Fortalecido, Temer parte pra cima da aliança antinacional

Quando Cunha deflagrou o processo de impeachment, a PGR já tinha elementos mais que suficientes para denunciá-lo e pedir sua prisão. Por que esperou? Por que denunciar Cunha somente após ele derrubar Dilma? Utilizam a imprensa como meio para emplacar sua tese e intimidar questionamentos

Temer Cunha
Temer Cunha (Foto: Daniel Samam)

Michel Temer se reagrupou politicamente e demonstrou força ao conseguir arquivar na Câmara dos Deputados a denúncia de corrupção passiva apresentada pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot. A aliança antinacional (formada pela Banca, que é o capital financeiro, pela Rede Globo e pela "tigrada", que são setores da burocracia estatal, como o MP, PF e Judiciário) apostou tudo na denúncia de Janot para derrubar Temer, mas perdeu. E isso foi um fato novo nessa conjuntura. E quais os motivos dos membros da aliança antinacional tinham para derrubar Temer?

Um dos principais motivos da Globo, entre outros, são de ordem financeira. Para se ter uma ideia, em 2014 (primeiro governo Dilma), o governo federal destinou só para a Globo a ordem de R$ 666 milhões em publicidade. Em 2015, este valor reduziu para R$ 438 milhões, e em maio de 2016, já com Temer, para R$ 324 milhões.

Os motivos do PGR e seus asseclas da burocracia estatal, a "tigrada", são de outra ordem. Se julgam arautos da moralidade, iluminados que tem o papel quase que divino de limpar a sociedade brasileira da corrupção. Com isso, criminalizaram a política de forma indiscriminada e se aliaram a interesses antinacionais dos mais nefastos.

Fortalecido após a vitória na Câmara, Temer partiu pra cima de Janot e pediu sua suspeição ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o PGR de fazer política com acusações frágeis, um "desvio do papel institucional" do MP. Temer encontrou com Raquel Dodge, a próxima PGR e adversária de Janot no MP, na calada da noite, fora da agenda. Independentemente da opção político-ideológica compreendo esse movimento de autodefesa de Temer. A PGR já faz política há muito tempo. Manobra na seara jurídica à serviço de sua estratégia política. Por exemplo, quando Cunha deflagrou o processo de impeachment, a PGR já tinha elementos mais que suficientes para denunciá-lo e pedir sua prisão. Por que esperou? Por que denunciar Cunha somente após ele derrubar Dilma? Utilizam a imprensa como meio para emplacar sua tese e intimidar questionamentos.

Nos setores da burocracia estatal (no MP, na PF e no Judiciário) um servidor público deveria se ater aos fatos, e agir de forma imparcial. Não deveria escolher quem e muito menos quando denunciar. Não pode construir processor desprovidos de elementos probatórios para dar veracidade a teses de exclusivo caráter ideológico (o caso do powerpoint do Dallagnol contra Lula é um exemplo disso). Há quem pense que isso seria defender Temer e seus asseclas. Não, não é. Trata-se de defender a política. É preciso compreender de uma vez por todas que a bandeira do combate à corrupção e a instrumentalização de setores da burocracia estatal fazem parte da tática conservadora para conter avanços.

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