Gestão de Parente antecipa o caos de uma possível privatização

A lógica da nova política da Petrobras é diminuir a produção, cobrar mais caro do consumidor final e sobrecarregar o trabalhador para garantir maiores lucros aos acionistas e às empresas estrangeiras

Brasília - O presidente da Petrobras Pedro Parente participa da cerimônia de divulgação do Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 da Petrobras (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - O presidente da Petrobras Pedro Parente participa da cerimônia de divulgação do Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 da Petrobras (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Nelson Pelegrino)

A lógica da nova política da Petrobras é diminuir a produção, cobrar mais caro do consumidor final e sobrecarregar o trabalhador para garantir maiores lucros aos acionistas e às empresas estrangeiras. O pacote de “desnacionalização” inclui a entrega das reservas, refinarias e gasodutos, sem falar no fechamento das Fábricas de Fertilizantes. O Brasil vende o Petróleo barato e compra caro gasolina e diesel, enquanto as refinarias brasileiras, que têm um custo muito menor que as estrangeiras (inferior a US$ 3 por barril), estão trabalhando com apenas 68% da capacidade. O resultado não poderia ser outro: desde junho de 2016, foram 216 reajustes nos preços da gasolina e do diesel.

Os números ficam ainda mais perversos em contraste com os registrados nos governos Lula e Dilma. Entre 2003 e junho de 2016, houve apenas 15 reajustes de preços (para cima ou para baixo). O gás de cozinha não sofreu nenhum aumento em refinaria entre 2003 e 2014. O custo de todos os produtos cresce, muitos brasileiros já não podem andar de carro enquanto outros voltaram a utilizar lenha para cozinhar por não ter mais acesso ao gás.

O efeito na economia é ainda mais alarmante: a Petrobras perdeu R$ 45 bilhões em apenas um dia (24/5) quando reduziu em 10% o preço nas refinarias. Nesta segunda-feira (28/5), as ações caiam 8% após o Governo, pressionado, anunciar nova redução. Esse é o custo a pagar quando se é refém do mercado. Os preços abusivos resultaram na greve dos caminhoneiros, que pode derrubar o PIB deste ano em até 3%. Para o governo manter o lucro dos acionistas, a redução do diesel vai custar aos brasileiros R$ 10 bilhões.

Desde o início da gestão Parente, os petroleiros vêm denunciando o desmonte da Petrobras, a política entreguista e de boicote. Eram vozes isoladas, mas que hoje ecoam pela sociedade. Nesta segunda-feira (28), a categoria anunciou paralisação nacional pela diminuição dos preços dos combustíveis e imediata exoneração de Pedro Parente. Os petroleiros sabem, e a população começa a perceber, que só há um caminho: acabar com a política de paridade internacional nos preços dos derivados. É possível refinar 2,4 milhões de barris/dia e atender a demanda interna (com cerca de 2,2 milhões/dia), dependendo menos do mercado internacional. Igualmente importante é proteger nossas reservas e a indústria nacional.

Esta trágica gestão privada de uma empresa pública serve como advertência: antecipa e ilustra o caos em que mergulhará o país caso a Petrobras seja privatizada. Se não houver mudanças nesta política, nossa economia entrará em queda livre.

É preciso devolver a Petrobras aos brasileiros.

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