Expectativas, Copa e eleições

O Brasil hoje espera tão pouco da Copa que se o torneio for minimamente normal já será um sucesso

Fazia tempo que o Brasil não chegava tão desacreditado a uma Copa do Mundo. Não se trata aqui do time de Felipão, que, com jogadores como Neymar, David Luiz e Fred tem chances reais de conquistar o título e de enterrar o fantasma do “Maracanazo”, de 1950. Aliás, é o grande favorito para a grande maioria dos torcedores que já estão desembarcando no País e também para os treinadores das equipes adversárias, que se surpreendem com o mau humor nacional. Segundo um grande banco, a probabilidade de que o Brasil levante o troféu é de 48,5%.

Quem chega desacreditado, no entanto, é o próprio País. E não porque não tenha se preparado. Apesar dos percalços, o torcedor brasileiro ganhou arenas à altura do futebol brasileiro, aeroportos foram reformados e há um legado inegável de obras que foram aceleradas em várias capitais. Porém, é também impossível negar que a Copa de 2014 foi contaminada pela disputa política e, hoje, mais do que a taça, os fatores que estão em jogo são a imagem e a autoestima do Brasil. Ao fim do torneio, a grande dúvida será: o brasileiro terá vergonha, como disse Ronaldo, ou orgulho do próprio País?

Naturalmente, há fatores de risco, concentrados, sobretudo, na partida de estreia. Será o primeiro jogo com capacidade total do Itaquerão, um estádio com arquibancadas provisórias que foram liberadas praticamente na véspera e que, de certa forma, é também o mais associado ao chamado “lulismo”. Para ampliar o quadro de tensão, a greve no metrô paulista, meio mais eficiente para se deslocar ao estádio, potencializa o risco de que torcedores tenham problemas para chegar à arena – hoje, o grande temor da Fifa é que se repitam as imagens do jogo Corinthians e Botafogo, quando muitos torcedores só conseguiram tomar seus assentos depois da partida já iniciada.

No entanto, caso o Brasil passe bem pelo teste da primeira partida, tanto dentro quanto fora de campo, a tendência é que o ambiente passe a ser contagiado, aos poucos, pelo clima de Copa do Mundo. E que o grito contido da torcida, hoje intimidada por manifestantes, black blocs e grupos de sem-teto, passe a ser mais ouvido, com direito ao refrão “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. 

Eis aí o risco para quem apostou no fracasso. Hoje, as expectativas nacionais sobre a Copa são tão baixas que um torneio minimamente normal já será percebido como um grande sucesso. Por isso mesmo, assim como o governo assumiu riscos ao inchar o campeonato com 12 sedes e abri-lo num estádio não testado, também terá sido um risco para a oposição sentir vergonha antecipadamente. Se tudo der certo, o Brasil passará da depressão à euforia e os derrotistas serão identificados como autênticos vira-latas. Que venha o pontapé inicial!

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