Estudo econômico responsabiliza EUA por mais de 40 mil mortes na Venezuela

"As sanções dos EUA tentam, deliberadamente, destruir a economia da Venezuela e levar a uma mudança de regime. Isso é infrutífero, cruel, ilegal e uma política fracassada que fere o povo venezuelano", afirma Jeffrey Sachs em conjunto com Mark Weisbrot

Estudo econômico responsabiliza EUA por mais de 40 mil mortes na Venezuela
Estudo econômico responsabiliza EUA por mais de 40 mil mortes na Venezuela (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Dois renomados economistas estado-unidenses advertem que as sanções econômicas de Trump se constituem uma sentença de morte para dezenas de milhares de venezuelanos.

"A crise econômica venezuelana é, frequentemente, atribuída exclusivamente à Venezuela, mas é muito mais do que isso. As sanções dos EUA tentam, deliberadamente, destruir a economia da Venezuela e levar a uma mudança de regime. Isso é infrutífero, cruel, ilegal e uma política fracassada que fere o povo venezuelano", afirma Jeffrey Sachs que, em conjunto com Mark Weisbrot, assina o relatório "Sanções Econômicas como Punição Coletiva: o caso da Venezuela".

O relatório usa a figura abaixo para comparar a produção de petróleo da Venezuela (medida pelo eixo à esquerda) com a da Colômbia (medida pelo eixo à direita) de 2013 até 2018. Podemos reparar que a queda na produção dos dois países, no começo de 2016, devido à queda nos preços do petróleo, foi proporcional. A produção colombiana caiu de perto de 1 milhão de barris por dia para 866 mil. A Venezuela, por outro lado, diminuiu sua produção de cerca de 2,4 milhões de barris por dia para pouco menos de 2 milhões.

A produção colombiana estabiliza-se nesse patamar. A produção venezuelana, entretanto, continua a diminuir após as sanções do EUA em agosto de 2017, para 1,23 milhão de barris por dia. A produção de petróleo na Venezuela caiu, praticamente, pela metade em comparação com os anos de 2013 a 2015.

Embora as sanções de agosto de 2017 cortassem o acesso da Venezuela ao sistema financeiro estado-unidense, o impacto foi muito superior pois as instituições financeiras pelo mundo temiam que novas sanções os incluiriam também. O que, realmente, aconteceu, com a nova rodada de sanções de janeiro de 2019.

A queda do PIB venezuelano da ordem de 25%, ou seja, a economia venezuelana parou de produzir um quarto do vinha produzindo, levou à forte diminuição da importação de mercadorias essenciais para a vida dos venezuelanos. Entre elas estão os alimentos, os remédios e o diesel para a geração de energia elétrica.

Diz o relatório: "É importante enfatizar que quase todo o câmbio que é necessário para importar remédios, alimentos, equipamentos médicos, peças sobressalentes e equipamentos necessários para a energia elétrica, sistemas de água ou transporte, é recebido pela economia da Venezuela através da receita do governo pela exportação de óleo. Assim, quaisquer sanções que reduzam as receitas de exportação e, portanto, as receitas do governo, reduzem as importações desses bens essenciais e, em muitos casos, salvadores de vidas"

Segue o resumo executivo do relatório:

"Este documento analisa alguns dos impactos mais importantes das sanções econômicas impostas à Venezuela pelo governo dos Estados Unidos desde agosto de 2017. Ele conclui que a maior parte do impacto dessas sanções não foi para o governo, mas para a população civil.

As sanções reduziram a ingestão calórica da população, aumentaram as doenças e a mortalidade (para adultos e bebês) e deslocaram milhões de venezuelanos que fugiram do país como resultado do agravamento da depressão econômica e da hiperinflação. Elas exacerbaram a crise econômica da Venezuela e tornaram quase impossível estabilizar a economia, contribuindo ainda mais para o excesso de mortes. Todos esses impactos prejudicaram desproporcionalmente os venezuelanos mais pobres e vulneráveis.

Ainda mais severas e destrutivas do que as amplas sanções econômicas de agosto de 2017 foram as sanções impostas por ordem executiva em 28 de janeiro de 2019, aliadas às ordens executivas subsequentes neste ano, e, ainda, o reconhecimento de um governo paralelo, que como mostrado abaixo, criou um novo conjunto de sanções financeiras e comerciais que são ainda mais restritivas do que as próprias ordens executivas.

Descobrimos que as sanções infligiram e, cada vez mais, infligem danos muito sérios à vida e à saúde humanas, incluindo uma estimativa de mais de 40.000 mortes entre 2017 e 2018; e que essas sanções se encaixariam na definição de punição coletiva da população civil, conforme descrito nas convenções internacionais de Genebra e Haia, das quais os EUA são signatários. Elas também são ilegais sob as leis e tratados internacionais que os EUA assinaram e também parecem violar a lei dos EUA."

Notas:

1 Mark Weisbrot é codiretor do Center for Economic and Policy Research – CEPR (Centro para Pesquisa Econômica e Política).

2 Jeffrey Sachs é professor de economia e diretor do Center for Sustainable Development (Centro para o Desenvolvimento Sustentável) da Universidade de Columbia.

