Golpe promove apartheid socioeducativo

A política neoliberal para a Educação Pública, traduzidas pela BNCC e pela Lei da Reforma do Ensino Médio, é mais um grave retrocesso imposto pelo governo golpista, na direção oposta aos interesses da sociedade. A reação provocada não tem sido pequena

Golpe promove apartheid socioeducativo
Golpe promove apartheid socioeducativo (Foto: Ueslei Marcelino - Reuters)
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Você colocaria a sua filha, o seu filho ou qualquer adolescente em uma escola de ensino médio que ofereça apenas as disciplinas de Português e Matemática? Em uma escola em que não seja obrigatório o ensino de História, Geografia, Química, Física, Biologia, Filosofia, Sociologia, Línguas, Educação Física, Educação Artística, Literatura e Redação? Em uma escola em que TODAS essas disciplinas sejam opcionais, "flexíveis" e que possam ser reunidas em "áreas de conhecimento" e até realizadas à distância, via internet?

Você acredita em uma escola de ensino médio em que educadores não precisem ter formação pedagógica e específica para ministrar as disciplinas "flexíveis"? Escolas, talvez, abertas a "sumidades" que afirmem que portugueses nada têm a ver com o tráfico humano na África e que os africanos é que se ofereciam à escravidão?

Pois, grosso modo, é exatamente este o teor da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) lançada pelo governo golpista e da "Reforma" do Ensino Médio sancionada por Temer.

O que surgirá dessa aberração será um grande apartheid socioeducativo, colocando, de um lado, estudantes preparados em caras e plurais escolas privadas e, do outro, milhões de estudantes precariamente formados por escolas públicas restringidas em seu dever e em seu direito de ensinar com qualidade. O que se recriará será um fosso educacional como há muito não temos no país.

Como esses dois lados disputarão vagas nas universidades, vagas no mercado de trabalho, oportunidades? Quais as chances que serão reservadas aos jovens alunos das escolas públicas? Que futuro poderão ter?

E o que será feito dos milhões de professoras e professores de disciplinas opcionais, flexíveis, dispensáveis? É exagero afirmar que engrossarão as fileiras do sub ou do desemprego?

A política neoliberal para a Educação Pública, traduzidas pela BNCC e pela Lei da Reforma do Ensino Médio, é mais um grave retrocesso imposto pelo governo golpista, na direção oposta aos interesses da sociedade. A reação provocada não tem sido pequena.

Por isso, talvez para conter a insatisfação, o governo ensaie, agora, uma pífia farsa democrática em torno do assunto. No último dia 23 de julho, em plenas férias escolares, o Ministério da Educação lançou uma convocatória "urgente" para que as 28 mil escolas públicas de ensino médio de todo o país debatam a Base Nacional Comum Curricular. A data imposta para a consulta será, pasmem, o dia 2 de agosto, apenas uma semana depois da convocação, em cima do final do recesso escolar! Segundo sindicatos e entidades de professores, o governo enviou um roteiro fechado de atividades fragmentadas por áreas, com perguntas prontas e direcionadas para evitar questionamentos maiores e mais profundos.

É ou não é manobra descarada? É ou não é um mero arremedo de reflexão?

Não há qualquer condição de estabelecer uma discussão séria, nesses termos. O debate em torno das 150 páginas do documento tem que envolver, no mínimo, meio milhão de professores, quase oito milhões de alunos e cerca de 12 milhões de pais e responsáveis. Como fazer isso em meio período de um único dia?

Só há um meio de reagir a esta farsa – é rejeitar o roteiro imposto pelo governo golpista e transformar o dia 2 de agosto em dia de luta em defesa da educação pública, gratuita, de qualidade e democrática. O que queremos é a revogação das nefastas Base Nacional Comum Curricular e Reforma do Ensino Médio neoliberais.

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