Faltou Eduardo Cunha na posse da presidente Cármen Lúcia

Na posse da presidenta Cármen Lúcia as raposas fizeram a festa sem nenhuma sensibilidade com os horrores que correm por todo o Brasil, com nossos direitos sociais ameaçados pelos marginais da República e pelas facções criminosas, longe de serem incomodadas pelos discursos hipócritas e pelos tapinhas nas costas dos velhacos traidores

Querido amigo Escriturário Antônio Soares Souza, Itabira, MG

Nossa amizade começou com a presteza de sua filha Enf. Cláudia, moradora no Rio de Janeiro, sempre dedicada à causa democrática e nacional. Bem vindo à nossa camaradagem de amor ao Brasil que sofre sob um golpe de Estado.

Ontem tentei assistir a posse da ministra Cármen Lúcia como presidenta do Supremo Tribunal Federal. Não consegui aguentar por muito tempo à frente da TV Justiça.

Apesar da enorme elegância com que se vestia e se maquiava a figura da ministra me recordou de sua deselegância e até grosseria com Lula e com Dilma, me retirando rapidamente da frente do televisor.

Com Lula, movida pela parcialidade da mídia, a fabricante de imbecilidades senso comum, agrediu indiretamente o ex-presidente quando afirmou, de modo tremendamente desproporcional, ao afirmar que "primeiro nos fizeram acreditar que a esperança venceu o medo", como escrevi aqui, com grande repercussão nas redes. A ministra foi tremendamente injusta e vulgar com aquele seu comentário!

Com Dilma, além de deselegante e machista, Cármen Lúcia foi ignorante ao afirmar, quando eleita presidenta do tribunal, que queria ser chamada de "presidente" e não de "presidenta" porque se disse apaixonada pela língua portuguesa. Linguistas se manifestaram sobejamente afirmando que Cármen é ignorante e confunde sua ignorância da língua portuguesa com paixão.

Minha dificuldade em assistir a mais desprezível das posses de presidentes de presidentes do STF deu-se porque diante de pessoas tão parciais, afetáveis pelas circunstâncias dominadas pela elite suja do Brasil, se distinguem por uma soberba feia, nojenta e tremendamente opressora.

Ministros como Cármen Lúcia não entendem de nossa realidade e jogam o judiciário, com sua missão de fazer justiça, no colo da desgraça e da destruição da dignidade nacional e democrática.

Com Cármen Lúcia não nos deparamos com erros apenas na deselegância da parcialidade, imbuída pelas nuvens pesadas que golpeiam a decência nacional nem com a deselegância ornada de falso conhecimento linguístico, mas de erros profundos e absolutos de um judiciário que abriu mãos da justiça para fabricar proteções dos poderosos e dos injustos.

No judiciário, em todos os seus níveis, também lá em cima onde se assentaram o golpista, traidor e usurpador e o canalha, lado a lado a debochar da Nação, funciona a retomada da história triste das omissões, tremendamente implícitas nos discursos do chamado decano, do procurador geral da República e da própria presidenta do STF.

O decano, com aquele sotaque de um francês recém-chegado ao Brasil, se entregou ao ódio moralista e denuncista contra os que ele chamou de "infiéis da causa pública, indignos do poder", "facções criminosas" e "marginais da República".

Celso de Mello, o orador raivoso e requintado na posse da presidenta do STF, é membro de um judiciário historicamente omisso e acovardado, como muito bem identificou Luiz Inácio Lula da Silva quando Sérgio Moro tentou sequestra-lo numa condução coercitiva espalhafatosa.

Omisso quando obedeceu ao criminoso Filinto Müller e deportou Olga Benário para ser assassinada por Adolfo Hitler na Alemanha nazista. Omisso quando se curvou aos ditadores sanguinários que debruçaram a Nação Brasileira às botas do imperialismo, cuspindo sobre nossa soberania e defecando sobra a democracia. E omisso diante do golpe dado pelos canalhas a serviço do mesmo imperialismo, que novamente coloca sua embaixada a agir como barricada e como banco cheio de dólares para comprar traidores e canalhas no golpe dado pelo parlamento brasileiro, contando com a omissão e cumplicidade vergonhosas do judiciário.

Sim, se o decano se refere a infiéis da causa pública, facções criminosas e marginais da República, e se acha corajoso para arrotar impropérios, por que não os identificou e os denunciou?

