Falta de teste esconde mortandade no Brasil

"Lamentavelmente, os números oficiais do Ministério da Saúde sobre as mortes pela Covid-19 parecem revelar somente a ponta de um iceberg", alerta o sociólogo e professor Robson Sávio

Um coveiro é visto durante o enterro de Ester Melo da Silva, 67 anos, que morreu em razão da doença por coronavírus (COVID-19), no cemitério Parque Tarumã em Manaus, AM, Brasil.
Um coveiro é visto durante o enterro de Ester Melo da Silva, 67 anos, que morreu em razão da doença por coronavírus (COVID-19), no cemitério Parque Tarumã em Manaus, AM, Brasil. (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)
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Lamentavelmente, os números oficiais do Ministério da Saúde sobre as mortes pela Covid-19 parecem  revelar somente a ponta de um iceberg.

Não sou estudioso da saúde. Não tenho autoridade para pontificar sobre tema tão complexo e desafiador. Mas, como cidadão e baseado em evidências científicas posso levantar hipóteses.

Depois de ver vídeos com especialistas em saúde (inclusive que atuam fora do Brasil, como Marcelo Bigal, neurologista e pesquisador brasileiro residente nos EUA - cujo vídeo sobre subnotificação no Brasil está disponível aqui:  https://m.youtube.com/watch?v=-LKC8tjyeHM), ler sobre o aumento colossal das mortes causadas nos últimos 40 a 50 dias ocasionadas por "síndrome respiratória aguda" e constatar que o Brasil faz cerca de 290 testes para cada grupo de um milhão de habitantes (a Alemanha, por exemplo, faz 15 mil testes por um milhão), chego à conclusão (a ser comprovada) dramática: há uma colossal subnotificação na mortalidade causada pelo novo coronavírus.

Duas questões são cruciais agora: olhando para o retrovisor, cabe às autoridades sanitárias atesteram se o coronavírus chegou ao país antes das primeiras divulgações oficiais de casos. E quando?

Segundo, aumentar vertiginosamente a testagem (para otimizar ações de prevenção, tratamento e controle) e investigar a totalidade dos casos de morte registrados como "síndrome aguda respiratória".

Caso contrário, a credibilidade do sistema de saúde brasileiro será profundamente afetada. E a decantada eficiência do ministro Mandetta e equipe irá para o brejo.

E, óbvio: é preciso barrar as tentativas genocidas de alguns agentes públicos que, discípulos de Tânatos (o deus da morte) e sem compromisso com a saúde, a vida e a sociedade, lutam contra o isolamento social.

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