Ficha difícil de cair

"Incomoda-me ouvir recriminações ao Exército por sua 'inoperância' no caso Bruno e Dom. Isso é assunto de polícia, não de militares", diz Manuel Domingos Neto

www.brasil247.com - Jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira (chapéu)
Jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira (chapéu) (Foto: Ministério da Defesa/Divulgação via REUTERS)


Incomoda-me ouvir recriminações ao Exército por sua “inoperância” no caso de Bruno e Dom. Isso é assunto de polícia, não de militares. Há mil motivos para repudiar o Exército, não esse. 

Custear exército para que atue na segurança pública é jogar dinheiro fora e expor a cidadania à truculência. 

Exércitos devem servir para dissuadir ou abater agressores estrangeiros; preparar-se para lidar com inimigos, não para disciplinar cidadãos e perseguir criminosos. Excepcionalmente acodem a sociedade em calamidades extremas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Constituinte vergou quando admitiu que as Forças Armadas atuassem para garantir a Lei e a Ordem. Lula errou ao sancionar, em 2004, a Lei Complementar que garantiu poder de polícia às Forças Armadas na faixa de fronteira. Agravou o distúrbio de personalidade das fileiras e deixou de fazer o necessário preparar a segurança pública nas áreas remotas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nas diretrizes da frente partidária que o apoia, lançadas esta semana, não vi nada a esse respeito. 

Até quando o Exército será confundido com polícia de fronteira? Persistindo tal confusão, os problemas serão agravados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O envolvimento de militares em assuntos de segurança pública resulta em desastre, notadamente tratando-se de casos que envolvam os povos originários. Oficiais aprendem desde a juventude que índio é estorvo e que seus protetores e ambientalistas são inimigos da pátria a soldo do interesse estrangeiro. Repetem essa ladainha de formas variadas. Uma delas afirma que há muita terra para pouco índio.

Também fico intrigado com as reclamações diante do fato de o ocupante da cadeira presidencial não manifestar solidariedade com os familiares de Bruno e Dom. O homem já provou não se comover com a dor alheia e mostrou incapacidade de se comportar como chefe de Estado. Seus eleitores sabiam disso. Não esqueço de como silenciou na morte de Nelson Freire enquanto o presidente francês mandava condolências ao povo brasileiro pela perda de seu gênio. 

Na tragédia de Bruno e Dom, se este indivíduo expressasse sentimento, seria de alegria: dois inimigos abatidos! O sujeito se formou em escolas militares, cabe lembrar. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para os democratas, está difícil cair a ficha sobre a função que cabe aos braços armados do Estado. Ao reclamar o envolvimento do Exército em atividades policiais, os brasileiros reconhecem inadvertidamente legitimidade no desvio da missão militar. De quebra, agradam os comandantes, oferecendo-lhes pretexto adicional para pedir ampliação de orçamento. 

Passa da hora de compreender que a sociedade mantém corporações militares para dissuadir estrangeiro hostil, não para atuar como polícia. 

Alguns imaginam que a dissuasão possa ocorrer com a presença na fronteira. Ledo engano. Vigiar fronteira em tempo de paz é tarefa para polícia especializada. O mesmo quanto à defesa de reservas florestais. 

Quem vigia fronteira, coibi desmatamento, persegue bandidos e garante a lei e ordem não pode se preparar para guerrear. As tarefas são incompatíveis. Quando os militares as assumem sofregamente, prejudicam a construção da segurança pública de que precisamos e fracassam como força dissuasiva. 

Precisamos de Exército que detenha armas próprias, capazes de sustentar uma política externa altiva e ativa, como disse Celso Amorim. Exército equipado por fábricas estrangeiras não presta para defender o Brasil. 

Pagamos caro para não termos defesa militar e vivermos sobressaltados com ameaças à democracia.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email