Era tão bom, se fosse mentira...

Gestores e parlamentares eleitos através de propinas oficializadas através de doações "legais" não podem posar de líderes impolutos, preocupados, somente, com o interesse público

Gestores e parlamentares eleitos através de propinas oficializadas através de doações "legais" não podem posar de líderes impolutos, preocupados, somente, com o interesse público
Gestores e parlamentares eleitos através de propinas oficializadas através de doações "legais" não podem posar de líderes impolutos, preocupados, somente, com o interesse público (Foto: Michel Zaidan)

Essa foi a reação da ex-presidenta da Petrobrás, Graça Foster, quando inquerida sobre o propinoduto descoberto nos contratos da estatal com um cartel de empreiteiras. Disse ela que foi surpreendida, quando estava no comando da empresa, e se sentia envergonhada com as propinas pagas a políticos e funcionários públicos pela construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco.

Seria tão bom se fosse mentira que Paulo Roberto Costa, o delator premiado, não tivesse confessado à Polícia Federal de Curitiba que teria pago ao ex-presidente do PSDB, o pernambucano Sérgio Guerra, velho conhecido de outra CPI, a bagatela de 10.000.000 para que este abafasse a criação de uma CPI no Congresso Nacional. Seria tão bom se não fosse verdade que o mesmo indivíduo não tivesse confessado ter repassado para o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Aciolly Campos, 20.000.000, através do hoje senador Fernando Bezerra Coelho, pelos contratos da Refinaria Abreu Lima; dinheirama usada para financiar as campanhas eleitorais do político do PSB, em 2010-2011. Seria tão bom se o atual governador do estado não tivesse intermediado a compra do avião do ex-governador que caiu em São Paulo...

O fato é que tudo isso aconteceu e as responsabilidades civis e penais têm de ser apuradas. Quem foi pego com a mão na cumbuca que responda pelas acusações que estão sendo feitas pelos delatores da Operação Lava Jato. Não é crível nem aceitável que a impunidade se estabeleça sobre esses políticos. A eleição de ninguém serve como indulto ou remissão dos pecadilhos cometidos pelos financiadores públicos e privados de campanhas eleitorais no Brasil. Gestores e parlamentares eleitos através de propinas oficializadas através de doações "legais" não podem posar de líderes impolutos, preocupados, somente, com o interesse público. A impunidade é a mãe de todos os males no Brasil. Como é que campanhas eleitorais que se desenvolvem no meio de todas as suspeitas de caixa dois podem ser ignoradas pela Justiça Eleitoral, só porque os candidatos deste ou daquele partido foram eleitos?

Mais grave é quando o chefe da oposição, ele próprio se elege num palanque financiado por caixa dois. E o presidente de seu partido (DEM) é denunciado e investigado por ter recebido uma propina de 1.000.000 de reais de uma empresário potiguar! Com que autoridade moral pode falar esse líder, com o dedo sujo, manchado da corrupção eleitoral? O nosso país está se tornando um circo de horrores, onde só se apresentam bandidos e criaturas teratológicas (ocupando, aliás, cargos da mais alta importância). É como diz a música popular: "se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão". Pelo visto, aqueles que se investiram da função de fiscais da moralidade pública são os mais sujos e indignos.

É necessário acreditar que a Justiça Federal, o Ministério Público e a Polícia sejam capazes de fazer o seu trabalho até o fim, sem medo e sem ódio, para que o exemplo da prática da corrupção pública não alimente a corrupção privada. E o imaginário social do povo brasileiro continue a achar que o crime compensa. Sobretudo o crime de colarinho branco.

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