Haddad cresceu sem tirar de Ciro

"Haddad cresceu de 4% para 19% tirando votos de 'brancos e nulos' que estava em primeiro lugar, com 29% e caiu 15 pontos, exatamente os mesmos 15 pontos que Haddad ganhou. Ainda tem 14% nesse nicho para ele conquistar. E seu adversário também, é claro", analisa Alex Solnik; o jornalista acredita que "há, portanto, ainda em disputa uma cesta com 14 pontos de "brancos e nulos" e 7 de "não sabe em quem votar" que dificilmente irão para Alckmin, Ciro ou Marina"

Haddad cresceu sem tirar de Ciro
Haddad cresceu sem tirar de Ciro

Até aqui, Haddad não precisou tirar de Ciro para crescer 15 pontos de 20 de agosto para cá, segundo o Ibope. O gráfico de Ciro é uma linha praticamente reta desde então: tinha 9% e agora tem 11%, dentro da margem de erro. Haddad também não tirou de Marina, que nesse período caiu de 7% para 6%, dentro da margem de erro.

Haddad cresceu de 4% para 19% tirando votos de "brancos e nulos" que estava em primeiro lugar, com 29% e caiu 15 pontos, exatamente os mesmos 15 pontos que Haddad ganhou. Ainda tem 14% nesse nicho para ele conquistar. E seu adversário também, é claro.

Bolsonaro também não tirou de Alckmin para crescer 8 pontos no período, de 20% para 28%. Alckmin não saiu dos 7%. O mais provável é que tenha conquistado 5 pontos de "não sabe em quem votar", que caiu de 12% para 7% e, dentro da margem de erro, aparece subindo 8 pontos.

Ou que tanto Haddad quanto ele se beneficiaram dos dois itens, em proporção desigual a favor de Haddad, que dos 20 pontos disponíveis ficou com 15.

Há, portanto, ainda em disputa uma cesta com 14 pontos de "brancos e nulos" e 7 de "não sabe em quem votar" que dificilmente irão para Alckmin, Ciro ou Marina. Os indecisos tendem a votar em que está nos primeiros lugares: Haddad e Bolsonaro.

Somente depois de esgotarem esse volume morto – que tem limite, não se sabe qual, mas nulos e brancos dificilmente ficam abaixo de 10% - Haddad e Bolsonaro vão passar a tirar votos dos adversários de seu campo, se os eleitores de Ciro e Marina e de Alckmin, Álvaro Dias e Meirelles decidirem pelo voto útil já no primeiro turno.

A pesquisa mostra que Ciro não precisa bater em Haddad. Não é ele quem breca seu crescimento e sim dois fatores fundamentais numa eleição presidencial que lhe fazem falta. Um grande partido – o seu não tem capilaridade, nem bancada, nem expressão nacional - e tempo de TV suficiente para comunicar suas propostas e familiarizar o país com Ciro.

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