Índios que teimam em ser índios!

Bolsonaro foi à ONU com os objetivos de bajular Donald Trump e arriar as calças para a exploração das terras amazônicas. Após a apresentação gordurosa e cheia de bile, tive medo de ser acometido por uma indigestão

(Foto: Alan Santos/PR)
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O assunto Bolsonaro na ONU não vai se esgotar tão cedo. A vergonha foi enorme, o discurso de ódio embrulhou meu estômago. Não consigo definir o que senti, se ojeriza ou pânico de o mundo ter ficado diante da aberração que colocamos para presidir o país.

De todos os impropérios ditos pelo pusilânime, o pior foi sobre o cacique Raoni, a maior liderança indígena e uma das principais vozes contra as políticas indigenista e ambiental desse governo. “A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peças de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, declarou Bolsonaro, e continuou: “Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas.”

Bolsonaro, para justificar a retirada dos povos indígenas de suas terras, tem a narrativa de que o índio quer ser tratado como ‘ser humano’, com direito a viver nas cidades, ao alcance das tecnologias. Não é o que pensava Darcy Ribeiro quando escreveu o livro O Brasil como problema, onde confronta, no trecho reproduzido a seguir, a integração e a falta de assimilação da sociedade em relação às populações indígenas. “O índio vive a situação desesperada de quem não quer identificar-se com a sociedade nacional, de quem se nega a dissolver-se nela, mas que precisa, igualmente, do seu amparo compensatório. E é um amparo que só o Estado pode dar e deve dar, mesmo porque o problema indígena somos nós, que invadimos suas terras e destruímos suas vidas. Fomos nós que criamos o problema indígena. Somos nós os agressores. Nós, em consequência, é que lhes devemos esse amparo oficial e legal – o único que pode garantir condições de sobrevivência”.

No governo militar do general Ernesto Geisel, houve um movimento de ‘emancipação’ dos índios. O ditador se perguntava: “Por que esses índios se mantêm nessa mania de serem índios? Geisel era filho de alemães, contava que tinha falado alemão até os doze anos, depois optou por ser brasileiro e que os índios poderiam fazer o mesmo. A emancipação visava retirar os indígenas de suas terras e sua consequente dizimação, a mesma proposta do capitão.

Bolsonaro foi à ONU com os objetivos de bajular Donald Trump e arriar as calças para a exploração das terras amazônicas. Após a apresentação gordurosa e cheia de bile, tive medo de ser acometido por uma indigestão. Nessas horas recorro a coisas agradáveis e assisti o vídeo de uma história contada por Gilberto Gil e João Donato. 

Era tarde de sábado quando o interfone do apartamento de Gil tocou. A empregada atendeu: - Seu Gil, é João Donato! Gil desaprovou o anúncio de sua visita: - Donato não é pessoa que se apresente. Donato subiu, segundo Gil, um pouco ‘chumbado’, sentou-se no sofá, entregou uma fita K7 com algumas canções e pediu que Gil colocasse letra. Enquanto Gil ouvia, Donato dormiu. Gil olhou o amigo dormindo sossegado no fim daquela tarde lilás e escreveu: A paz invadiu o meu coração/de repente me encheu de paz/como se o vento de um tufão/arrancasse meus pés do chão...”. 

É isso, queremos a paz invadindo o coração do Brasil!

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