Igualdade, democracia e mulheres

A democracia que precisamos cuidar é aquela que nos leve ao afeto, à fraternidade, aquela que nos afaste do ódio; a democracia que precisamos é de alma feminina, materna, guerreira, compreensiva, inflexível, acolhedora, educadora e radical



O dia 8 de março não é apenas uma data de homenagens às mulheres, tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela ONU em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.  

Atualmente, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo — aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. As mulheres são protagonistas das grandes e necessárias mudanças do mundo, encontramos em toda a história exemplos; cresci observando e admirando as mulheres da minha família, sua energia, responsabilidade, comprometimento e senso de justiça, graças ao exemplo delas fiz muitas das minhas escolhas.  

Graças a mulheres guerreiras, e seus silenciosos e eloquentes olhares, como os de minha mãe, minhas avós Maura e Maria, das tias Bel, Carminha e Neusa, minhas irmãs, da Celinha (de quem recebi tanto), e de algumas primas, cheguei aqui despido de preconceito, não sem erros, medos e dúvidas, mas pronto para seguir adiante, mesmo depois de tantos tropeços ridículos.

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Essas mulheres lindas e mágicas, me ensinaram muita coisa, desde dar laço no cadarço dos meus tênis, para “não tropeçar”, “ver as horas”, até compreender a mensagem de Victor Hugo no seu “Os Miseráveis”. 

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Esse livro foi impactante para mim. Não esqueço minha avó, Dona Maura, me explicando, delicada, que não era apenas uma história, tratava-se de uma filosofia política retratada por Victor Hugo, a qual se opõe radicalmente à desigualdade social e a miséria, e nos propõe um Estado solidário, presente e acolhedor, indicando ainda a Política como caminho justo e necessário para garantir ou construir a Justiça.

Aprendi, também com elas, a valorizar o trabalho, minha família, assim como todas as famílias em suas várias formas, aprendi amar as pessoas, independente de cor, credo ou ideologia e a respeitar homens e mulheres, assim como a orientação de cada um.

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Esses valores e princípios me colocam desde sempre em oposição à tortura, às ditaduras, à misoginia, ao machismo e a qualquer forma de violência.

Por isso tudo pude fazer escolhas. Escolhi o caminho indicado pelo Papa João XXIII, que um mês antes da abertura do Concílio afirmou que “A Igreja é de todos e ninguém está excluído, mas ela é particularmente a Igreja dos pobres “.

O caminho que escolhi é o caminho do Papa Francisco, argentino danado de querido, que ao se aproximar das pessoas, não dá a impressão de perguntar se são católicas ou se vão à Missa todos os domingos, vê nelas criaturas de Deus, seres humanos, pessoas que têm direitos inalienáveis e que precisam ser amadas.

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A quais direitos inalienáveis me refiro? Aos Direitos Humanos, tão injustamente criticados pelo ódio e pela desinformação dos incautos. Logo os Direitos Humanos que são todos os direitos relacionados à garantia de uma vida digna a todas as pessoas, que são os direitos garantidos à pessoa pelo simples fato de ser humana, que dizem respeito à liberdade, à igualdade e à fraternidade, direitos femininos. Os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas, fundamentais para dignidade, por isso quem critica os Direitos Humanos está a negar a dignidade humana.

Escolhi também o caminho da democracia, do debate, da possibilidade da convivência respeitosa com as diferenças, especialmente de opinião, da diversidade, na quadra da civilização e humanidade.

Também por essas razões convido todos aqueles que se identificam com os valores da Justiça Social, que reconhecem que há direitos inalienáveis, os quais merecem atenção e cuidados, aqueles que se pretendem democratas, olhem para o coração sorridente de suas mães, avós e outras mulheres fundamentais, pois vocês reconhecerão neles a gênese das sociedades solidárias.

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É tempo de trabalho, de nos opormos ao descuido e ao descaso com a democracia, é tempo de cuidados; “cuidar” é mais que um ato, é uma atitude, está em movimento e abrange mais que um momento de atenção, representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.

 A democracia que precisamos cuidar é aquela que nos leve ao afeto, à fraternidade, aquela que nos afaste do ódio; a democracia que precisamos é de alma feminina, materna, guerreira, compreensiva, inflexível, acolhedora, educadora e radical.  A democracia a ser alcançada é humana.

 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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