Filho de Bolsonaro declara Soros inimigo

Em Budapeste, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) demonizou os US$ 25 bilhões de um dos maiores investidores do mundo, George Soros, "sob pretexto de que ele seria um inimigo a combater", diz Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia; segundo o colunista, o parlamentar fez "acusações alopradas, na mesma linha de seu anfitrião, o primeiro-ministro Victor Orbán, que também ataca frequentemente o seu compatriota que fez fortuna com fundos de reserva e apoia causas progressistas em todo o mundo e do seu – e do seu pai – guru ideológico, o filósofo da Virginia"; "O mais grave é que ele fala como deputado, como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, como chanceler informal e como filho do presidente da República"

Filho de Bolsonaro declara Soros inimigo
Filho de Bolsonaro declara Soros inimigo (Foto: Esq.: Will Shutter - Câmara / Dir.: Reuters)

Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia

Em entrevista ao canal Euronews, hoje, em Budapeste, o deputado Eduardo Bolsonaro deu uma ideia do que seria a nova (e desastrosa) política externa brasileira:

"O Brasil investiu em alguns países africanos, na Nicarágua, na Venezuela, mesmo sabendo que jamais receberia de volta o pagamento desses empréstimos. O que nós queremos é fazer uma cultura pró-mercado, onde ocorram menos intervenções estatais".

Mas logo em seguida se desdisse, ao demonizar os 25 bilhões de dólares de um dos maiores investidores do mundo, George Soros, sob pretexto de que ele seria um inimigo a combater:

"Vivemos os tempos da guerra da informação. Não mais a guerra como acontecia antigamente, no Vietnã ou na Coreia. Nesse sentido, pessoas como George Soros colocam o seu dinheiro em países visando combater a cultura tradicional daquele país. Como por exemplo em pautas a favor do aborto, financiando a imprensa e colocando o dinheiro onde mais ele entenda ser pertinente".

São acusações alopradas, na mesma linha de seu anfitrião, o primeiro-ministro Victor Orbán, que também ataca frequentemente o seu compatriota que fez fortuna com fundos de reserva e apoia causas progressistas em todo o mundo e do seu – e do seu pai – guru ideológico, o filósofo da Virginia.

Declarar inimigo da nação um grande investidor como Soros – em meio à escassez de investimentos - só pode ser uma coisa: excesso de caixa.

O mais grave é que ele fala como deputado, como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, como chanceler informal e como filho do presidente da República.

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