Quem são eles? Por acaso dois deles não se assentaram à mesa dos trabalhos, um canalha e o outro traidor e golpista? Por que não os denunciou aos olhos do Brasil e do mundo? Omitiu-se mais uma vez para engrossar o caudal triste da história do STF?

Ou Celso de Mello se referia aos banqueiros que sangram a nossa economia com seus juros assassinos e sem vergonhas, como os denunciou Dom Angélico Sândalo Bernardino (aqui) e com a concentração iníqua de riquezas e de rendas, esfomeados rentistas opressores, sem se importarem com os dramas sociais?

Ou se referia à polícia fura olho, perseguidora de adolescentes, jovens, pobres e negros do governador Geraldo Alckmin, corruptora e marginal da República que clama por justiça social e por democracia? Polícia covarde, fábrica de covardes que se escondem por detrás de armamentos e sprays do Estado, que deveria ser usados para proteger o povo dos marginais poderosos e golpistas.

Ou será que Celso de Mello, com ar de pura arrogância, se referia à agenda bomba contra os trabalhadores e seus direitos sociais, perseguidos sem governo, sem parlamento sem judiciário que os defenda?

O orador decano se referiu aos marginais da República que viajam pelo mundo para prostituir acordos do Brasil através CONESUL, UNASUL e do BRICS, para pavimentar a elaboração de um mundo menos submisso e covil do imperialismo? Referiu-se à facção criminosa que passa por cima do povo e vai aos balcões internacionais para vender nosso pré-sal, como o faz "capiloso" de falta de vergonha, o senhor José Serra? Nossa Amazônia e até a nossa água abundante, ao que já se referem os golpistas ainda no Palácio do Planalto?

Mello referia-se à facção criminosa dos que visaram o golpe de Estado para estancar a hemorragia da força tarefa capenga e partidária que poderia, se não mais conseguisse selecionar e proteger seus mimados, atingir os verdadeiros infiéis do poder que deveria ser público, mas que virou diversão de ladrões e assaltantes, machistas, de ternos escuros e colarinhos brancos?

Ou quem sabe o esforçado orador pensou nos golpistas que armaram bordoadas contra a República e, orientados por uma advogada espalhafatosa, paga por um partido que acumula males sobre males praticados contra o Brasil e por um advogado decadente, filho de fascista, na edificação de um castelo de areia habitado e assombrado pelo horror? Celso de Mello imaginava a Presidenta mulher que foi defenestrada do poder sem culpa, num processo inquisitorial mentiroso, para dar lugar à ponte do azar, da destruição e da guerra devastadora do mundo, comandada pelo império decadente?

Tenho para mim que a mente do estridente Celso de Mello não orientava o seu olhar para os personagens e para os eventos corretos! Tudo indica que o decano foi sugado pelos mesmos erros e ignorância da falta de consciência da deselegância de sua nova presidenta.

As palavras de Celso de Mello são enfáticas afirmações de um judiciário que não sabe o que quer, com quem quer (ou este ele sabe?) e para qual das repúblicas discursar e agir.

No seu discurso Cármen Lúcia sinalizou que o povo não gosta do judiciário e que o sistema precisa mudar. Acertou em cheio! Mas intuo que ela discursou na sua posse falando coisas do mesmo conteúdo de sua deselegância linguística e animada pelo senso comum sequestrado pela elite dominante e golpista. A presidenta e seu STF não comungam com o povo real brasileiro e com sua alma sequiosa de justiça.

Depois discursou o Procurador Geral da República.

Deu-me a impressão de advogar em causa própria na defesa do indefensável.

O senhor Rodrigo Janot disse que há tentativa desonesta de desconstrução das imagens de investigadores e juízes.

Quem são os desonestos que tentam desconstruir imagens tão santas e ilibadas? Novamente o STF paira nas insinuações inócuas e nas ameaças contra um setor que Janot quer calado, sufocado e sem direitos a protestar.

Desonesta? Como que aquele senhor chama as críticas de desonestas? Não se pode criticar quem protege uns e persegue outros como vem acontecendo, inclusive com a participação dele, que procura culpados de um lado só e não procura, por isso não encontra, de outro?

O senhor Janot deixou de ser procurador geral para ser procurador de alguns, principalmente na proteção de corruptos e golpistas. Não inventei isso. Retomo Luis Nassif para escrever que "Janot foi um dos artífices do golpe. Teve papel central para entregar o país aos projetos e negócios de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Moreira Franco e José Serra, entre outros. Sacrificou-se apenas Eduardo Cunha no altar da hipocrisia"(aqui).

