Homenagem aos Malandros

Que Glen Greenwald imploda, com a ajuda daqueles que detêm o escopo da ética, da verdade e da dignidade em seus espíritos, o totalitarismo à la 1984 que se alastra pelo Brasil

Eu quis fazer um texto em homenagem à nata da malandragem que conheço de outros carnavais de Olinda, Rio e Salvador. Impossível. Sofro da mesma desilusão de Chico, e a única malandragem que se posta é a mesma que se viu no Estado hiperautoritário de 1984 (Orwell). 

O passado e o presente são refeitos, incessantemente, ao bel prazer do regime bolsonarista. Vivemos a pós-verdade e o revisionismo da história todos os dias. Não se pode negar, desta feita, a sagaz-maléfica malandragem dos que tomaram de assalto o poder no Brasil, já que usam, abusam e se lambuzam com a Novlíngua vista na obra do autor supracitado. Cabe salientar, aliás, que o sociólogo Manuel Castells, quando esteve no Brasil, foi brilhante em sua declaração, trazendo à tona as semelhanças do Brasil despótico atual com a distopia Orwelliana.

(A Novlíngua é desenvolvida não pela criação de novas palavras, mas pela "condensação" e "remoção" delas ou de alguns de seus sentidos e ideias, com o objetivo de restringir o escopo do pensamento. Uma vez que as pessoas não puderem se referir a algo, isso passa a não existir.)

Distorce-se, assim, a ideia de que houve tortura, perseguição política e ocultação de corpos durante o golpe militar, de que não há mais fome e pessoas em estado deplorável nas ruas do país neste exato momento. Não há preconceito contra gays, negros, índios e mulheres. Não existe feminicídio nem um genocídio em curso contra a população LGBT. Garimpo e desmatamento descontrolado na Amazônia? Inverossímil para os neo-malandros. Tampouco existe uma carnificina em terras indígenas. Caciques e agricultores do MST não estão sendo assassinados, seja a tiros, facadas ou até mesmo por atropelamento. 

A Novlíngua é, portanto, a solução do desgoverno brasileiro para eliminar todas as verdades que o incomodam. Aqueles que têm um mínimo de senso democrático e progressista deparam-se, aterrorizados, cada vez mais, com o mau-caratismo e a esquizofrenia do discurso político de malandros-Moro, malandrinhos-palestrantes-Dallagnois, malandrões familicianos e malandros-ministros que se dizem guardiões da Constituição Federal de 1988 – essa, coitada, esquartejada, triturada e jogada na descarga pela Novlíngua. Se houvesse um concurso do maior cínico do planeta, veríamos uma competição acirrada entre tais páreas traidores da pátria, criminosos. 

Consequentemente, reaver a verdade e o bom senso no Brasil, sem falar na retomada de sua soberania, passará pela superação deste período de guerra informática e de informação. Implodir o Big Brother não será tarefa das mais simples. A extrema direita, deve-se assumir, criou e se preparou muito para o embate Novlíngua x verdade.

Em contrapartida, assim como o personagem central da trama ousou fazer em 1984, existe uma figura que está tentando implodir o regime totalitário brasileiro. A batalha é igualmente árdua e perigosa. Espero que ele tenha uma ventura diferente da de Winston Smith. Que Glen Greenwald imploda, com a ajuda daqueles que detêm o escopo da ética, da verdade e da dignidade em seus espíritos, o totalitarismo à la 1984 que se alastra pelo Brasil. 

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