Grande mídia derruba palavras em novo “manual de redação”

A chamada grande imprensa está colocando na prática um novo "manual de redação". De agora em diante, algumas palavras serão banidas para não "constranger" o novo governo. Por exemplo: 'aparelhamento', tão utilizada de 2003 a até meados de 2015, quando se falava das autoridades que se encontravam no poder, pode esquecer. Nepotismo? Nem pensar

Grande mídia derruba palavras em novo “manual de redação”
Grande mídia derruba palavras em novo “manual de redação” (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A grande mídia está em transição para o novo governo. A transição vem desde agosto de 2016, quando Dilma Rousseff foi retirada do poder sem nada que justificasse. Mas a fase crucial da mudança é agora, com a eleição de Jair Bolsonaro. Com isso, a chamada grande imprensa está colocando na prática um novo "manual de redação".

De agora em diante, algumas palavras serão banidas para não "constranger" o novo governo. Por exemplo: 'aparelhamento', tão utilizada de 2003 a até meados de 2015, quando se falava das autoridades que se encontravam no poder, pode esquecer.

Nada de mencionar que ministros são indicados por evangélicos, empresários do agronegócio e banqueiros e, num futuro bem próximo, apaguem tudo que for sobre protecionismo do público para o privado.

Nepotismo? Nem pensar. Dizer que os filhos do "Coiso", os "coisinhos", são beneficiados pelo poder. Esquece que as "crianças" falam pelos cotovelos, atropelam e trazem constrangimentos ao país.

A palavra corrupção, usada e abusada há muito tempo, agora vem com ressalvas. Se for para acusar o PT, mesmo sem nenhuma prova, que use a gosto, sem moderação alguma. Por outro lado, dobre a língua antes de falar de corrupção do ministério do "Coiso", dos políticos ligados ao mesmo.

Caixa 2? Que palavra mais em desuso! Proibido abrir a caixa preta do caixa 2 da campanha do "Coiso". Risco de ser encaixotado.

Censura? Que censura? Mesmo se a redação receber ordem para não citar nomes de apaniguados com gordas contas bancárias na Suíça, a ordem é ficar quietinho. Nem pensar em publicar receita de bolo no espaço onde a informação deveria constar. Censurados, porém capachos.

E assim vai. Haja reunião de pauta para pautar o que não deve ser publicado. Intimamente, jornalistas podem até suspirar de saudade da época em que tinha liberdade de expressão, de até inventar offs, de publicar sem apurar. Até o momento, liberdade de suspiro ainda existe.

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