Gentry à brasileira no palco do bolsonarismo

Comprar um lugar ao sol em qualquer clã para alimentar o ego e conquistar uma “fama” inusitada: Já faz parte desta nova sociedade do espetáculo que inclusive transforma membros do poder judiciário em estrelas de um show business que prende e arrebenta homens e mulheres de bem

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)
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Há realmente uma camada da população nacional que é burguesa – uma camada que se adequa a um universo neoliberal que garante aos predestinados uma vida abençoada pela meritocracia, e que coloca em suas mãos as luvas de uma religiosidade usurária que nasceu com João Calvino. 

A partir dos enclosures, cercamento dos campos feudais ingleses no século XVll que objetivavam a criação de ovelhas, e não mais o plantio – os servos foram forçados a ocuparem os burgos, e se tornarem atores urbanos necessários de um ciclo pré-industrial que nascia...

Temos muito a falar; temos muito a bradar, sempre houve uma guerra por domínio entre povos, entre líderes, e uma parcela invisível só reza e trabalha: debaixo das pontas de um tripalium obsceno.

Os dados da presença de esta camada burguesa são alarmantes: no topo da pirâmide social (somente 1 %) detém exorbitantes 28 % da renda nacional, estimativa acima da média mundial que é de 22 %.

Que triste saber disto não é? De servos analfabetos a escravos neocoloniais a maioria da população do planeta (que gira) vem degustando uma vida amarga e sofrível, que no Brasil foi forjada por uma Gentry tupiniquim. Querer ser da elite, querer ser da burguesia, ou mesmo ser um novo rico; são objetivos classistas que rompem com a dignidade do ser humano que faz da mobilidade social apenas um mero alpinismo.

Gentry é a denominação dada aos grandes proprietários de terra ingleses, que possuíam uma mentalidade burguesa quando o liberalismo estava sendo implantado no século XVII; no país que gestou a grande Revolução (burguesa) Industrial, que avança em seu quarto estágio pelo mundo. Esta classe nada mais era que uma camada burguesa desejosa de deter uma hegemonia benemérita com altos lucros.

A simonia agora não é um privilégio do mundo católico, ela também se dá em outros segmentos sejam religiosos ou não. Comprar um lugar ao sol em qualquer clã para alimentar o ego e conquistar uma “fama” inusitada: Já faz parte desta nova SOCIEDADE DO ESPETÁCULO que inclusive transforma membros do poder judiciário em estrelas de um show business que prende e arrebenta homens e mulheres de bem.

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