Guedes, o insaciável, prejudica 21 milhões com corte do abono

"Ao passar a faca no abono salarial, Guedes-Bolsonaro deixam claro que nada será perdoado, nem as migalhas de fim de ano que fazem falta no prato dos mais pobres", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247 e membro da rede Jornalistas pela Democracia. "Realizado com precisão cirúrgica, o corte atinge trabalhadores do Sul e Sudeste, onde vive 80 milhões de brasileiros, em mais um movimento que irá empobrecer quem já é pobre, criar novas dificuldades para quem se encontra perto da miséria"

Guedes, o insaciável, prejudica 21 milhões com corte do abono
Guedes, o insaciável, prejudica 21 milhões com corte do abono (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Por Paulo Moreira Leite para o Jornalistas pela Democracia - A cada dia que passa, fica mais claro que a chamada reforma da Previdência atende a um único objetivo.

Em vez de realizar mudanças capazes de fortalecer um sistema público de aposentadorias criado pelos brasileiros e brasileiras ao longo da história, a finalidade é arrancar cada conquista, cada direito, para atender interesses do mercado financeiro, num esforço insaciável de Paulo Guedes-Jair Bolsonaro.

Nesse ponto, poucas investidas parecem tão diretas e cruéis como as mudanças nas regras do abono salarial. A mudança em debate, aqui, atinge o bolso de homens e mulheres que se encontram nos últimos degraus da escala salarial brasileira e, conforme cálculos do DIEESE, com base em números oficiais, irão prejudicar 21 milhões de assalariados e seus dependentes.  

A opção é socialmente vergonhosa mas fácil de entender. No Brasil de hoje, todo trabalhador que recebe até dois salários mínimos por mês, têm direito a receber  um abono de um salário mínimo a cada 12 meses de trabalho. Não é uma mega sena mas ajuda quem está no limite de muitas carências.

Pelas regras em debate, a proposta é pagar o abono apenas para quem ganha um salário mínimo. Já seria uma facada profunda mas não é só. Para diminuir ainda mais o número de beneficiários, o projeto tomou uma decisão com bisturi: fixou o teto pelo valor do mínimo atual, R$ 998. Não se fez isso por acaso.

Isso permite excluir trabalhadores de cinco Estados -- São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul --, onde vivem 80 milhões de brasileiros, quase 40% da população.

Nos últimos anos, ali se conseguiu uma vitória importante: negociar um mínimo diferenciado, acima do teto oficial, hoje em dia estipulado em R$ 1.100 reais. Com a cirurgia, os trabalhadores desses Estados deixam de embolsar R$ 998 reais a mais por ano. Valor final da operação: R$ 17 bilhões por ano, R$ 170 bi numa década.

"Assim fica fácil compreender para que o governo quer fazer a reforma", afirma José Silvério, do corpo técnico do DIEESE. Detalhe.

Tecnicamente, o abono não é uma regra da Previdência Social  mas um direito trabalhista. Ao incluir a mudança na reforma, Guedes-Bolsonaro confirmam que ela não passa de uma busca infinita de oportunidades para concentrar renda e beneficiar o andar de cima.

Sabemos que, vez de produzir um programa alternativo para uma velhice digna, destinado a melhorar o que está aí, o governo levou ao Congresso um conjunto infinito de propostas para enfraquecer setores médios, empobrecer quem já é pobre e jogar na miséria quem resiste para não cair ainda mais. 

Está claro, hoje, que o centro da reforma é a capitalização individual. Ela promete colocar uma bolada estimada em R$ 170 bilhões por ano no bolso dos empresários, que deixarão de contribuir para a aposentadoria de seus funcionários.  

Ao passar a faca no abono, Guedes-Bolsonaro deixam claro que nada será perdoado -- nem as migalhas que fazem falta no prato do andar debaixo. 

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