Ideia de Lula como vice mistura estilo de FHC com cinismo de Ciro

"A estratégia de golpear Lula com o discurso da necessidade de despolarização e diálogo em torno de outro nome merece sonora gargalhada. Constitui um tipo de política à semelhança do que fazem especuladores do mercado – lança-se um não-fato como possibilidade real e espera-se para ver quem compra a ideia"



É bonito ver Eliane Cantanhêde no “Em Pauta”, na Globo News de segunda a sexta-feira, às 20h, encadeando fatos que enredam Jair Bolsonaro e “seus” militares na trágica condução da saúde na pandemia, agora acrescida de evidencias de corrupção. A jornalista tem propriedade, contundência e fontes. Sabe verbalizar a indignação com o governo e antecipar fatos. Porém, no “Estadão” do domingo 11, exerce o vexatório papel de porta-voz da mais cínica elite brasileira, aquela cujas raízes estão fincadas em Higienópolis e que, de modo diverso do de Bolsonaro, é também golpista. E que recentemente parece agregar um componente cearense-coronelista.

Assim propõe a colunista o “Estadão”, conforme noticiado pelo Brasil 247: “Com Lula disputando a volta à Presidência, e com grandes chances, aprofundam-se a polarização e esvaem-se as soluções. Com Lula trocando a vaga na chapa pelo papel histórico de arquiteto e líder da união nacional, ele mantém sua capacidade poderosa de atrair votos, mas desanuvia-se o ambiente, tira-se a motivação de parte dos votos em Bolsonaro e abre-se a porta para uma nova era, inclusive na economia”.

Sim, Cantanhêde sugere que Lula, hoje com votos para vencer a eleição no primeiro turno, abra mão da cabeça de chapa em nome de uma união nacional que nunca existiu. Desnecessário lembrar que a colunista é idólatra de Sérgio Moro, foi voz enfática em favor dos crimes da Operação Lava Jato.

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A estratégia de golpear Lula com o discurso da necessidade de despolarização e diálogo em torno de outro nome merece sonora gargalhada. Constitui um tipo de política à semelhança do que fazem especuladores do mercado – lança-se um não-fato como possibilidade real e espera-se para ver quem compra a ideia. É um jogo de vale-tudo bem ao gosto do Ciro Gomes de hoje, que já navegou por todas as tendências políticas imagináveis. E bem ao estilo dos velhos tucanos, junto aos quais Ciro já esteve em tempos não tão distantes.

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Fernando Henrique Cardoso, certamente, é um ser humano e um político muito melhor do que Jair Bolsonaro, mas o verniz sociológico que o reveste apenas disfarça aquele a quem Tancredo Neves chamou de “o maior goela da política brasileira”. Professor Cardoso almoçou com Lula recentemente, reconheceu nele as qualidades dos democratas. Disse que, contra Jair, o apoiaria num segundo turno eleitoral. Mostrou-se politicamente correto, descendo um pé do muro em que sempre se colocou, mas ressalvando que seu partido busca um nome próprio para concorrer em 2022.

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Na condição de “goela” e murista profissional, o professor Cardoso não dá ponto sem nó, e vê os olhos de Ciro Gomes mais dóceis que os de Lula. Oráculo dos ex-social-democratas convertidos em neoliberais, embora empole a voz para dizer “nunca fui neoliberal”, o professor Cardoso e os tucanos – sem nomes e sem votos - que ainda o reverenciam devem ser os primeiros a aplaudirem a sugestão da colunista Cantanhêde. A proposta dela mistura o estilo tucano com o cinismo do camaleão do Ceará.

De todo modo, o professor Cardoso e seus tucanos amestrados não teriam a ousadia de sugerir diretamente a Lula coisa tão canhestra. Ciro tampouco. Melhor é utilizar seus porta-vozes.

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Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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