Exército adere a Bolsonaro

"O que Bolsonaro sinaliza com seu gesto aos políticos é que daqui em diante manda quem pode e obedece quem tem juízo", escreve o jornalista Alex Solnik sobre o convite ao general Braga Neto para a Casa Civil

(Foto: Divulgação)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia

Jamais imaginei que o Exército brasileiro, que deve trabalhar para o Estado e não para um governo iria aderir a Bolsonaro.

Eu achava impossível generais de quatro estrelas se associarem ao governo de um capitão que ameaçou explodir quartéis. 

Eu considerava impensável generais de quatro estrelas apoiarem um capitão que sempre defendeu a volta da ditadura, da censura e da tortura. Que tem ligações perigosas com o mundo do crime. Que não respeita mulheres, gays, índios nem a soberania brasileira. Um sujeito tosco e chulo, despreparado, paranoico.

Faço aqui e agora minha autocrítica. O convite ao general Braga Neto para o ministério mais importante do governo acabou com minhas ilusões. Trata-se de general da ativa, de quatro estrelas (como os presidentes da última ditadura) e além disso chefe do Estado Maior do Exército. 

Ninguém que aceita integrar um governo de tendência totalitária, principalmente num posto tão elevado pode ser chamado de democrata. Braga Neto vem para endurecer o governo, para dar um chega pra lá nos políticos e não para dar lições de democracia ao presidente.

Depois de mais de 400 dias de governo ele sabe muito bem que tipo de governo é e que tipo de governante é Bolsonaro. 

O que Bolsonaro sinaliza com seu gesto aos políticos é que daqui em diante manda quem pode e obedece quem tem juízo.

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