Haddad no Recife da virada

nas ruas do Recife, o sentimento era de um projeto de felicidade. Na caminhada até o Pátio do Carmo para o comício, o  clima era de alegria. Tão diferente do clima de raiva, de ódio, de mortes e ameaças doe Bolsonaro, o clima nas passeatas e movimentos para Haddad  no Recife é de alegria

Haddad no Recife da virada
Haddad no Recife da virada (Foto: Stuckert)

Ontem, nas ruas do Recife, o sentimento era de um projeto de felicidade. Na caminhada até o Pátio do Carmo para o comício, o  clima era de alegria. Tão diferente do clima de raiva, de ódio, de mortes e ameaças doe Bolsonaro, o clima nas passeatas e movimentos para Haddad  no Recife é de. Um dos atos mais comuns foi cantar e sorrir. E como se cantaram canções! Como se criam fácil, como a militância transforma gritos de guerra em melodia:

“Eu sou da paz

Eu sou do amor

Eu tou na rua

pra votar num professor”

E comerciários acenavam. E das janelas dos sobrados pessoas respondiam com bandeiras vermelhas. E os caminhantes gritavam com ritmo, e com tal ritmo que já é canto:  

“Eu tou com ele

Eu tou com ela

Eu tou com Lula

Haddad e Manuela!”

Quem são os autores dessas obras que se cantam? Todos, nenhum, ou o gênio do improviso da gente?  São passeatas onde os negros, gays e mulheres se veem incluídos e festejados. Sim, recebidos em festa. São movimentos em que os comunistas estão presentes e organizados, enquanto caminham, lado a lado, jovens e idosos, homens e mulheres de todas as rebentações, e acenam com livros nas mãos como respostas  às  imitações de tiros.

No palanque, o Maestro Forró tocou “Pra não dizer que não falei das flores” no trompete, e a multidão cantou a letra de Vandré.

“Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantado
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”  

Antes do discurso de Haddad, com a sua chegada ao palanque, a multidão cantou em vários tons: “Brasil urgente. Haddad presidente”. Então veio o discurso do 13 para os inumeráveis trezes:

“Boa noite, Recife!  Eu tenho uma boa notícia pra vocês: a diferença caiu pra 6 pontos. De hoje para sábado, as famílias se reúnem pra tomar uma decisão importante, porque sabem que a decisão que tomarem vai refletir em suas vidas por no minimo quatro anos. É um momento muito delicado da vida nacional, em que o povo está sendo enganado, levado a votar em uma pessoa que não tem currículo, nem serviço prestado, e pior,  não tem amor pelo país nem pelo povo. Não tem compromisso com a soberania nacional e menos ainda com a  soberania popular. Está fácil virar voto no país inteiro. Na cidade de São Paulo, eu já passei Entre o livro de um ministro da educação e a arma de um soldadinho de araque, o Brasil vai ficar com o quê? Na última entrevista que ele deu, o Bolsonaro falou que as mulheres, e os negros, e o nordestino, deveriam deixar de se fazer de coitados. Eu quero dizer pro Bolsonaro: seu arregão, coitado é você. Se toca, se olha num espelho. Ele não respeita ninguém, não tem serviço prestado.

No domingo passado, ele chegou a dizer que a oposição a ele, se ele ganhar, vai ter que escolher entre a prisão e o exílio. Eu quero dizer pra ele que ele não vai ter oposição porque não vai ser governo. E nesses 3 dias o Brasil vai se fazer respeitado dentro e fora do país. A imprensa inteira do mundo está escandalizada com o comportamento das nossas elites, que apoiam um sujeito que enaltece ditador, que fala mal de mulher, que não respeita negro. A imprensa do mundo está escandalizada com o autoritarismo, com o seu plano econômico, de seguir o Temer, que já foi rechaçado pela população. Os correligionários dele dizem que ele não deve ir para o debate. Eu nunca vi alguém, que se diz do Exército, dizer que a estratégia é se esconder, é fugir. Ele não honra nem as Forças Armadas a quem ele disse pertencer. Ele quer entregar a nossa soberania para os americanos, o soldadinho que bate continência para a bandeira americana não pode ser presidente do Brasil....”

A multidão interrompe:

“Ele não! Ele não! Ele não! ...”

Haddad volta:

“Eu estou aqui em Pernambuco com todas as lideranças que percebem o risco que o Brasil está correndo. Agora é hora de unidade. É hora de união. Estamos numa mesma trincheira da democracia e dos direitos. Mas eu estou aqui num dia especial. Eu queria pedir um favor pra vocês. Eu quero dar um presente pra um amigo meu. Esse amigo meu faz aniversário depois de amanhã. E eu quero que todo o mundo cante um parabéns pra ele, que vai ser filmado, que vai ser levado pra que ele saiba que Pernambuco não abandona o filho que dignificou seu estado, que fez o Brasil uma grande nação. O maior presidente da República”.

E a multidão, numa só voz:

“Parabéns pra você, nessa data querida... Lula, guerreiro do povo brasileiro, Lula, guerreiro do povo brasileiro. Lula guerreiro do povo brasileiro ”

E Haddad volta.

“Quero dizer pra Pernambuco que seu filho dileto faz aniversário no sábado. Mas eu faço questão de dar um presente pro Brasil no domingo...”.

A multidão nem deixa Haddad terminar a frase. Chegou-se a um ponto que o candidato e a multidão se entendem por música. Então o comício acaba, mas na militância a felicidade ainda faz eco. A gente, todo o povo presente sai levitando. Como podem tantas pessoas, tantos pés e rumor saírem pelos ares cantando? Para mim, só tem uma explicação para essa revolta contra a física que põe toda a gente no ar. Como bem disse a deputada Teresa Leitão no comício: esta é a eleição de nossas vidas.

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