Hoje, eu só vou falar de Lula

As elites, usurpando o Estado, não estão preocupadas com o passado, com o que Lula fez, mas com o que pode fazer. As elites querem parar Lula antes que ele meta mais pobres onde não são chamados

Hoje, eu só vou falar de Lula
Hoje, eu só vou falar de Lula

Você acha analfabeto com segundo grau completo no Brasil e até pessoas que não sabem ler ou interpretar o que leram tendo na parede um diploma de curso superior. Por causa disso, o Brasil joga a educação no lixo, a evolução lenta, mas persistente, com acréscimos no acesso e na qualidade da educação. A expansão do ensino superior público, dobrando as vagas nas universidades, as escolas federais técnicas, as bolsas para os pobres nas universidades particulares, o piso salarial nacional dos professores, a ampliação de creches e as avaliações em todos os níveis demonstrando progressos na educação indicam que milhões de pessoas mudaram de patamar educacional, mas nada disso vale um centavo neste país tupiniquim porque um desgraçado qualquer tem um diploma de ensino médio e não sabe ler nem escrever.

Você pode achar um filho de vereador, ou a mulher de vereador, recebendo o bolsa-família. Cinquenta milhões de pessoas melhoraram de vida e passaram a comer o pãozinho, o ovo, o feijão, o patinho, mas a televisão vai lá entrevistar o cara, o familiar do vereador. Ele tem carro, moto, casa e uma boa vida, mas agita a cidade com o cartão oficial da assistência aos que têm fome. Por causa disso, a política pública de renda mínima toma pau todo dia, porque está aí na praça, a alimentar 'preguiçosos'.

Com as políticas afirmativas, os negros estão bombando nas universidades, inclusive nas públicas. Mas sempre haverá alguém com a raça questionada, um entre milhares. Fulano não é negro ou beltrano, 'está na cara', é branco. Mas ele, o 'um entre milhares', ocupará as mídias sociais, rádios, televisões e jornais para demonstrar o fracasso das políticas afirmativas.

O auxílio aos pescadores, o seguro-defeso, visa à manutenção de milhares de pescadores, que ganham condições de subsistência nos períodos em que a pesca não pode ser feita. Mas vai sempre aparecer nos jornais um sujeito que nunca foi pescador coisa nenhuma recebendo o seguro-defeso, e aí as mídias sociais, rádios, televisões e jornais atacam todos os pescadores e a própria política pública que os defende.

Centenas de milhares de pessoas são salvas diariamente pelo parque público da saúde, o Sistema Único que atende todos os brasileiros. Mas sempre que morre alguém, ou cresce a fila de hospital, o país fala mal do sistema de saúde. Por ser para todos e gratuito, ele tem mazelas que apenas um maior financiamento e maior dedicação dos profissionais podem atenuar, mas quem apanha diariamente é o sistema, porque ele atende o pobre desprovido de recursos para financiamento da sua própria saúde. Esse pobre que, mais uma vez, só não é rico ou classe média porque não aproveita as oportunidades da vida, ou seja, é 'preguiçoso'.

Chamamos de complexo de vira-latas essa determinação ao fracasso, a reprodução diária de situações negativas reproduzidas pela mídia. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 200 milhões de pessoas, sempre será palco de desastre em algum lugar ou infortúnio de alguma pessoa. Mas se você focaliza o quilômetro onde ocorre o desastre e a pessoa que passa pelo infortúnio, deixando tudo o mais sem espelho ou notícia, estará fazendo o caminho curto para a destruição nacional, a falta de orgulho do povo e a venda das riquezas pátrias a preços vil. Promove-se um distanciamento do brasileiro das coisas que são públicas.

A redução de tudo a fracasso é o canal de notícias por onde transita a sobrevivência das nossas elites. As políticas públicas comentadas acima e fomentadas por Lula precisam apanhar todos os dias, para que o povo saiba quem manda: as elites.

Elas precisam esvaziar os aeroportos cheios de pobres, levar seus filhos às universidades públicas sem a concorrência, o constrangimento e o debate 'racial'; as elites demandam reduzir os impostos para viajarem mais ao exterior, onde elas e seus congêneres dos países em desenvolvimento podem se encontrar em paz. Esse povo pobre, ao fim e ao cabo, precisa mesmo é 'desaparecer' e desocupar o espaço da nobreza, que é todo canto onde tudo é bom.

Trata-se, então, de rebater Lula, o cara que não entendeu qual lugar pertence ao pobre no mundo. Não é no aeroporto, Lula! Não é na Universidade, Lula! Não é no supermercado, Lula! Não é na praia, Lula!

Quando Lula leva o pobre a consumir, comer carne e ovos, fazer curso superior e comprar remédio, andar de carro e moto próprios, falar ao celular que é seu, acender a luz e receber água, adquirir roupas e sapatos, turismo e lazer, ele criou um problema para o país.

Vai que este povo agora, pelo resto da vida, passe a acreditar que isso é direito! Olhe as barbas que as elites precisarão colocar de molho para todo o sempre!

O processo administrativo e judicial contra ele sucede às conversas de rua ainda da década de 80. Os taxistas paulistas, e quem visitou São Paulo à época sabe disto, afirmavam em alto e bom som, depois de boas risadas, que Lula era dono de uma casa no Morumbi. A casa nunca apareceu. Nas últimas décadas, ele foi 'dono' de fazendas, empresas, iates e carros de luxo. Na mão de jornalistas inescrupulosos ou populares descomprometidos, Lula era um bandido passando por vestal. Um sujeito rico discursando em favor de pobres. Defendia os humildes, mas defendia a si, em primeiro lugar.

Nesse ambiente galhofeiro, Lula perdeu montanhas de voto em sucessivas eleições. Ninguém podia controlar a língua popular e, cá para nós, ela não produzia maiores males e era, igualmente, rebatida por populares.

O problema é quando o aparato do Estado, repetindo o discurso da galhofa, instala uma perseguição administrativa e judicial contra Lula. Aí, começa a fazer mal. O Ministério Público diz que o apartamento é de Lula, o sítio é de Lula, o terreno é de Lula; depois, o Juiz diz que o apartamento é de Lula, o sítio é de Lula, o terreno é de Lula; e o Tribunal vai na onda e diz que tudo isso é de Lula.

Decidem, então, prender Lula, sem prova de posse de coisa alguma. Declaram, com a mesma segurança do taxista, que Lula é dono de um apartamento triplex. Isso, somente para começar. Será dono de outras coisas, adiante.

Lógico que as elites, usurpando o Estado, não estão preocupadas com o passado, com o que Lula fez, mas com o que pode fazer. As elites querem parar Lula antes que ele meta mais pobres onde não são chamados.

Para isso, prendem Lula, querem matar o que Lula representa, querem impedir que ele dispute eleição presidencial ou que, preso, não peça voto nem ajude a eleger ninguém.

Se a trama não funcionar e alguém ligado ao preso Lula se eleger, o que as elites farão?

Provável que queimem a grama na direção dos Estados Unidos, um vai e vem carregado em grosso calibre para combinarem uma ação definitiva.

Assassinato? Não acredito.

Talvez, uma extradição.

Olhem a droga que Lula transformou este país.

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