Folha nega "pressão" de Alckmin. Tá bom!

Apesar da intransigência do governador Geraldo Alckmin, da violência da PM e da cumplicidade da mídia chapa-branca, o movimento da ocupação de escolas segue crescendo e ganha novos apoios

alckmin
alckmin (Foto: Altamiro Borges)
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Nesta terça-feira (2), a revista Fórum publicou uma grave denúncia contra o jornal Folha de S.Paulo. Segundo a matéria, o site do diário deletou um vídeo que mostrava a violência da PM tucana contra os estudantes nas escolas ocupadas. O mais curioso é que a operação-abafa foi feita logo após a visita do governador do PSDB à redação do jornal. De imediato, o sempre servil Portal Imprensatrouxe a versão da famiglia Frias para o sinistro caso: "Folha nega ter tirado reportagem do ar após visita de Geraldo Alckmin", afirma o site nesta quarta-feira. Vale conferir a resposta do jornal tucano:

"A editora da TV Folha, Camila Marques, negou que vídeo sobre a ocupação de uma das 192 escolas estaduais tenha sido retirado do ar após visita do governador Geraldo Alckmin, que esteve na redação da Folha na terça-feira... 'A reportagem foi retirada do ar a pedido da Secretaria de Redação na manhã desta terça-feira (1), após ser constatado que a peça tinha falhas de apuração, que contrariavam os princípios editoriais do jornal, principalmente o que concerne ao Outro Lado. A equipe foi orientada a refazer o mais rápido possível a apuração para que o vídeo volte ao ar. A relação entre a visita do governador, que ocorreu à tarde daquele dia, e a retirada do vídeo do ar é mentirosa'".
 
Os militantes tucanos da famiglia Frias
 
Será que dá para acreditar nesta curiosa versão da Folha, o jornal que garante não ter o rabo preso? É só conferir a cobertura da revolta dos estudantes para desconfiar da honestidade do veículo. Centenas de escolas estão ocupadas, num movimento que cresce a cada dia, e a Folha até hoje evita dar realce à mobilização. Seus "calunistas", como o jagunço Rogério Gentile, preferem demonizar os alunos. 
 
Em artigo publicado nesta quarta-feira (3), o militante tucano disfarçado de jornalista afirma que a proposta da "reorganização escolar" do governador Geraldo Alckmin é muito boa, mas que as falhas na comunicação "deram margem para a instrumentalização ideológica e corporativa do debate... Movimentos de moradia que dizem ter como objetivo maior lutar contra o capitalismo e o Estado, partidos de esquerda e o sindicato dos professores, resistente a tudo que não signifique menos trabalho e salário maior, acabaram estimulando a ocupação de escolas".
 
Outro "reporcagem", que suaviza a brutalidade da Polícia Militar, afirma que "os manifestantes que ocupam os colégios estaduais decidiram radicalizar sua estratégia... A nova diretriz de fechar vias ao trânsito de veículos, iniciada nesta semana, deve ser intensificada na capital paulista... Os estudantes ameaçam fazer 'travamentos' - nome dado por eles ao bloqueio de ruas e avenidas... O governador Geraldo Alckmin disse que há motivação política na ação dos estudantes. 'Não é razoável a obstrução de via pública. É nítida que há uma ação política do movimento'". Ou seja: os alunos são vândalos, quase terroristas, e o "picolé de chuchu" está preocupado com a paz e a ordem em São Paulo!
 
Apoio dos intelectuais e artistas
 
Apesar da intransigência do governador Geraldo Alckmin, da violência da PM e da cumplicidade da mídia chapa-branca, o movimento da ocupação de escolas segue crescendo e ganha novos apoios. Nesta quarta-feira, segundo matéria do Jornal do Brasil - que não teve qualquer repercussão na Folha tucana -, intelectuais e artistas de renome divulgaram um manifesto contra a chamada "reorganização escolar" e em defesa dos combativos estudantes. Vale conferir:
 
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Não fechem as nossas escolas! Respeitem os estudantes! 

Não bastasse o atual estado crítico do ensino básico – com salas superlotadas, baixíssimos salários para docentes e funcionários e péssimas condições de trabalho –, o governo Geraldo Alckmin impõe uma mudança de grande porte à rede de ensino paulista, fechando mais de 90 escolas, encerrando períodos inteiros, removendo milhares de estudantes de suas escolas, impactando a vida de milhares de famílias e ameaçando o emprego de professores em todo estado. 

