Folha entrega os anéis para não perder os dedos na Previdência

"Jornal que tem a maior circulação do país, a Folha abandona a proposta de capitalização individual para tentar salvar a reforma da Previdência", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247. "Principal caminho para a privatização do sistema público de aposentadorias em vigor no país, a capitalização expressa a ligação da proposta de Bolsonaro-Guedes com a reforma implantada no Chile pela ditadura de Augusto Pinochet"

Folha entrega os anéis para não perder os dedos na Previdência
Folha entrega os anéis para não perder os dedos na Previdência (Foto: ABr | Reuters)

Até agora uma aliada fidelíssima de Bolsonaro-Guedes num ponto essencial da política econômica, a Reforma da Previdência, a Folha de S. Paulo acaba de entregar os pontos na questão mais importante -- a criação de um sistema de capitalização individual, destinado a substituir o sistema público de aposentadorias em vigor no país.  

Depois de apontar para um emaranhado de incertezas e indefinições que acompanham o projeto, sugerindo que não passa de um serviço apressado e mal feito, a Folha conclui em editorial (14/4/2019):  "o pragmatismo recomenda, pois, que se remova a capitalização da proposta de reforma, de modo a facilitar a tramitação do texto".

É certo que o jornal continua a favor de mudanças nas regras da Previdência que, se forem aprovadas, irão obrigar os empregados a trabalhar mais, pagar mais, para receber aposentadorias menores. Tampouco  condena a capitalização em si. Mas o sinal político dessa decisão é inegável. A capitalização não só representa uma opção radical pela privatização da Previdência. Também marca a ligação entre a reforma elaborada por Paulo Guedes a política econômica da ditadura Pinochet, que introduziu o sistema, fracassado, no Chile da década de 1980. 

Na posição de jornal impresso de maior circulação do país, titular ainda de um dos portais de maior audiência, acredita que a desistência da capitalização pode "facilitar a tramitação do texto". É uma cautela compreensível.

Pesquisa do próprio DataFolha, que também pertence ao jornal, mostra que, apesar do país assistir a uma campanha de pelo menos uma década a favor da reforma, essa idéia é rejeitada por 51% contra 41% da população.

Conclusão: o risco de perder tudo em função de uma aposta alta demais é real.

Esse reconhecimento é um estímulo  importante para os partidos de oposição que lutam para impedir o bloco dos aliados do Planalto de reunir os 308 votos necessários para que a reforma venha a ser aprovada.

Confirma o acerto daqueles que nunca desistiram de defender a Previdência pública e serve de argumento para aqueles que até agora se mostravam hesitantes.

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