Eu avisei: o próximo golpe será na Venezuela

Golpe na Venezuela está em curso e a iminente intervenção militar pode contar com a participação do exército brasileiro

Eu avisei: o próximo golpe será na Venezuela
Eu avisei: o próximo golpe será na Venezuela

No dia 19 de setembro de 2018 publiquei, aqui nesta coluna, o texto: “O próximo golpe será na Venezuela”. No artigo, exponho as sucessivas sabotagens e atentados contra a revolução bolivariana; o plano de derrubar o governo Maduro, intitulado “Golpe de Mestre”, e, principalmente, o motivo do golpe: a Venezuela possuir a maior reserva de petróleo bruto do mundo.

Agora, o golpe está em curso e a iminente intervenção militar pode contar com a participação do exército brasileiro.

OEA pode fazer o jogo sujo

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, durante visita a Cúcuta, na Colômbia, em setembro de 2018, ameaçou uma intervenção militar para derrubar o Governo Maduro.

A declaração de Almagro foi feita no mês seguinte ao atentado contra a vida de Maduro e na Colômbia, país do então presidente Juan Manuel Santos apontado pela Venezuela como o mandante do ataque. "O nome de Juan Manuel Santos está por trás desse ataque... as investigações iniciais apontam para Bogotá”, afirmou Maduro.

Nesta quarta-feira, 23, Almagro escreveu no Twitter: “Nossas felicitações a Juan Guaidó na qualidade de presidente encarregado da Venezuela, ele tem todo o nosso reconhecimento para promover o retorno do país à democracia".

A OEA faria então o jogo sujo para os EUA que assim não afrontaria a Rússia ou a China, países aliados da Venezuela. Além de contar com a subserviência do tal grupo de Lima.

O grupo de lima foi criado em 08 de agosto de 2017 com o objetivo de ajudar os EUA no golpe de estado contra a Venezuela. É formado por 14 países: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Destes, apenas o México é contra o golpe.

Bolsonaro pode entrar em guerra para se safar

Bolsonaro pode seguir o exemplo do ditador argentino, Leopoldo Galtieri, que pensou como um militar e achou que uma guerra daria uma sobrevida para o seu regime.

“A invasão tinha razões políticas: como as coisas não iam bem dentro das fronteiras de nossos vizinhos – os ditadores eram acusados de má administração e de abuso dos direitos humanos -, o general Galtieri ocupou as Malvinas esperando unir a nação em um frenesi patriótico e, de quebra, limpar a barra do governo militar.” (NAVARRO, 2018).

Galtieri sofreu uma derrota rápida e que contribuiu para a queda do regime militar na Argentina. Bolsonaro já está enfraquecido e pode levar a economia do Brasil para o fundo do poço com uma guerra contra a Venezuela e, consequentemente, com uma grave crise com a Rússia e a China (maior importador do Brasil).

Venezuela foi usada como diversionismo

Em Davos, Bolsonaro e sua trupe cancelaram de última hora uma coletiva de imprensa causando vexame internacional, mas, pouco tempo depois, Bolsonaro prontamente realizou um pronunciamento à imprensa para defender o golpe de Juan Guaidó, o autoproclamado presidente interino da Venezuela.

Já Eduardo Bolsonaro, deputado federal por São Paulo, disse que foi a Davos apresentar um painel sobre a situação da fronteira entre Roraima e Venezuela. Será que um deputado eleito por São Paulo e sem cargo no governo tem legitimidade ou conhecimento para esse debate?

Maior reserva de petróleo e segunda de ouro

Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, com cerca de 300 milhões de barris.

“Além de ter a maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela pode chegar a ser o segundo país com a maior jazida de ouro. O governo venezuelano solicitou, recentemente, a certificação de suas reservas provadas de ouro junto a agências internacionais do Canadá, África do Sul, Chile e Angola.

(...)

Atualmente, segundo informações divulgadas pelo presidente Nicolás Maduro, o país tem uma reserva provada de 4,3 mil toneladas e um potencial que pode chegar a sete mil toneladas de ouro, além de uma grande quantidade de diamantes e nióbio, conhecido popularmente como ‘ouro azul’.”. (RODRIGUES, 2017).

Eleições nos EUA x eleições na Venezuela

Denúncias de fraudes nas eleições dos EUA

Nos EUA o presidente e o vice-presidente não são escolhidos de forma direta, pela maioria dos votos dos eleitores, como no Brasil. Lá, o presidente é eleito indiretamente pelo povo de cada estado, por meio de um Colégio Eleitoral.

“Nos EUA não há as inúmeras exigências que existem no Brasil para a comprovação de identidade - os americanos sequer são obrigados a ter um documento como o RG. Eles partem do saudável princípio de que na maioria dos casos a palavra da pessoa basta. Porém isso facilita bastante na hora das fraudes. São inúmeros os casos de repórteres que, para mostrar a deficiência do sistema eleitoral, registraram animais para votar. A mesma facilidade encontram estrangeiros que residem no país: sabe-se que ao menos oito dos 19 seqüestradores do 11/9 haviam se registrado como eleitores americanos.” (FOLHA DE SÃO PAULO, 2004).

