Estado policial-araponga tupiniquim à vista

Tiro na democracia

O projeto de lei 2418/19, do deputado José Medeiros(Pode-MT), que garante autoridades acompanharem, fiscalizarem e intervirem, com autorização da justiça militar, nas comunicações eletrônicas em geral, atuando em cima de aplicativos, cria, a pretexto de combater terrorismo, a arapongagem estatal tupiniquim bananeira.

Tiro na democracia, atentato à liberdade cidadã.

Trata-se de conferir direito de bisbilhotar vida alheia em todas as suas dimensões, relações, atos e programações.

Constrói-se, assim, perfil do Estado policial, legalmente, autorizado, conforme denunciou, essa semana, o site Duplo Expresso, comandado pelo advogado internacionalista, Rômulus Maia, sediado na Suíça.

Essa prática, constitucionalmente, ilegal, diz o antropólogo Piero Leirner, da Universidade Federal de São Carlos, especialista em assuntos militares, já vem sendo, rasteiramente, exercida pelos órgãos militares, policiais e judiciais, em larga escala, a pretexto de buscas e investigações em todos os sentidos, inclusive, e principalmente, ferindo intimidades das pessoas.

Chantagem explícita

Por aí são construídas as chantagens, que submetem trabalhadores, empresários, políticos e autoridades republicanas à vontade do poder autoritário.

Para exercitar os abusos, sem incorrer nas penas da lei, investigadores necessitam de autorização da justiça.

Caso contrário,podem ser processados.

O Brasil vive, depois do golpe neoliberal de 2016, na republiqueta da chantagem.

Por meio dela, o Judiciário, por exemplo, está de joelhos diante do autoritarismo cesarista vigente.

A aprovação do projeto de Medeiros, articulado com o ministro Moro, fere a Constituição, já submetida à desmontagem neoliberal por meio das deformas trabalhista e da previdência.

Cidadão e cidadã estarão expostos à total liberalidade do Estado araponga de exercer contra eles direito abusivo, anticidadão.
Inconstitucionalidade explícita.

A sociedade está, portanto, ameaçada pelo projeto Medeiros/Moro.

Decreto fake news

Prova indireta disso, já, é o decreto nº 666/19, baixado pelo ministro Moro, que permite deportar suspeitos de terrorismo, como se ato de terror decorresse de publicação de informações incômodas às autoridades.

Indubitavelmente, o alvo é o jornalista Glenn Greenwald, editor do site Intercept Brasil, que publica, em série, informações que comprometem a honorabilidade do ministro e dos procuradores da República, à frente da Operação Lavajato, para prender, sem provas, o ex-presidente Lula, inviabilizando sua candidatura na eleição de 2018.

Aliás, o decreto 666 seria puro fake News de conveniência, porque o alvo dele, na prática, não pode ser deportado, visto ser casado com brasileiro, tendo dois filhos nascidos no Brasil.

O próprio presidente Bolsonaro, que, certamente, gostaria de ver Greenwald deportado daqui, jogou água gelada nos entusiasmados defensores de Moro e suas armações de araponga, ao destacar que o jornalista americano, dada sua situação civil, está livre de deportação.
Contudo, não deixou de soltar destempero verbal, afirmando que talvez ele, Greenwald, pegue uma cana por aqui.

Haveria escândalo internacional.

Hackeamento ou clonagem?

Abundam dúvidas de que o malfadado decreto 666 tenha sido, realmente, ensaio explícito de arapongagem, em resposta ao mal explicado hackeamento das autoridades.

Afinal, segundo reportagem do El País, especialistas digitais desconfiam de que faltam elementos no relato, à polícia, do hacker de Araraquara, Walter Delgatti Netto.

Ele seria completamente carente de “conhecimento sofisticado”, para alcançar os alvos que Moro diz ter sido atingidos na cúpula da República brasileira.

Não seria clonagem, em vez de hackeamento, como suspeitam especialistas, desconfiados de que por trás de Delgatti esteja voz que expressa interesses inconfessáveis de Moro e, também, do próprio Glenn?
Por que desconfiar de Glenn?

Devido as suas posições ambíguas: primeiro, foi afirmativo; em seguida, tergiversou que tenha sido, mesmo, Delgatti a fonte das informações que vem publicando e deixando Moro com os nervos à flor da pele.

Vão se configurando, cada vez mais, suspeitas as acusações oficiais de que Delgatti e sua turma hackearam celulares de mais de 1.000 autoridades da República.

Sem poder comprová-las, Moro avisou às vítimas do hacker que o conteúdo seria destruído.

Como assim?

Moro poderia passar por cima das investigações em curso?

Não foi à toa, portanto, que o próprio presidente Bolsonaro o admoestou por essa declaração maluca.

O fato concreto e objetivo é que está indo para o espaço a lei de acesso à informação, que assegura transparência sobre os assuntos de Estado.

Ela se torna vítima do processo de montagem do estado policial araponga tupinquim.

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