"Family Office" dos Diniz é um bom "case" da estratégia de financeirização de fração da nossa burguesia

Por Roberto Moraes

A matéria de O Globo "Abílio Diniz lança gestora com investimento mínimo de R$ 1 mil - Família e investidores fazem aportes de R$ 1,75 bi em fundo multimercado da empresa", é um case claro da fórmula adotada pelas famílias ricas para aumentar seus dinheiros com a ampliação do rentismo nesta fase do capitalismo hegemonicamente financeiro

A família Diniz, através de um fundo financeiro (multimercado ou hedge) - O3 Capital - busca captar excedentes para se juntar ao patrimônio de R$ 12 bilhões vindo da família e da venda de seus negócios de varejo supermercado para a francesa Carrefour.

Esse caso explica bem, o movimento dos donos dos dinheiros que controlavam uma empresa comercial em direção a uma novo arranjo de acumulação de capital.

 
Uma boa parte da burguesia endinheirada nacional, passou a fazer opção por fazer parte do esquema da financeirização, que têm no instrumento dos fundos uma espécie de novo "centro dinâmico da economia" controlando através de variados arranjos, as empresas (ativos) da economia real. 

A opção, claro, foi sendo definida, porque no setor financeiro, os lucros são muito maiores (andar superior) do aquele que os Diniz (e outros setores da burguesia) tinham em sua atuação, quase exclusiva no setor (fração) comercial.


Trata-se na verdade, não apenas de um "case" - mas como venho insistindo - na realidade se estabelece como um novo padrão dos donos dos dinheiros, que passam a ter nas finanças, uma maior extração de valor do trabalho com a captura da riqueza produzida na sociedade. 

Essa fórmula dos fundos financeiros substitui a antiga intermediação bancária que cumpria o papel de captar poupança da sociedade para emprestar aos empreendedores de negócios industriais, comerciais, imobiliários e outros. 

No Brasil há quase duas décadas, essa lógica da intermediação bancária foi sendo substituída pela ideia da gestora dos fundos, que hoje controlam com diferentes arranjos (societários) as empresas da economia real em diferentes setores da economia.

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