“A eleição de 2000 se constituiu numa das maiores fraudes da história deste país, tornando-se motivo de galhofa no mundo inteiro. Apesar de ter recebido 539.898 votos populares a menos do que seu adversário, o democrata Al Gore, Bush foi beneficiado por uma vergonhosa sentença da Suprema Corte, que decidiu, por cinco votos a quatro, validar a irregular apuração na Flórida. Esta apuração, que se arrastou por quase 40 dias, foi coordenada pela secretária de Estado Katherine Harris, que, por coincidência, também era a co-presidente do comitê da campanha do Partido Republicano no Estado, por acaso governado pelo irmão Jeb Bush. Até hoje, muitos estadunidenses encaram a primeira eleição de Bush como um golpe de estado.” (BORGES, 2006).

O autor do livro Steal This Vote (Roube Este Voto, em livre tradução), o jornalista  Andrew Gumbel, correspondente em Los Angeles do jornal britânico The Independent “cita como exemplos os casos da Flórida, na eleição presidencial de 2000, e do Ohio, na votação de 2004. Em ambos os casos, os secretários de Estados, respectivamente Katherine Harris e Ken Blackwell, acumulavam suas funções com as de líderes das campanhas locais do presidente George W. Bush.

"É um flagrante conflito de interesses. Não existem garantias no âmbito nacional ou local de que servidores públicos manterão sua isenção em relação ao processo eleitoral. Nestes dois casos eles tomaram decisões que tinham como objetivo claro favorecer o seu candidato", comenta.

Gumbel diz que de todos os casos que pesquisou o da Flórida é, não apenas o mais notório, mas também o mais chocante.

"As autoridades locais produziram uma lista que dizia que muitos eleitores não estavam aptos a votar, segundo as leis do Estado, porque ou estavam na prisão ou tinham antecedentes criminais. Mais tarde foi visto que a lista estava 95% incorreta e que os milhares de eleitores que constavam da relação eram em sua maioria afro-americanos e potenciais eleitores de Al Gore", afirma.” (GARCEZ, 2006).

Fortes suspeitas de fraudes nas eleições presidenciais de 2000 e 2004, cujo presidente foi George W. Bush e, na mais recente, o presidente eleito, Donald Trump, obteve  2,8 milhões de votos a menos que a democrata Hillary Clinton. A campanha de Trump também foi marcada pelo uso de fake news.

Entenda a denúncia de fraude eleitoral na Venezuela

A oposição ao governo Maduro levantou suspeitas de fraude eleitoral no pleito de 2018 para presidente. As denúncias consistem em classificar como compra de voto uma tradição de 20 anos de mobilização eleitoral partidária nas chamadas tendas. 

“As tendas, que costumam servir para registrar os eleitores de cada partido, não são novas. Mas as vermelhas, parte da máquina de mobilização eleitoral do chavismo, sempre foram mais numerosas.

"Eles existem há 20 anos, são pequenas tendas para agitar o voto partidário. Por que querem criminalizar as pessoas humildes que participam da máquina de mobilização?", disse Maduro, no discurso que fez após ser declarado o vencedor da eleição com uma diferença de 47 pontos percentuais em relação a Falcón.” (MARCO, 2018).

A novidade seria que a apresentação, voluntária, do ‘carnê da pátria’, criado em 2017 e que identifica benefícios sociais recebidos pelo titular (como o cartão do bolsa família), nas tendas vermelhas teria como finalidade receber um suposto prêmio em dinheiro do governo. 

“Na Venezuela tem sido habitual, durante os processos eleitorais, a entrega de presentes e incentivos, especialmente por parte do chavismo. A prática foi denunciada repetidas vezes pela oposição.

De acordo com o candidato oposicionista, o cartão e seu registro nos "pontos vermelhos" é uma forma de "controle político e social". Dias antes, ele havia reclamado com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), por considerar que o "prêmio" de Maduro viola o acordo entre os candidatos presidenciais.” (MARCO, 2018).

O voto na Venezuela não é obrigatório.

Voto eletrônico e impresso ‘exemplarmente blindado a fraude’.

Em entrevista de outubro de 2017 concedida à Folha de São Paulo,  o juiz André Luis de Moraes Pinto, magistrado da 2ª Vara Cível de Santa Cruz do Sul (RS) e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) afirmou: “que o sistema eleitoral do país caribenho ‘é exemplarmente blindado a fraude’.

(...)

Concluímos que o sistema de votação —com identificação do eleitor 100% biométrica, com uso de urna eletrônica e voto impresso e com a aposição da digital do eleitor ao lado da assinatura no caderno de presença— revela solidez, organização, rapidez do ato, transparência e sofisticação, mostrando-se, assim, exemplarmente blindado a fraude.