3 O estudo completo em inglês está em: http://cepr.net/images/stories/reports/venezuela-sanctions-2019-04.pdf

Estudo econômico responsabiliza EUA por mais de 40 mil mortes na Venezuela

 

por César Locatelli

 

 

Dois renomados economistas estado-unidenses advertem que as sanções econômicas de Trump se constituem uma sentença de morte para dezenas de milhares de venezuelanos.

 

“A crise econômica venezuelana é, frequentemente, atribuída exclusivamente à Venezuela, mas é muito mais do que isso. As sanções dos EUA tentam, deliberadamente, destruir a economia da Venezuela e levar a uma mudança de regime. Isso é infrutífero, cruel, ilegal e uma política fracassada que fere o povo venezuelano”, afirma Jeffrey Sachs que, em conjunto com Mark Weisbrot, assina o relatório “Sanções Econômicas como Punição Coletiva: o caso da Venezuela”.

 

O relatório usa a figura abaixo para comparar a produção de petróleo da Venezuela (medida pelo eixo à esquerda) com a da Colômbia (medida pelo eixo à direita) de 2013 até 2018. Podemos reparar que a queda na produção dos dois países, no começo de 2016, devido à queda nos preços do petróleo, foi proporcional. A produção colombiana caiu de perto de 1 milhão de barris por dia para 866 mil. A Venezuela, por outro lado, diminuiu sua produção de cerca de 2,4 milhões de barris por dia para pouco menos de 2 milhões.

 

 

A produção colombiana estabiliza-se nesse patamar. A produção venezuelana, entretanto, continua a  diminuir após as sanções do EUA em agosto de 2017, para 1,23 milhão de barris por dia. A produção de petróleo na Venezuela caiu, praticamente, pela metade em comparação com os anos de 2013 a 2015.

 

Embora as sanções de agosto de 2017 cortassem o acesso da Venezuela ao sistema financeiro estado-unidense, o impacto foi muito superior pois as instituições financeiras pelo mundo temiam que novas sanções os incluiriam também. O que, realmente, aconteceu, com a nova rodada de sanções de janeiro de 2019.

 

A queda do PIB venezuelano da ordem de 25%, ou seja, a economia venezuelana parou de produzir um quarto do vinha produzindo, levou à forte diminuição da importação de mercadorias essenciais para a vida dos venezuelanos. Entre elas estão os alimentos, os remédios e o diesel para a geração de energia elétrica.

 

Diz o relatório: “É importante enfatizar que quase todo o câmbio que é necessário para importar remédios, alimentos, equipamentos médicos, peças sobressalentes e equipamentos necessários para a energia elétrica, sistemas de água ou transporte, é recebido pela economia da Venezuela através da receita do governo pela exportação de óleo. Assim, quaisquer sanções que reduzam as receitas de exportação e, portanto, as receitas do governo, reduzem as importações desses bens essenciais e, em muitos casos, salvadores de vidas”

 

Segue o resumo executivo do relatório:

 

“Este documento analisa alguns dos impactos mais importantes das sanções econômicas impostas à Venezuela pelo governo dos Estados Unidos desde agosto de 2017. Ele conclui que a maior parte do impacto dessas sanções não foi para o governo, mas para a população civil.

 

As sanções reduziram a ingestão calórica da população, aumentaram as doenças e a mortalidade (para adultos e bebês) e deslocaram milhões de venezuelanos que fugiram do país como resultado do agravamento da depressão econômica e da hiperinflação. Elas exacerbaram a crise econômica da Venezuela e tornaram quase impossível estabilizar a economia, contribuindo ainda mais para o excesso de mortes. Todos esses impactos prejudicaram desproporcionalmente os venezuelanos mais pobres e vulneráveis.

 

Ainda mais severas e destrutivas do que as amplas sanções econômicas de agosto de 2017 foram as sanções impostas por ordem executiva em 28 de janeiro de 2019, aliadas às ordens executivas subsequentes neste ano, e, ainda, o reconhecimento de um governo paralelo, que como mostrado abaixo, criou um novo conjunto de sanções financeiras e comerciais que são ainda mais restritivas do que as próprias ordens executivas.

 

Descobrimos que as sanções infligiram e, cada vez mais, infligem danos muito sérios à vida e à saúde humanas, incluindo uma estimativa de mais de 40.000 mortes entre 2017 e 2018; e que essas sanções se encaixariam na definição de punição coletiva da população civil, conforme descrito nas convenções internacionais de Genebra e Haia, das quais os EUA são signatários. Elas também são ilegais sob as leis e tratados internacionais que os EUA assinaram e também parecem violar a lei dos EUA.”

 

Notas:

 

1 Mark Weisbrot é codiretor do Center for Economic and Policy Research – CEPR (Centro para Pesquisa Econômica e Política).

 

2 Jeffrey Sachs é professor de economia e diretor do Center for Sustainable Development (Centro para o Desenvolvimento Sustentável) da Universidade de Columbia.

 

3 O estudo completo em inglês está em: http://cepr.net/images/stories/reports/venezuela-sanctions-2019-04.pdf

 

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