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Ribamar Fonseca

Jornalista e escritor

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Inimigos do Brasil

Ao mexer com a vaidade dos procuradores da Lava Jato, massageando seus egos, a mídia comprometida consegue fazê-los obedientes à sua agenda

Ao mexer com a vaidade dos procuradores da Lava Jato, massageando seus egos, a mídia comprometida consegue fazê-los obedientes à sua agenda (Foto: Ribamar Fonseca)
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"Eles estão se achando". Com essa frase um leitor da "Folha de São Paulo" comentou a foto, publicada na primeira página da edição do último domingo, em que os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava-Jato são apresentados como heróis. A foto, posada, ilustra uma reportagem que pretende transformar em celebridades os representantes do Ministério Público na operação da Policia Federal, uma estratégia já utilizada com sucesso com o ministro aposentado Joaquim Barbosa e com o juiz Sergio Moro para torna-los maleáveis aos interesses da direita. Ao mexer com a vaidade deles, massageando seus egos, a mídia comprometida consegue fazê-los obedientes à sua agenda, sob os olhares complacentes do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.

Na reportagem, os procuradores revelam, como se fora um grande feito, sua estratégia, mediante blefes, para arrancar confissões dos empresários presos. Defendem, ainda, a manutenção da prisão deles, apesar das críticas de juristas e até de um ministro do STF – chegando a fazer um apelo para que o Supremo não lhes conceda habeas corpus – e criticam os acordos de leniência negociados pela Controladoria Geral da União com as empresas para evitar o desemprego em massa. Um dos procuradores, Carlos Fernando Lima, chegou a dizer que "a CGU foi feita para controlar corrupção de funcionários públicos, não para ser a salvadora do emprego". Ou seja, para eles pouco importa que milhares de trabalhadores estejam sendo demitidos por conta de suas ações, que não objetivam apenas punir os empresários acusados de pagar propinas mas, também, as suas empresas.

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A propósito, em artigo publicado neste final de semana, o renomado jornalista Mauro Santayanna questiona a indiferença do Poder Judiciário diante dos efeitos sociais da Lava Jato:

"No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro – e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população – age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente comprovado".

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Santayanna lembra ainda que "é preciso que o Ministério Público e o Judiciário tenham especial cuidado para que alguns de seus membros não passem a acreditar – e a agir – como se tivessem, com base na meritocracia, sido ungidos por Deus para tutelar os outros poderes, e, principalmente, o povo. Aos juízes e ao Ministério Público não cabe interferir, de moto próprio, nem tentar substituir o Legislativo ou o Executivo, na administração da União, dos Estados e municípios", ele acrescentou. Na verdade, talvez entusiasmados pela repercussão das investigações, pela fama repentina e pelo apoio da mídia, estimulados ainda pelo silêncio dos órgãos que deveriam conter seus ímpetos, o juiz e procuradores perderam o senso do limite de suas atribuições e suas decisões ultrapassaram as fronteiras da Operação Lava-Jato para interferir negativamente na vida de cidades inteiras e de milhares de trabalhadores, afetando ao mesmo tempo o processo de desenvolvimento do país.

Em recentes reportagens o "Jornal do Brasil" vem alertando para a situação de cidades do interior do Rio de Janeiro, como Macaé, Rio das Ostras e Itaboraí, que tem no setor petrolífero sua principal fonte de receita e que estão enfrentando graves dificuldades em função da paralisação das atividades ligadas à produção de petróleo. O JB revela ainda que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, "a recessão da economia causada pela Operação Lava-Jato será de R$ 87 bilhões para o país, diretamente no PIB". E acrescenta: "As investigações na Petrobrás – e por consequência direta a sua cadeia de fornecedores e empresas terceirizadas – são fatores que podem culminar também na perda de 1 milhão de postos de trabalho". Os integrantes da Lava-Jato, no entanto, a julgar pelas declarações do procurador Carlos Fernando Lima, não estão preocupados com isso.

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Percebe-se, sem muita dificuldade, que por trás de tudo há o interesse externo, defendido por políticos brasileiros como o senador José Serra e apoiados por essa mesma mídia, de entregar a Petrobrás e a exploração de nossas reservas petrolíferas, especialmente o pré-sal, para o capital estrangeiro. O respeitado jornalista Janio de Freitas, em artigo publicado domingo na "Folha de São Paulo", também denuncia a campanha movida por interesses internos e externos contra a Petrobrás. E lembra que Serra já apresentou proposta ao Senado retirando a exclusividade da Petrobrás na exploração do pré-sal. Sobre o senador paulista vale recordar a revelação feita pelo Wikileaks de que ele, quando candidato à Presidência da República, prometera à empresa americana Chevron a abertura do pré-sal.

O fato é que ao mesmo tempo em que se procura enfraquecer, por todos os meios imagináveis, a empresa estatal brasileira do petróleo, como se ela fosse culpada pelos roubos de que foi vítima, busca-se, também, desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff, um processo que conta com o apoio da oposição, em especial dos principais líderes tucanos, entre eles o senador Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora transformado em guru da oposição, FHC rejeita qualquer tentativa de diálogo com o governo que, na opinião dele, manifestada em recente artigo, perdeu "popularidade e credibilidade", como se ele próprio tivesse as duas coisas. E exorta os oposicionistas a saírem às ruas para fazerem zoada. Fica bem claro que nem ele ou a oposição como um todo – incluída aí a mídia – desejam, efetivamente, um país melhor mas, única e exclusivamente, o poder. Na verdade, são inimigos do Brasil.

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