Golpear juntos, marchar separados

A luta pela liberdade de Lula deve ser colocada até a sua libertação, pois para além da reparação de uma injustiça histórica, é elemento fundamental para restabelecer a democracia no país. Contudo, e como o próprio Lula reconhece, não pode ser empecilho para a construção desta aliança mais ampla

(Foto: Felipe L. Gonçalves/247)
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O governo Bolsonaro representa o que há de mais autoritário, vil e atrasado na sociedade brasileira. Colocou em curso um projeto de destruição dos princípios basilares da nação e tem feito ameaças concretas à democracia no país. Busca impor medidas ultraliberais que neutralizam conquistas sociais conquistadas ao longo das últimas décadas, solapam a soberania nacional e impedem o Estado de cumprir sua função constitucional de promover – a partir do emprego e da educação – a cidadania dos setores populares.

Para alcançar estes objetivos, tem atacado as representações e organizações da sociedade civil, protegido grupos paramilitares e promovido uma verdadeira tempestade de mentiras (fake news e pós-verdades) para desqualificar seus opositores.

É um governo que conta com o apoio da banca, da mídia monopolista, da alta cúpula das forças armadas, das lideranças de grupos religiosos pentecostais fundamentalistas e, sobretudo, do grande capital financeiro internacional, principalmente estadunidense, que enxerga em Bolsonaro uma oportunidade única para se apropriar das nossas riquezas, como o Pré-sal e a Amazônia. Portanto, não devemos ter a ilusão de que Bolsonaro cairá de maduro.   

Será preciso construir a mais ampla unidade entre todos que têm contradições com o Brasil de Bolsonaro, indo muito além da esquerda, para formar uma aliança de salvação nacional. Nesse sentido, enquanto maior força de oposição, o Partido dos Trabalhadores tem um papel fundamental para a formação dessa frente a partir do diálogo com intelectuais, formadores de opinião, cientistas, outros partidos e lideranças sociais.  

Como diz a nota do Diretório Nacional, o PT não deve impor condições para dialogar com todos os setores que se oponham aos milicianos alçados ao poder. A luta pela liberdade do companheiro Lula deve ser colocada até a sua libertação, pois para além da reparação de uma injustiça histórica, é elemento fundamental para restabelecer a democracia no país. Contudo, e como o próprio Lula reconhece, não pode ser empecilho para a construção desta aliança mais ampla.   

Um exemplo histórico a não ser seguido é o da Alemanha na década de 1930. A incapacidade de diálogo entre comunistas, liberais e social democratas em um momento de profunda crise econômica e social levou à polarização política que favoreceu a ascensão de Hitler, apesar da minoria do partido nazista no parlamento.     

Não podemos confundir quem é nosso principal inimigo. Como bem resumiu Lenin, podemos "golpear juntos e marchar separados". Nós petistas marcharemos até o fim, em separado se preciso, por Lula Livre! Sem que isso nos impeça de unir forças a parceiros conjunturais, que ao menos tenham em comum conosco o apreço pela democracia, para golpear com todas as forças disponíveis o governo do arbítrio e da traição nacional.

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