Globo, de volta ao chapa-branquismo da ditadura

Mesmo aborrecido com o golpe, e mesmo sabendo que qualquer recuperação econômica beneficiará esse governo de usurpadores e bandidos, eu não torço contra a economia brasileira. Eu quero que a economia volte a crescer e a gerar empregos, com ou sem Temer. O que me chateia é essa tentativa de mascarar a crise. Isso não é jornalismo

Protesters, social movements and activists of the Workers Party, do protest against the impeachment of the President of Brazil Dilma Rousseff in the city center of São Paulo. April 17, 2016.
Protesters, social movements and activists of the Workers Party, do protest against the impeachment of the President of Brazil Dilma Rousseff in the city center of São Paulo. April 17, 2016. (Foto: Miguel do Rosário)

Todo mundo sabe que a Globo foi o principal sustentáculo da ditadura militar.

Um dos generais que governavam o Brasil, na época, disse que a hora mais feliz de seu dia é quando ligava no Jornal Nacional.

O chapa-branquismo oficialesco da Globo voltou agora com força total, como prova a capa do jornal de hoje.

Eu fui lá no banco de dados do Caged, do Ministério do Trabalho, e fiz uma tabela e um gráfico com o saldo de geração de empregos formais nos meses de fevereiro dos últimos 8 anos.

Reparem bem. Eu volto em seguida.

Quando os saldos de geração de empregos no governo Dilma eram enormes, mais de 200 mil por mês, a Globo omitia essa informação, e batia o bumbo da crise. O fato simplesmente não aparecia nos jornais, ou era abafado por títulos adversativos (Brasil gera empregos, mas…)

E agora, que a geração de empregos em fevereiro foi pífia. Num mês em que foram criadas 1,25 milhão de vagas e destruídas outras 1,21 milhão, num mercado de trabalho que já tem mais de 13 milhões de desempregados, a Globo faz essa festa toda por causa de saldo de 36 mil?

Mesmo aborrecido com o golpe, e mesmo sabendo que qualquer recuperação econômica beneficiará esse governo de usurpadores e bandidos, eu não torço contra a economia brasileira. Eu quero que a economia volte a crescer e a gerar empregos, com ou sem Temer.

O que me chateia é essa tentativa de mascarar a crise. Isso não é jornalismo. O desemprego está muito alto, e o governo precisa tomar medidas emergenciais para gerar empregos. Isso inclui oferecer crédito, reduzir drasticamente os juros, e investir em conteúdo nacional.

Para ser justo, a culpa da crise não é só responsabilidade de Michel Temer. É sobretudo da mídia, principal fiadora da doutrina econômica do caos e choque que nos levou até aqui, e da Lava Jato, que agiu com extrema irresponsabilidade, ao destruir os núcleos mais estratégicos da indústria brasileira de engenharia e construção civil.

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