Guedes e o retrato perfeito

"Não há como negar o mérito de Paulo Guedes. Ele cumpre fidelissimamente o determinado por Jair Messias: primeiro, destruir tudo que havia sido construído no país ao longo de décadas. E só depois ver o que fazer com o pó da ruina", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

O governo de Jair Messias, a maior aberração desde que a República foi proclamada, abriga alguns tipos básicos de figuras abjetas.

Repito aqui o que venho dizendo sempre: ninguém, absolutamente ninguém que integra esse governo vale coisa algum. Alguns, porém, valem menos ainda.  

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Lá estão, por exemplo, o sanfoneiro chinfrim que ocupa a pasta de Turismo e o astronauta que virou garoto propaganda de travesseiros antes de virar ministro de Ciência e Tecnologia, ou o circunspecto mentiroso compulsivo que agora deposita o traseiro na poltrona da Secretaria-Geral da Presidência depois de haver perambulado por outras poltronas. Os três são retratos perfeitos do que há de mais patético nesse governo.  

Também há o tipo do ambicioso sem horizonte à vista, como o serelepe presidente da Caixa Econômica ou o incansável milico da reserva, ávido viajante, que ocupa o ministério de Infraestrutura.

E não podemos esquecer os criminosos mais criminosos do governo criminoso. Por exemplo: o general empijamado Braga Netto, ministro da Defesa, o ocupante da cadeira de ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e, claro, Paulo Guedes.

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Braga Netto fez carreira militar, Queiroga fez carreira burocrática mas, enfim, carreira no campo da medicina. E Paulo Guedes?

É verdade que carrega no bolso um diploma de economia e outro, mais vistoso ainda, de pós-graduação em Chicago. Mas qual a sua carreira de economista?  

Refaço aqui um convite que continua sem resposta: quem me trouxer um, apenas um, trabalho acadêmico de Guedes que tenha peso e importância ganha um jantar no restaurante que escolher no Rio, com direito ao vinho que quiser. Guedes não passou nunca de ser um bem-sucedido especulador do mercado financeiro, cujo currículo ostenta como ponto culminante o fato de ter trabalhado com um sanguinário chamado Augusto Pinochet no Chile.

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Desde o primeiro dia do governo de Jair Messias o todo-poderoso superministro de Economia não fez mais que encolher. Não cumpriu absolutamente nada do que prometeu, mas continua com uma única obsessão: privatizar tudo. Por ele, privatizava até o ar que respiramos.

Pois agora, além de bizarra, sua figura se nega de maneira férrea a abandonar as luzes do palco. Ele se deixa humilhar, avassalar, com tal de continuar ministro. Um ministro minguante, por certo, mas ainda assim ministro. Será só isso?

Pois é preciso reconhecer que Guedes tem uma robusta folha de serviços prestados a Jair Messias.

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Por exemplo: dos 210 milhões de habitantes deste pobre país, a metade padece aquilo que os acadêmicos chamam de “insegurança alimentar”, ou seja, comem menos do que deveriam. E vinte milhões passam fome, pura e simplesmente fome.  

Os desempregados rondam a casa dos catorze milhões, e outros quarenta milhões sobrevivem com trabalhos precários. Alguma saída à vista?  

Não há como negar o mérito de Paulo Guedes. Ele cumpre fidelissimamente o determinado por Jair Messias: primeiro, destruir tudo que havia sido construído no país ao longo de décadas. E só depois ver o que fazer com o pó da ruina.  

Guedes, o cumpridor, é também o retrato perfeito da podridão e da vassalagem. Reflete em minúcias esse governo. Parabéns.

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