Interdição, a única solução

A colunista Tereza Cruvinel afirma que Bolsonaro cruzou a fronteira da saúde mental. Ela diz: "Bolsonaro age como um doente mental, cruza a toda a hora a fronteira entre sanidade e demência". Ela completa: " (...) à noite recaiu, numa fala em que trombou com a ciência, com as práticas internacionais adotadas contra a pandemia, com as orientações das autoridades nacionais, inclusive de seu governo"

(Foto: ADRIANO MACHADO)
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               Quando se pensa que Bolsonaro caiu na real, abriu diálogo com os governadores e rendeu-se à força inegável da pandemia, ele reincide no negacionismo, volta a falar em “gripezinha” e “resfriadinho” referindo-se ao coronavirus,  ataca a mídia e os governadores,  defende o fim do confinamento para os não-idosos e  a volta ao trabalho.  Sabotando ostensivamente o esforço do país para mitigar os efeitos devastadores do coronavirus, Bolsonaro age como genocida. É preciso interditá-lo antes que seja tarde.

               Bolsonaro age como um doente mental, cruza a toda a hora a fronteira entre sanidade e demência. Durante o dia ele estava de um lado, falou com o presidente da China, fez teleconferência com governadores. E à noite recaiu,  numa fala em que trombou com a ciência, com as práticas internacionais adotadas contra a pandemia, com as orientações das autoridades nacionais, inclusive de seu governo,  buscando culpados, como se todos estivessem errados e interessados apenas em criar pânico para piorar a situação.  Em sua fala, ele disse que tudo o que está sendo feito está errado. O que pensarão os brasileiros que ouvem uma coisa de dia e outra à noite?

               E se todos resolvessem amanhã seguir a orientação de Bolsonaro? Isso não vai acontecer, a população está lúcida e consciente, mas se ocorresse, iríamos para o pior dos mundos.  E se todos resolvessem amanhã sair da quarentena e voltar ao trabalho, expondo-se à contaminação por um vírus tão tenebroso?  E se os governadores, como ele recomendou, recuassem do fechamento do comércio e das restrições à circulação, reabrindo inclusive as escolas? Teríamos o pandemônio completo. Para completar, ele voltou a fazer propaganda da cloroquina, no dia em que um paciente morreu nos Estados Unidos após fazer uso do medicamento que está sendo testado. Então, o presidente está sabotando o esforço do país, está confundindo a população, criando uma situação de grave risco sanitário.

                Mas o surto não é só dele, é compartilhado pelo bolsão mais radical do bolsonarismo. Nesta terça-feira circularam nas redes bolsonaristas um vídeo denunciando uma conspiração para derrubá-lo, tendo como pretexto a pandemia. Fariam parte deste complô a mídia, Rodrigo Maia, os partidos de esquerda e os de centro.

               Diz o vídeo: “Um golpe de Estado está sendo planejado pela mídia, a esquerda e o centrão, e todos os intelectuais contrários ao presidente.” O nome do presidente da Câmara não é citado mas aparece nas imagens.  “O plano é derrubar o capitão a qualquer preço. Tudo está sendo arquitetado neste momento. O plano tem três vertentes”, explica o locutor.

               A primeira seria desgastar a imagem de Bolsonaro, qualificando-o como radical que não consegue dialogar. A segunda seria desacreditá-lo,  com análises distorcidas de suas palavras produzidas dentro das redações. “Eles pegam frases soltas de Bolsonaro e tiram do contexto para prejudicá-lo”.  E por fim, o “plano inescrupuloso” estaria passando a ideia de que o presidente está criando uma crise institucional por desrespeitar as  instituições, como o Congresso e o STF. Diz ainda o locutor que, com a pandemia, a economia que estava crescendo foi atingida e caminha para a recessão,  e o sistema de saúde vai entrar em colapso.  E com isso estará criado o cenário para o golpe.

“A imprensa trabalha 24 horas por dia para inocular na mente das pessoas o pânico e o medo”, criando a ideia de que tudo é culpa dele. “Está tudo pronto para o golpe dos canalhas”, que já tratam do impeachment de Bolsonaro abertamente, segue o locutor, conclamando à resistência:  “Se abandonarmos o capitão Bolsonaro, ele vai cair, e com ele a esperança de um novo Brasil”.

Mas é Bolsonaro, apenas ele,  que está tornando sua permanência na Presidência um risco para o Brasil. As crises testam os governantes e ele está sendo reprovado, queimando o crédito que lhe foi dado.  Ninguém distorceu o que ele disse ontem, ninguém editou o vídeo de seu pronunciamento. Está aí, para quem quiser conferir, como prova do mal que ele está causando.

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