Do mesmo modo o meu conterrâneo jornalista Davis Sena Filho, de forma direta e contundente, define Rodrigo Janot, juízes e outros como protetores de "usurpadores de cargos não conquistados pelo voto popular, a exemplo do ministro golpista José Serra, um entreguista de marca maior, que está a ser protegido ou blindado no que é relativo a casos de corrupção e malversação de dinheiro público, juntamente com o playboy e igualmente golpista, o senador tucano, Aécio Neves, por procuradores, delegados e juízes, principalmente no que tange às ações do PGR Rodrigo Janot, que visam, incrivelmente e sem sombra de dúvida, blindar os senadores golpistas dos crimes imputados a eles por mais de dez delatores no âmbito da Lava Jato" (leia o artigo aqui) na sua cavalgada teatral, insana e mentirosa contra um lado só da sociedade.

O ex-ministro da justiça, Eugênio Aragão, com profundo conhecimento de causa e de pessoas, também faz análise do PGR e do STF ao se referir ao golpe parlamentar de Estado, que derrubou a Presidenta Dilma, e à omissão criminosa daqueles órgãos da justiça: "Nos dias atuais, é o STF e o PGR que assumem o papel de Pilatos. Não mexeram um dedo para poupar uma pessoa que sabiam inocente, honesta, corajosa e sem qualquer compromisso com a bandidagem que diariamente a chantageava.

Pelo contrário: praticaram verdadeiro populismo judicial ao manejarem um inquérito fajuto por obstrução de justiça contra si às vésperas da votação da admissibilidade do processo pelo senado, para misturá-la aos bandidos aos quais nunca deu trégua como governante.

No governo, vi como usavam vazamentos de depoimentos que comprometiam a governabilidade, muitos sem qualquer substância jurídica. Vazamentos seletivos, em momentos calculados, que só se destinavam a colocar gasolina na fogueira," disse o ex-ministro.

Então não venha Rodrigo Janot com choradeira fingida de desconstrução de imagens.

Pelo contrário, quem não faz justiça, quem pisa na justiça são os que vivem fora da realidade, desconectado do Brasil e do nosso povo, achincalhado, perseguido e caçado nos direitos, sem ter a quem recorrer.

Na posse da presidenta Cármen Lúcia, com a presença do golpista traidor e do canalha dos 61 à mesa dos trabalhos, com as metralhadoras de Celso de Mello, de Rodrigo Janot e do presidente golpista da OAB, que também apoiou os golpes militar de 1964 e o judicial-parlamentar de 2016, voltadas nebulosamente dizendo horrores, mas com objetivos escusos, não se viu disposição para a justiça que tenha em mente e na alma o povo brasileiro.

Por isso no título digo que faltou à posse da presidenta Cármen Lúcia o corrupto mor Eduardo Cunha. Só faltou ele para completar a dupla Temer é Cunha, Cunha é Temer. Celso de Mello e Rodrigo Janot pensaram nisso quando pronunciaram suas aleivosias, trovoando ameaças?

O grande drama é que a elite dominante assaltou o Estado e ocupa todos os seus aparelhos: o executivo, o parlamento e o judiciário.

Na posse da presidenta Cármen Lúcia as raposas fizeram a festa sem nenhuma sensibilidade com os horrores que correm por todo o Brasil, com nossos direitos sociais ameaçados pelos marginais da República e pelas facções criminosas, longe de serem incomodadas pelos discursos hipócritas e pelos tapinhas nas costas dos velhacos traidores.

Como disse a grande deputada Jandira Feghali na expulsão do engenheiro do golpe, Eduardo Cunha: "em breve nosso povo retomará a democracia e colocaremos na cadeira da Presidência da República um projeto justo de interesse nacional".

Esse projeto, digo eu, precisa incidir na escolha de ministros, ministras e procuradores gerais da República, não por serem indicados e por serem os primeiros das listas de suas corporações, mas pelo compromisso com a justiça, tendo o "social", mais do o formal, como valor modelar absoluto, e o amor ao povo, principalmente aos trabalhadores e aos pobres.

Basta dessa casta golpista a serviço do mercado e do unilateralismo imperialista. Fora, Temer e todos os que assaltaram o Estado Brasileiro!

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