FHC oportunista, Dallagnol candidato e Temer louco. Valha-nos, quem?

A obsessão para tirar o líder petista de circulação, de modo a alcançar o objetivo para o qual a Lava-Jato parece ter sido criada, nublou a visão e embotou o raciocínio do pessoal da força-tarefa, que não está preocupado com as desastrosas consequências de uma eventual prisão de Lula.

Justiça
Justiça (Foto: Ribamar Fonseca)

"Daqui não saio, daqui ninguém me tira". Essa marchinha de antigos carnavais parece ser a música cantada diariamente por Michel Temer, que não aceita nenhuma hipótese para deixar o Palácio do Planalto. Na verdade, a julgar pelo que teria dito ao presidente do Senado, Eunício de Oliveira, conforme relatado pelo colunista Lauro Jardim, ele parece ter enlouquecido: "Fique tranquilo, não vou renunciar, não vou sair. Vou recorrer até o fim. Se quiserem que eu saia, terão de me matar". Pelo visto vão ter de tirá-lo do Planalto carregado, numa camisa-de-força, porque o homem endoidou de vez e, nesse estado de loucura, tende a levar o Brasil para o fundo do precipício, onde o lançou com a ajuda do Congresso, em especial dos tucanos; do Judiciário, do empresariado e da mídia. Conclui-se, diante da sua fala a Eunício que, mesmo se cassado pelo TSE, não sai, a não ser morto. E continua tendo o apoio do ex-presidente Fernando Henrique.

Em artigo publicado domingo FHC confessa que "apoiei a travessia e espero que a pinguela tenha conserto". E pergunta: "E se as bases institucionais e morais da pinguela ruírem?" Por incrível que pareça, com todos os escândalos diários ele ainda duvida que a pinguela tenha desmoronado. Depois de dizer que o povo "está indignado com a corrupção sistêmica que atingiu os partidos, o governo e parte das empresas" (antes de Aécio ser flagrado ele dizia que a corrupção era obra do lulopetismo), o cinismo do ex-presidente tucano se torna gritante quando ele afirma que "existem regras na Constituição que só se mudam seguindo os preceitos nela contidos", como se não fosse ele que tivesse mudado a Constituição para permanecer mais quatro anos no poder, mediante a emenda da reeleição. Emenda, aliás, aprovada pelo Congresso mediante a compra de votos, a exemplo da aprovação do impeachment de Dilma, conforme denúncia à época dos jornais e da CNBB.

O mais surpreendente do comportamento de FHC, no entanto, cuja posição muda de acordo com as suas conveniências e interesses pessoais, foi a sua afirmação, no final do artigo, de que eleição direta é golpe. Ele escreveu: "Se o TSE julgar improcedente a ação que pede a nulidade das eleições de 2014, uma emenda constitucional para antecipar eleições diretas representaria, neste caso sim, um golpe constitucional". Para um homem que sempre se disse democrata, considerar golpe eleição direta é uma vergonha e uma decepção para os seus seguidores, sobretudo um tapa na cara dos que votaram nos candidatos do PSDB nas últimas eleições. Na verdade, FHC sabe que os tucanos não chegarão ao Palácio do Planalto pelo sufrágio universal e, por isso, defende o pleito indireto com a queda de Temer porque essa é a única maneira de conquistar a Presidência da República.

Além do artigo do ex-presidente tucano, com o qual deixou cair a máscara de democrata, outra máscara também caiu no fim de semana, através de um artigo: a do político Deltan Dallagnol. Disfarçado na pele de procurador, o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato desenvolve no artigo um discurso de candidato, chegando a acusar o Supremo Tribunal Federal de acumpliciar-se com os corruptos ao afirmar que "quando circunstâncias históricas excepcionais violam a proibição de prender criminosos da elite, os Poderes são conclamados a restabelecê-la. O Supremo é demandado a rever posições – alguém altera o seu voto – pois é preciso mudar para que tudo fique igual". A certa altura, desnuda o comportamento da Lava-Jato em relação ao ex-presidente Lula, vítima da sua perseguição implacável, ao dizer que "igualdade perante a lei existe no papel, mas na realidade estamos presos à máxima de Maquiavel: aos amigos os favores, aos inimigos a lei". E acrescente-se: "E as interpretações e convicções".

O seu desejo de ingressar na política, já evidenciado em outras oportunidades, se torna muito visível nesse artigo, sobretudo quando diz que "este é o momento para ir além da mera alternância no poder dos corruptos de estimação -ou dos menos rejeitados. É preciso coragem e perseverança, insistindo em reformas que, em meio a indesejáveis dores do parto, possam nos trazer um novo Brasil". Quer dizer, eles criminalizam os políticos, apresentam a classe como abrigo de corruptos e, no entanto, alimentam o secreto desejo de integrá-la, conquistando um mandato. Ele já percebeu, como outros "apolíticos", que, considerando o desencanto do povo com a classe política, desencanto alimentado pela mídia e que já produziu o prefeito da maior cidade do país, João Dória, que esta é uma oportunidade única para se candidatar a um cargo eletivo com possibilidade de sucesso. Afinal, se tem eleitorado para um Bolsonaro e seguidores para um Gentili, certamente também tem votantes para um Dallagnol.

Ao mesmo tempo em que dá curso ao seu projeto político, que vinha sendo habilmente disfarçado, ele deflagra mais uma desesperada tentativa para prender Lula, fazendo verdadeira acrobacia para encontrar algo que possa justificar, mesmo tênuamente, a prisão do ex-presidente operário. A obsessão para tirar o líder petista de circulação, de modo a alcançar o objetivo para o qual a Lava-Jato parece ter sido criada, nublou a visão e embotou o raciocínio do pessoal da força-tarefa, que não está preocupado com as desastrosas consequências de uma eventual prisão de Lula. Pelo visto, querem incendiar o país, porque além do ex-presidente ser o maior líder popular do Brasil, prendê-lo se caracterizaria como uma brutal injustiça. E todos os que contribuírem para isso serão responsáveis pelas suas consequências, em especial o juiz Sergio Moro, se aceitar o pedido. O Supremo, que certamente está vendo, como todo mundo, a perseguição movida ao ex-torneiro mecânico, , será co-responsável por omissão. Diante disso, só nos resta perguntar: valha-nos, quem?

 

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