General Heleno ao 247: “Não estamos espionando a CNBB”

O colunista do 247 e membro dos Jornalistas pela Democracia Alex Solnik falou com o general Augusto Heleno, chefe do GSI, acerca das denúncias de que o governo Bolsonaro estaria espionando membros da ala progressista da Igreja Católica; "Ninguém está espionando a CNBB", disse Heleno; "Não existe isso", completou; sobre a ação diplomática que o governo pretende fazer para impedir o Sínodo da Amazônia, que será realizado pelo Vaticano em outubro, em Roma, Heleno ressaltou: "Já temos intermediários conversando com o Vaticano. A questão da Amazônia brasileira diz respeito à nossa soberania"

 General Heleno ao 247: “Não estamos espionando a CNBB”
General Heleno ao 247: “Não estamos espionando a CNBB”

Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia - Tive oportunidade de trocar duas ou três palavras com o General Augusto Heleno, chefe do GSI da Presidência da República no Museu da Imagem do Som, em São Paulo, onde transcorria o velório do jornalista Ricardo Boechat, hoje por volta de meio-dia.

Ele estava acompanhado por um amigo, sem seguranças e estava atendendo a imprensa normalmente. Se bem que não havia muitos repórteres interessados em entrevistá-lo, talvez porque os profissionais escalados para a cobertura não o conheçam ainda.

Quando o encontrei estava sendo entrevistado por uma equipe da TV Record. Terminada a conversa chapa branca com a emissora amiga do governo, eu disse ao general que muitos de nós que vivemos na ditadura estamos preocupados com a presença de tantos generais no governo.

"Isso significa que é a volta da ditadura"?

"Claro que não. Estamos vacinados contra ditaduras", disse ele.

Eu insisti: "Mas o senhor está dando força à Abin, que é a sucessora do SNI do general Golbery.

"A Abin não tem nada a ver com o SNI", disse ele, "todos os países democráticos têm um serviço de informações à disposição do governo, em qualquer regime democrático".

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"Mas a Abin, segundo comentários, está espionando a CNBB", eu disse.

"Ninguém está espionando a CNBB" respondeu ele, um pouco irritado "não existe isso".

"Mas vocês estão trabalhando para impedir a realização do Sínodo da Amazônia"?

"Também não procede".

"Consta que o governo brasileiro vai pressionar o Papa para cancelar o evento".

"Nós vamos conversar com o Papa".

"Quem vai conversar com ele, o senhor"?

"Já temos intermediários conversando com o Vaticano. A questão da Amazônia brasileira diz respeito à nossa soberania, vem daí a preocupação, é um problema que deve ser equacionado no âmbito governamental".

"Dizem também que o governo está em guerra com a Igreja Católica, é verdade"?

"Não tem nada disso. Não existe".

"O senhor acha que é importante haver imprensa livre numa democracia"?

"Não é só importante, é fundamental".

Nesse momento o jornalista Milton Neves aproximou-se para cumprimentar o general, interrompendo a conversa.

Contou que, na juventude, Boechat era da turma de praia de Jair Bolsonaro, no Rio, época em que um chamava o outro de "Jacaré".

E advertiu o general a meu respeito, fazendo pilhéria:

"Cuidado... ele é vermelho".

O general me olhou e não riu.

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