Guerra fria virtual não vai criar a primavera tupiniquim

Começou um novo ano e parece que velhas práticas ainda se estabelecem como atuais. Não posso ser desleal com a história e deixar passar a visível forma de politicar (se é que este termo existe no vocabulário) na capital baiana

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Começou um novo ano e parece que velhas práticas ainda se estabelecem como atuais. Não posso ser desleal com a história e deixar passar a visível forma de politicar (se é que este termo existe no vocabulário) na capital baiana.

Antecipando a disputa eleitoral, as principais figuras políticas iniciam o jogo com o "quem tá fazendo mais em Salvador". Rebocados por suas posições ideológicas genuínas ou de conveniências, os guerreiros de cada time se esforçam na defesa - também no ataque - para garantir que seu chefe do momento seja o vencedor na guerra fria do debate.

Assim como URSS x EUA travavam um combate onde ninguém disparava um tiro ou míssil honesto e a mídia era a arma letal, os "soldados" atuais também utilizam os dedos, mas neste caso, apenas teclam ou copiam e colam conteúdo. Tudo isso para cumprir a missão e agradar aos "oficiais superiores" que articulam essa mobilização nas redes sociais. Como sempre, a verdade é a primeira vítima.

O vencedor deste combate não pode ser conhecido no mundo real, onde as urnas apontam quem goza da aprovação do eleitor. Whatsapp não elegerá ninguém. Facebook não é termômetro eleitoral e Twitter não é plataforma de campanha. Todos estes canais podem ajudar a criar outra cultura social, mas na urna, o mundo é diferente e a alegria é triste.

O pior deste fenômeno é enxergar o quanto desleal é enfrentar o debate da militância "paga" virtual. A primavera "tupiniquim" não acontecerá pois não é legítima e espontânea. Tudo que parece individual faz parte de uma estratégia paga de alguma forma com recursos públicos. Raras exceções praticam ideologia político-partidária e quando fazem tem um quê de "lembrem de mim".

Esperar que tenhamos a consciência de interagir e debater com integridade e respeito. Que tenhamos decência mínima para enfrentar o contraditório sem paixões. Ser leal consigo e tentar não ter fidelidade canina para defender quem muitas vezes não se comportará como dono fiel quando seu cão precisar.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247