Il maestro è morto...

Sérgio Leone a quem tanto devemos, lhe deve mais. Mas poderão se acertar onde estiverem – se há um céu, o Criador ganhou e nós perdemos e perdidos nos apiedamos da vida que segue sem as melodias que il maestro Moricone desenhou para il Maestro Leone contar

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Dois chopp depois (foram vários, mas a visão de Bogart nos persegue feito a vida) e ao som de Patrícia Janeckova cantando a imortal Once Upon a Time in West, atrevemo-nos a despedir do Maestro Moricone. Deus há de nos perdoar...

Maestro, grazie per tutte. Foram momentos extraordinários, ungidos pelo criador e transmitidos por Você... 

A câmera hipnótica da beleza imorredoura de miss Cardinale ainda nos assombra e, assombrou tanto, que a beleza para além da hipnose de Vossa música teve que aguardar a testosterona ceder ao eterno...

Miss Cardinale há de nos perdoar, suposto que perdão semeia vida e hoje, mais que ontem, é urgente embriagarmo-nos da vida, na medida em que o fantasma fascista eviscera a maldição dos sem alma, projetando o totalitarismo natimorto na bota estúpida da ofensa aos descamisados...

Perdemos!

Todavia a dor de Vossa perda (tropo súbita) ainda não mereceu uma última melodia e Vossa ausência não há de renegar o outro Maestro imortal por aqui... 

Piazzolla segue tanguediando a tristeza e é justamente este o prumo a nos confortar, suposto que Astor, enquanto maestro derradeiro, terá tempo de redimir o próprio tempo e, talvez, produza um Adiós Ennio...

Bem sabemos que Nonino será insuperável como sói serem os Pais (eu que diga do Meu Pai a dor que fica!), notadamente quando a música alcança seus leitos mortuários. Todavia a vida segue, ainda que ao sabor da angústia. A melodia já não nos pertence...

A melodia pertence a vida. A vida passada, a vida em curso, a vida que virá. 

A música é a herança que o planeta legará...

Estamos, todavia, mais pobres com o passamento do Maestro de tutti maestri e isso não é pouco, ainda que talvez não baste para uma nova melodia despedida. 

Mas é o que temos. É o que angustiamos e desafiamos para o dia que há de vir – e isso acalma nossa dor, ainda que não aplaque o desatino da negação do amor que a vida engalana na certeza da lápide...

Desafortunadamente o Maestro se foi sem tempo de musicar a proliferação do fascismo, em ordem a estancar o desamor no amor de suas melodias que não morrem.

Há uma geração toda a chorar por Vós, Ennio e essa geração não foi atingida pelas balas atiradas por Clint Eastwood, Terence Hill, Jason Robards, Henry Fonda. Quem nos alcançou foi a sutileza imorredoura de Vossos acordes, Maestro.

Sérgio Leone a quem tanto devemos, lhe deve mais. Mas poderão se acertar onde estiverem – se há um céu, o Criador ganhou e nós perdemos e perdidos nos apiedamos da vida que segue sem as melodias que il maestro Moricone desenhou para il Maestro Leone contar.

Isso, todavia, não é pouco Astor. Adiós Maestro, pois

Obrigado Maestro. A vida que hoje é mais pobre, Aldir, Morais, Tim, Elis e tantos outros agradecem. Musicai a dor, por nós, Piazzolla. A vida encarece...

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

WhatsApp Facebook Twitter Email