Governo tem chance de temperar política externa

"José Serra não tinha o que propor ao governo. A política externa do governo desapareceu, mais além de conflitos regionais, sem maior expressão internacional. A saída do ministro das Relações Exteriores poderia ser um momento para que o governo mudasse as prioridades e o tom do discurso", diz o colunista do 247 Emir Sader; no entanto, avalia, é mais provável que o governo perca essa oportunidade; "Temer vai discutir com Serra, que por sua vez vai querer emplacar alguém que mantenha a linha pitbull colocada em prática por ele. Aloysio Nunes estaria perfeitamente nesse figurino retrógrado", prevê; Sader acredita que "só um governo eleito pelo povo pode recuperar a soberania perdida"

"José Serra não tinha o que propor ao governo. A política externa do governo desapareceu, mais além de conflitos regionais, sem maior expressão internacional. A saída do ministro das Relações Exteriores poderia ser um momento para que o governo mudasse as prioridades e o tom do discurso", diz o colunista do 247 Emir Sader; no entanto, avalia, é mais provável que o governo perca essa oportunidade; "Temer vai discutir com Serra, que por sua vez vai querer emplacar alguém que mantenha a linha pitbull colocada em prática por ele. Aloysio Nunes estaria perfeitamente nesse figurino retrógrado", prevê; Sader acredita que "só um governo eleito pelo povo pode recuperar a soberania perdida"
"José Serra não tinha o que propor ao governo. A política externa do governo desapareceu, mais além de conflitos regionais, sem maior expressão internacional. A saída do ministro das Relações Exteriores poderia ser um momento para que o governo mudasse as prioridades e o tom do discurso", diz o colunista do 247 Emir Sader; no entanto, avalia, é mais provável que o governo perca essa oportunidade; "Temer vai discutir com Serra, que por sua vez vai querer emplacar alguém que mantenha a linha pitbull colocada em prática por ele. Aloysio Nunes estaria perfeitamente nesse figurino retrógrado", prevê; Sader acredita que "só um governo eleito pelo povo pode recuperar a soberania perdida" (Foto: Emir Sader)

As contingências que levaram José Serra a se demitir propiciam ao governo a possibilidade de passar a uma política externa menos agressiva, de menos isolamento do país, mais útil ao isolamento internacional que o governo saído do golpe enfrenta. Há muitas razões para uma mudança na política externa desse governo.

Em primeiro lugar, é uma politica extremamente agressiva, que leva à multiplicação de conflitos com países vizinhos, com os quais antes tínhamos relações de colaboração, mesmo no marco de diferenças políticas. Só houve agenda negativa no mandato de Serra.

Em segundo lugar, o governo golpista já está isolado no mundo pelas denúncias reiteradas sobre a forma como assumiu e também pelas políticas de retrocesso de governos que tinham tido uma imagem de sucesso no mundo. Uma gestão conflitiva só consolida esse isolamento.

Em terceiro, porque em todas as circunstâncias em que Michel Temer e Serra foram a alguma atividade importante fora do Brasil, passaram vexame, foram desconhecidos, maltratados. A imagem ruim do governo só se consolidou nessas circunstâncias.

Em quarto, a promessa de que, fazendo tudo o que os EUA querem – atacar a Venezuela, Equador, Bolívia, Cuba; enfraquecer o Mercosul, Unasul e Celac; aproximar-se da Aliança para o Pacífico – teria a recompensa do reconhecimento desse governo, que faria do Brasil, de novo, seu aliado fundamental na região. A derrota de Hillary Clinton e a vitória de Donald Trump, com sua política protecionista, desconhece a um país como o Brasil. Depois de ter conversado com mais de 30 chefes de Estado por telefone, Trump mandou seu vice falar com Temer, o que dá ideia da pouca importância que o país passou a ter no governo atual dos EUA.

Diante dessas situações, Serra não tinha o que propor ao governo. A política externa do governo desapareceu, mais além de conflitos regionais, sem maior expressão internacional. A saída de Serra poderia ser um momento para que o governo mudasse as prioridades e o tom do discurso. Fosse um governo que atendesse os interesses do Brasil, se daria conta que a atual política externa não atende esses interesses. Ao invés de fortalecer os processos de integração regional e a relação com os Brics, diante do protecionismo dos EUA, essa política está deixando o Brasil no vazio, sem política externa.

Mas é mais provável que o governo perca essa oportunidade. Antes de tudo porque olha para baixo e não para cima. Se orienta pelos apoios parlamentares que precisa e pelas conveniências das acusações que pesam sobre seus membros, do que sobre o interesse do Brasil e sua situação no mundo.

Assim, Temer vai discutir com Serra, que por sua vez vai querer emplacar alguém que mantenha a linha pitbull colocada em prática por ele. Aloysio Nunes estaria perfeitamente nesse figurino retrógrado. Ou algum dos ex-embaixadores tucanos, todos absolutamente subservientes aos EUA.

A oportunidade está dada, mas o governo golpista não tem nem tino político, nem capacidade de se reformular. Vive na mediocridade que o gerou e faz com que o Brasil se torne absolutamente intranscedente no mundo de hoje. Só um governo eleito pelo povo pode recuperar a soberania perdida.

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