Global Player

O novo governo mostra que tipo de global player quer que seja o Brasil, de segunda linha, sem relevância no cenário internacional. As forças progressistas, entre as quais os economistas, devem estar em alerta para denunciar esse movimento deletério, inclusive para a classe empresarial produtiva, aquela que não vive de especular na bolsa de valores

Global Player
Global Player (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Quando Barack Obama disse que Brasil é um “global player”, estava apenas constatando uma condição do País. Gigantescas reservas energéticas, desde a água ao petróleo, passando pelo urânio, ouro, diamante, prata, nióbio, ferro e centenas de milhões de hectares agricultáveis. Até aí, agradecer à natureza. Mas há, também, empresas estatais produtivas, de vanguarda tecnológica e lucrativas, como, Petrobras, Embraer, Eletrobras, Correios, Banco do Brasil, CEF, BNDES e Seguridade Social. Durante os governos do PT, elas contribuíram para a transposição do Rio São Francisco, o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, Luz e Água Para Todos, Mais Médicos, FIES, Prouni, PAA, entre tantos outros programas que passaram o Brasil da 16ª para a 6ª economia mundial e retiraram o País do Mapa da Fome, monitorado pela ONU.

O crescimento do Brasil por óbvio, não seria exclusividade do seu mercado interno. A projeção internacional do País, nos governos do PT, se deveu à maneira como ele se apresentou ao mundo. O Brasil passou a ser respeitado na comunidade internacional. Nesse sentido, causam preocupação e estranheza as declarações do candidato eleito, bem como as do seu vice e as do seu ministro da Economia, Paulo Guedes. De acordo com os três, o novo governo veio para restabelecer o consenso de Washington, modelo ultraliberal implantado durante os governos de FHC, que produziu quase 26 mil falências e a morte diária de 300 pessoas, por fome.

No domingo 28, Guedes declarou aos modos do novo governo, como fez questão de frisar, que o Mercosul, que nos rendeu US$ 90 bilhões de saldo comercial, entre 2003 e 2014, não é prioridade. Assim como também não deve ser o saldo de US$ 137 bilhões, no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração. Esses dois saldos foram superiores ao acumulado, no mesmo período, obtido com o comércio estabelecido com o Hemisfério Norte e com o BRICS, de US$ 120 bilhões. O alinhamento de Guedes à agenda de Washington faz cair por terra o discurso do que é melhor para o País e confirma a submissão ideológica e econômica do Brasil ao eixo EUA/UE. Enfraquece não apenas o bloco latino, mas o País fica ainda mais vulnerável.

O general vice-presidente, em entrevista recente, deixou claro que a opção do Brasil é a de se reaproximar dos EUA. As declarações de toda a equipe são de quem não faz a menor ideia do que seja excluir a China do espectro econômico do Brasil. Apenas o BRICS, um instrumento de financiamento imprescindível para o Brasil, tem um fundo de financiamento de US$ 50 bilhões, dos quais o País é credor de US$ 18 bilhões. Em 2015, o primeiro ministro da China, Li Keqiang, esteve no Brasil para anunciar interesse e capacidade de investimento de US$ 53 bilhões, em infraestrutura, principalmente em ferrovias. A China tem cerca de US$ 60 bilhões investidos no Brasil. Ela importa 50% da soja brasileira e nos exporta produtos industrializados. 

As declarações são reveladoras e o Brasil mergulhará em isolamento e ostracismo. Deve se apequenar na América Latina e no mundo, como um país produtor de bens primários, do ferro à soja. É um governo formado de falsos patriotas, que entregam o País que juram amar, a preço de banana. Uma aberração da submissão aos EUA, foi a declaração do candidato eleito, com intenção de mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

Cego de ignorância histórica, o eleito atropela a Resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, segundo a qual se trata de uma violação do direito internacional a instalação de uma embaixada em uma cidade ocupada militarmente e que é de cristãos, muçulmanos e judeus. Além da afronta diplomática para agradar Trump, o irresponsável novo presidente pode causar um conflito econômico. Países como, Arábia Saudita, Egito e Irã, entre outros, são responsáveis pela importação de 35% da produção de frango brasileira.

O novo governo mostra que tipo de global player quer que seja o Brasil, de segunda linha, sem relevância no cenário internacional. As forças progressistas, entre as quais os economistas, devem estar em alerta para denunciar esse movimento deletério, inclusive para a classe empresarial produtiva, aquela que não vive de especular na bolsa de valores. A situação é temerária, pois a soberania nacional está nas mãos de um governo ultraliberal e sabujo. Mais de 50% dos eleitores que compareceram às urnas e escolheram entre um dos candidatos, votaram no aprofundamento e na agudização do projeto Temer, que tem 4% da preferência nacional.

 

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