Importantes lições da greve dos entregadores

A mobilização mostrou – uma vez mais – que é necessário e possível lutar em meio à pandemia e superar a política de paralisia da burocracia sindical e da esquerda da frente ampla

São Paulo, SP. 01 de julho de 2020 greve dos entregadores de aplicativos,
São Paulo, SP. 01 de julho de 2020 greve dos entregadores de aplicativos, (Foto: Roberto Parizotti/Fotos Publicas)
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A combativa greve dos entregadores foi uma tremenda vitória, não é por outro motivo que os trabalhadores que estiveram à frente do movimento já anunciam uma nova data de paralisação, provavelmente nos dias 11 e/ou 12 de julho.

Diante disso, destaco algumas lições importantes da mobilização:

  1. A greve mostrou que o caminho da mobilização é nas ruas e não se escondendo por trás da internet. A internet e as redes sociais são um complemento, uma ferramenta limitada de divulgação, nunca um substitutivo da mobilização dos trabalhadores nas ruas;
  2. A greve também mostrou à necessidade de promover atos de rua, públicos e de massa e não ações do tipo institucional. São precisos protestos efetivos e não e-mail ou telefonemas para “pressionar” o parlamentar “do seu Estado”. A greve pressionou mais do que milhões de e-mail, milhares de lives e tuitaços etc. e centenas de modorrentos discursos de parlamentares de esquerda e inúteis ações junto ao Ministério Público e Judiciário golpistas.
  3. jogou por terra a conversa fiada da burocracia sindical e de setores da esquerda de que não é possível mobilizar durante a pandemia. Impôs na prática, nas ruas a máxima dos explorados nos dias atuais: “se podemos trabalhar, podemos protestar“; 
  4. O movimento não brotou do nada. Trouxe à tona que os milhões de operários e trabalhadores das mais diversas categorias que perderam seus empregos (muitos deles sendo obrigados a trabalhar como entregadores), carregam consigo sua experiência de luta. Por isso, lançaram mão dos métodos próprios de luta da classe trabalhadora, como o bloqueio de avenidas, piquetes nas vias de grande concentração de trabalhadores, a imposição da vontade da maioria que está na luta sobre a minoria, nada mais  do que a expressão da verdadeira democracia operária. Como bem declarou um manifestante diante de um hesitante fura-greve: “ou é por nós ou é contra nós!”;
  5. A greve representou um duro golpe na paralisia dos setores da burocracia sindical e da esquerda em “quarentena”, enquanto os trabalhadores estão nos seus locais de trabalho ou perderam seus empregos. Ficou evidente que a mobilização de base dos entregadores, tem que avançar, passando por cima dos sindicatos cartoriais e das direções pelegas que nada fizeram para organizar a luta. Evidencia-se a necessidade de levantar a bandeira da constituição de um sindicato nacional que esteja amparado única e exclusivamente na mobilização, na luta e nas reivindicações da categoria; 
  6. Se opondo à tradicional política da burocracia de atos demonstrativos ou simbólicos, a vitoriosa greve já apontou  à necessidade de continuidade da mobilização. É necessário dar continuidade ao movimento e fazê-lo vitorioso.

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