O projeto de “reorganização” foi construído a toque de caixa, sem qualquer consulta às comunidades, sem audiências efetivamente públicas, sem tempo hábil de se fazer o real debate sobre as necessidades das escolas e o mérito da iniciativa. Como tem sido demonstrado em muitos estudos que contestam o projeto, suas justificativas são muito frágeis ou questionáveis. Não por acaso, em sua versão oficial que acaba de ser publicada, a reorganização foi baixada por decreto, sequer apresentada aos parlamentares estaduais. 

Para agravar a situação, de forma covarde o governo conclama a uma “guerra” contra os estudantes que tiveram que ocupar suas escolas para serem ouvidos. Estão amplamente registrados todos os tipos de agressão, intimidação, coação e diversas ilegalidades por parte da polícia e de agentes públicos na tentativa de “desqualificar” ou “desmoralizar” o movimento enquanto se supostamente se consolida o projeto como um fato consumado. 

Ao contrário das tentativas, o que temos visto são estudantes com muita convicção e firmeza, reforçando como nunca sua identidade com as escolas, cuidando dos espaços públicos, sendo protagonistas das programações de aulas públicas, de eventos culturais e esportivos. 

Nós, intelectuais, artistas e figuras públicas que de maneira suprapartidária subescrevemos esse manifesto reivindicamos, para o bem da cidadania e da escola pública, a suspensão imediata da “guerra” contra os estudantes adolescentes bem como desse projeto de reorganização para que de uma vez por todas se escutem as vozes das escolas e comunidades que são as mais interessadas e com quais deve se pensar a educação. 

Primeiros signatários: 

Ariovaldo Umbelino de Oliveira (Geografia – USP) 

Cesar Cordado (Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça) 

Christian Dunker (Psicologia – USP) 

Cibele Lima (Rede Emancipa de Educação Popular) 

Cilaine Alves Cunha (Literatura – USP) 

Ciro Correia (Geologia – USP) 

Cristiane Gonçalves (Políticas Públicas e Saúde Coletiva – Unifesp) 

David Harvey (CUNY – Nova York) 

Fábio Konder Comparato (Direito – USP) 

Franciso Miraglia (Matemática – USP) 

Frederico de Almeida (Ciência Política – Unicamp) 

Gilberto Cunha Franca (Geografia – Ufscar) 

Gilson Schwartz (Cinema, Rádio e TV – USP) 

Gregório Duvivier (Ator e escritor – Porta dos Fundos) 

Guilherme Boulos (Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST) 

Henrique Carneiro (História – USP) 

Homero Santiago (Filosofia – USP) 

Isabel Maria Loureiro (Filosofia – Unesp) 

Luciana Genro (Presidenta da Fundação Lauro Campos e ex-candidata à Presidência pelo PSOL) 

Manoela Miklos (Produtora Cultural) 

Márcia Tiburi (Filosofia – Mackenzie) 

Márcio Seligmann-Silva (Teoria Literária e Literatura – Unicamp) 

Marcos Barbosa de Oliveira (Prof. Colaborador, depto. Filosofia, FFLCH-USP) 

Maria Cecília Wey (Aliança pela Água) 

Maria Rita Kehl (Psicanalista, jornalista, ensaísta, poetisa, cronista e crítica literária) 

Mariana Fix (Urbanista – Unicamp) 

Mario Schapiro (professor FGV Direito SP) 

Marussia Whately (Aliança pela Água) 

Mauro Pinto (Advogado OAB-SP) 

Marcos N. Magalhães (IME – USP) 

Miranda (Coordenador do Movimento Negro Socialista – MNS) 

Otaviano Helene (Física – USP) 

Paulo Eduardo Arantes (Filosofia – USP) 

Paulo Miklos (Vocalista do Titãs) 

Plínio de Arruda Sampaio Jr (Economia – Unicamp) 

Ricardo Antunes (Unicamp) 

Ricardo Musse (Sociologia – USP) 

Rosa Maria Marques (PUCSP) 

Ruy Braga (Sociologia – USP) 

Sara Del Prete Panciera (Saúde, Educação e Sociedade – Unifesp) 

Vladimir Safatle (Filosofia – USP) 

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