Guedes apenas tranquilizou a elite: os pobres também deixaram de viajar

Os funcionários públicos mais graduados já não podem mais ir à Disney com esse dólar tão alto, mas não se importam, desde que as empregadas domésticas também não forem.

Jogo de falácias de Guedes no depoimento no Senado
Jogo de falácias de Guedes no depoimento no Senado (Foto: Fabio Pozzebom - ABR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Depois de insultar os funcionários públicos, chamando-os de parasitas, o Guedes resolveu afagar o ego dos barnabés mais bem remunerados. O ministro sabe que essa parcela da pequena-burguesia fica feliz com a distinção: está melhor que os pobres? Então está bom.

Boa parte da classe média tradicional é composta de gente que se incomodava com a presença de pobres em seus espaços de convivência (shoppings. aeroportos, academias de ginástica) e não tolerava que empregadas e seus filhos pudessem ser com eles confundidos. Alguns até uniformizavam as domésticas para bem demarcar as diferenças entre as classes sociais.

Na tentativa de se redimir junto àqueles a quem chamou de parasitas o Ministro, fazendo média, saiu-se com a aberrante afirmação de que com o dólar baixo até empregadas domésticas iam para a Disney.

Pronto, fez as pazes. Os funcionários públicos mais graduados já não podem mais ir à Disney com esse dólar tão alto, mas não se importam, desde que as empregadas domésticas também não forem.

O ministro fala a língua deles. E estes (excetuados os professores) já o perdoaram pela injusta generalização de chamá-los de parasitas. O ministro é bom, de fato existem alguns parasitas, e o Estado está muito inchado mesmo, repetem uns aos outros e às respectivas empregadas domésticas.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247