias....
Juiz: O conceito de violencia é relativo, de acordo com as leis. Ele não apontou nenhuma arma para a moça, não a agrediu fisicamente, não a obrigou a aceitar o seu jacto leitoso na frente dos demais passageiros. Ele simplesmente ejaculou, em silêncio, sem incomodar a viagem de ninguém. Quem dera se os ambulantes que entram vendendo balas e doces nos coletivos, fossem tão discretos.
J.T: Perdão, Meritissimo! Mas isso é violento e constrangedor demais para uma mulher. Ela estava dormindo no ônibus....
Juiz: Não houve constrangimento algum. Repito. Ele não interrompeu o sono da vítima para praticar o ato. Ele não gritou: "Oh, my god!", em voz alta, quando ia ejacular. Ele não pediu para que ela olhasse para ele, enquanto ejaculava. E na verdade, pode ser que ela nem estivesse dormindo...
J.T: Como não?
Juiz: Existem jovens que fingem estar cochilando no ônibus, para não dar lugar a idosos. Estamos investigando essa possibilidade. Talvez ela estivesse até viajando no assento prioritário. Nesse caso, ela é quem teria cometido um crime.
J.T: O senhor não pode estar falando sério.
Juiz: Como não? Eu cumpro a lei.
J.T: O que importa onde ela estava sentada? Ela foi estuprada....
Juiz: Não é bem assim que a lei interpreta esses casos. Vocês da midia são muito sensacionalistas. Por causa de uma ejaculada de nada, já querem abrir um banco de sêmen.
J.T: Me perdoe, Meritissimo! E se a vítima fosse a sua filha?
Juiz: Se fosse minha filha, eu mandava matar ele.
J.T: Mas a lei não é igual para todos? O senhor mesmo disse que não houve violência e nem constrangimento contra a moça....
Juiz: Contra ela não houve, mas se fosse minha filha teria havido. Isso se chama jurisprudência pessoal. Vai ejacular na cara da filha de um Juiz e acha que vai ficar impune? Imagina o constrangimento que eu teria ao chegar ao tribunal e ser apontado como o pai da moça que foi ejaculada no ônibus...
J.T: Mas o senhor disse que não houve constrangimento para a moça que foi estuprada....Quer dizer então, que na cara da filha dos outros pode?
Juiz: Não que possa. Mas não é a mesma violência. Até porque, ela não é minha filha.
J.T: O senhor não teme ser hostilizado ou ficar marcado por essa decisão?
Juiz: Eu sou um Juiz, e como tal, devo estar preparado para tudo. Aprendi com o Moro. Pode espernear, me chingar, me chamar de viado, corno, filho da puta, tucano. Só não pode ejacular na minha cara. Aí o bicho pega!
J.T: Tivemos, logo no dia seguinte, um outro caso de abuso sexual, também dentro de um ônibus em São Paulo. O estuprador apalpou os seios de uma jovem. Como a justiça poderia agir, para punir com rigor esses casos?
Juiz: Deveria se criar leis que proibam as mulheres de usarem roupas sensuais, blusas sem sutiã, blusas decotadas, tomara que caia, saias curtas, calça leggin, enfim...E as mulheres que não cumprissem a lei, deveriam pegar de 1 a 5 anos de reclusão.
J.T: Acho que ficou claro a quem a justiça protege. Para encerrar a nossa conversa, que mensagem o senhor deixaria para a nossa sociedade, que anda meio descrente no poder judiciário?
Juiz: Confiem sempre na justiça....(um barulho do outro lado da linha) Mas que porra é essa?
J.T: O que houve, Meritíssimo? Alguém ejaculou no seu pescoço?
Juiz: Não! Passou um filho da mãe aqui na rua e acabou de jogar uma camisinha toda ejaculada pela janela da minha sala. Vou ter que desligar. Vou mandar prender esse insolente. Esse tá lascado! Não sabe com quem mexeu. Boa tarde!
J.T: Boa tarde!

E assim a justiça ejacula na cara da nossa sociedade.

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