A existência de auditorias e certificações —antes, durante e depois da votação (todas com acompanhamento de representantes das forcas politicas participantes do processo) igualmente merece destaque.”  (ZERBATO, 2017).

O juiz Moraes Pinto foi um dos 50 convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela para acompanhar as eleições de 2017 para 23 governadores. Para as eleições presidenciais de 2018 o CNE convidou mais de 200 observadores internacionais. 

“O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela convidou mais de 200 observadores internacionais para acompanhar as eleições venezuelanas (...). Entre os convidados estão figuras conhecidas como o ex-presidente da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero. Ele faz parte de uma delegação de autoridades europeias integrada também pelo ex-ministro de Relações Exteriores do Chipre, Marcos Cipriani, e o ex-presidente do Senado da França, Jean-Pierre Bel, que foi representante da Presidência da França para a América Latina durante o governo de François Hollande.

(...)

A deputada espanhola Alesandra Fernandez, da comunidade autônoma espanhola da Galícia, também está acompanhando as eleições e disse que a realidade que ela se deparou esta semana na Venezuela é bem diferente daquela transmitida pelos meios de comunicação do seu país.

"Existe uma diferença muito grande entre aquilo que se transmite através dos meios de comunicação e a realidade que observamos aqui, principalmente ao visitar os colégios eleitorais. O processo tem garantias que vão desde a utilização das impressões digitais [dos eleitores], até a validação dos resultados. Vemos muitas garantias, inclusive algumas que não vemos nem sequer no Estado espanhol", avaliou a deputada.” (RODRIGUES, 2018).

É como diz o ditado: "macaco não olha pro próprio rabo". Parece piada que os EUA e seu sistema eleitoral que propicia fraudes bizarras aponte o dedo pra Venezuela.

Referências:

AFP. Secretário-geral da OEA diz que avalia até intervenção militar para tirar Maduro do poder na Venezuela. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/09/oea-nao-descarta-intervencao-militar-para-tirar-maduro-do-poder-na-venezuela.shtml>. Acesso em: 24 jan. 2019.

ANGELO, Tiago. Venezuela acusa Grupo de Lima de incentivar golpe de Estado com apoio dos EUA. Disponível em: < https://www.brasildefato.com.br/2019/01/05/venezuela-acusa-grupo-de-lima-de-incentivar-golpe-de-estado-com-apoio-dos-eua/>. Acesso em: 24 jan. 2019.

BORGES, Altamiro. Altamiro Borges: George Bush, uma fraude no poder. Disponível em: < http://www.vermelho.org.br/noticia/13593-9>. Acesso em: 24 jan. 2019.

FILGUEIRAS, Mirela. O próximo golpe será na Venezuela. Disponível em: <https://www.brasil247.com/pt/colunistas/mirelafilgueiras/369312/O-pr%C3%B3ximo-golpe-ser%C3%A1-na-Venezuela.htm>. Acesso em: 24 jan. 2019.

FOLHA DE SÃO PAULO. Fraudes eleitorais são comuns na história dos EUA. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft3110200425.htm>. Acesso em: 24 jan. 2019.

GARCEZ, Bruno.  Eleição nos EUA poderá repetir falhas de 2000. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2006/11/061104_votoeuabg.shtml>. Acesso em: 24 jan. 2019.

MARCO, Daniel García. Eleições na Venezuela: O que são os 'pontos vermelhos' e por que Henri Falcón acusa Maduro de compra de votos. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44203457>. Acesso em: 24 jan. 2019.

NAVARRO, Roberto. O que foi a Guerra das Malvinas? Disponível em: <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-a-guerra-das-malvinas/>. Acesso em: 24 jan. 2019.

RODRIGUES, Fania. Venezuela reivindica certificação da segunda maior reserva de ouro do mundo. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2017/11/21/venezuela-reivindica-certificacao-da-segunda-maior-reserva-de-ouro-do-mundo/>. Acesso em: 24 jan. 2019.

RODRIGUES, Fania. Mais de 200 observadores internacionais acompanham eleição. Disponível em: < https://www.brasildefato.com.br/2018/05/19/mais-de-200-observadores-internacionais-acompanham-eleicao-presidencial-venezuelana/>. Acesso em: 25 jan. 2019.

Ulmer, Alexandra e Sequera, Vivian. Presidente venezuelano Maduro diz que ataque com drone foi para matá-lo e acusa Colômbia. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/mundo/presidente-venezuelano-maduro-diz-que-ataque-com-drone-foi-para-mata-lo-e-acusa-colombia,ecb3e7ac462b251715d8afe3bf343b5eoaqf0q3g.html>. Acesso em: 24 jan. 2019.

ZERBATO, Diego. Sistema venezuelano é exemplarmente blindado a fraude, diz juiz brasileiro. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/10/1927665-sistema-venezuelano-e-exemplarmente-blindado-a-fraude-diz-juiz-brasileiro.shtml>. Acesso em: 24 jan. 2019.

 

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